Dídac Sánchez, um jovem empreendedor de Barcelona, lançou o desafio para decifrar um código secreto utilizado durante a Segunda Guerra Mundial. E quem conseguir realizar a proeza, recebe uma boa soma: num primeiro momento o premio era de 25 mil euros, mas depois de 2.223 pessoas de mais de 30 países terem fracassado, a recompensa aumentou para os 40 mil euros.

Sánchez criou a empresa 4YEO, especializada em encriptação de mensagens. Ele alega conseguir encriptar qualquer texto, inclusivamente emails, conversas por WhatsApp, Messenger, SMS, Skype ou chamadas telefônicas.

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A mensagem divulgada pela empresa é construída com o mesmo código que foi utilizado na última mensagem por decifrar dos tempos da Segunda Guerra Mundial, que enviada da Inglaterra para a resistência francesa. O concurso foi aberto dia 1 de setembro tendo expirado dia 31 de dezembro. Sem resultados, o prazo foi alargado até dia 30 de abril depois de 372 espanhóis, 224 mexicanos, 219 americanos, 211 britânicos, 176 alemães, 132 austríacos, 115 fraanceses, 78 russos, 55 ucranianos e 43 japoneses, entre várias outras nacionalidades, terem tentado sem sucesso decifrar o enigma.

Se quiser tentar ganhar os 40 mil euros e tentar decifrar uma mensagem aparentemente indecifrável, é só clicar aqui.

Nenhum momento define melhor os Jogos Olímpicos modernos do que o do revezamento da tocha, um símbolo perfeito da fraternidade e da cooperação internacional. Tudo é glorioso nesse evento, desde o acendimento da chama sagrada em Olímpia, na Grécia, até à sua entrada espetacular no estádio da cidade sede. Esse também era o espetáculo que Joseph Goebbels, ministro alemão da propaganda queria que os espectadores das Olimpíadas de 1936 presenciassem - não para a fraternidade entre os povos, mas para a glória do regime nazista.

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Muitas pessoas não sabem que o revezamento da tocha olímpica é uma invenção nazista. Os antigos gregos disputavam corridas de revezamento que envolvia tochas como parte de sua adoração aos deuses, porém, em nenhum dos jogos modernos antes de Berlim houve o revezamento da chama olímpica. A ideia não foi, na verdade, de Goebbels. Ela foi proposta por Carl Diem, secretário geral do comitê organizador dos Jogos de Berlim e inspirada na chama usada na Olimpíada de Amsterdã em 1928. Goebbels decidiu  usar o revezamento da tocha para  satisfazer a sede nazista por espetáculos e cerimônias. E ele o fez com muita competência.

Na cerimônia de acendimento na Grécia, a chama foi dedicada a Hitler, ao som de uma banda que tocava o hino nazista Die Fahne Hoch. Ao retratar o evento como uma antiga tradição, os nazistas proclamavam-se herdeiros do progresso da civilização ocidental; da Grécia à Roma e finalmente para a Alemanha.

A rota do revezamento da tocha passou pela Tchecoslováquia, onde toda a propaganda nazista que cercava o espetáculo,  induziu alguns membros da minoria étnica alemã a entrar em conflito com os tchecos. Dois anos mais tarde, os nazistas  invadiriam e ocupariam parte da Tchecoslováquia, alegando que a minoria alemã estava em perigo.

Na última etapa do revezamento, somente atletas loiros e de olhos azuis foram autorizados a conduzir a tocha.

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Hitler encontrou ainda outras maneiras para usar o revezamento da tocha como propaganda nazista. O chefe do escritório de esportes do  Reich, Hans von und Tschammer Osten, convenceu-o a patrocinar escavações dos sítios dos jogos olímpicos originais em Olímpia, reforçando ainda mais a imagem da Alemanha como herdeira e zeladora das antigas tradições.

De acordo com o historiador alemão Arnd Krüger, a Companhia Krupp, maior produtora de armamentos da Alemanha, projetou e patrocinou as tochas usadas no percurso entre a Grécia e Berlim. A primeira tocha fabricada foi usada para acender um novo forno para a produção de canhões de longo alcance. A rápida expansão da produção de artilharia da Krupp seria crucial para os primeiros sucessos militares dos nazistas.

Assim como Goebbels planejara, a visão  da chama sendo levada para o estádio por um exemplar da masculinidade ariana, levou os espectadores a concluir que os nazistas eram fortes, mas não brutais. O New York Times informou que a Alemanha mostrou “boa vontade” e “hospitalidade impecável.” A  agência The Associated Press assegurou a seus leitores que os Jogos indicavam paz para a Europa.

O vazio da propaganda nazista foi revelado pelos anos catastróficos da guerra. No entanto, na retomada dos Jogos Olímpicos em Londres em 1948, o revezamento da tocha foi mantido como uma mensagem clara de amizade e paz. Ele ainda continua a ser um símbolo de boa vontade, um legado do nazismo que decidimos valer a pena manter.

Vídeo da Abertura dos Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim - [Link patrocinado]

O minuto de silêncio com o qual  se presta homenagem a um falecido ilustre, ás vítimas de catástrofes naturais ou aos mortos em tragédias humanitárias, nasceu em Portugal.

Tudo começou em 1912 com a morte do Barão do Rio Branco, ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil que era muito estimado em Portugal, por ter sido um dos primeiros estadistas a apoiar o reconhecimento da República Portuguesa em 1910.

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José Maria da Silva Paranhos Júnior nasceu no Rio de Janeiro a 20 de abril de 1845, filho do também diplomata que se tornou famoso sob o título de Visconde do Rio Branco. Político competente, o barão foi ministro dos Negócios Estrangeiros durante os governos presidenciais de 1901 até a data de sua morte em 10 de fevereiro de 1912. Antes da República, Paranhos Júnior servira com igual empenho a causa da monarquia.

A sua morte teve tal repercussão no Brasil que o governo fez um decreto adiando o carnaval, para que esse período de festas não coincidisse com o luto nacional. Como ministro dos Negócios Estrangeiros, Rio Branco foi o responsável pela demarcação das fronteiras, trabalho que executou com engenho e arte, aumentando ainda mais o já vasto território brasileiro com a anexação do atual estado do Acre, que pertencia à Bolívia (1904), uma área em litígio com a Guiana Francesa, que abrangia quase todo o atual Estado do Amapá, e resolvendo em favor do Brasil uma disputa fronteiriça com a Argentina, incorporando em definitivo uma área territorial de 30 mil  quilômetros quadrados.

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O primeiro minuto de silêncio da história

“Em Portugal havia um verdadeiro culto pelo Barão do Rio Branco, o estadista ilustre que o Brasil perdeu, e o seu nome era entre nós tão querido e tão espalhado que raro dos portugueses de uma certa cultura o desconhecia. Todos os que amam o Brasil e seguem atentamente os seus movimentos políticos e literários, os que lá vão em busca de um pouco de bem estar, os artistas que viajam anualmente na terra nossa irmã, os comerciantes que regressam com o seu pecúlio e vão instalar-se nas suas províncias, todos recordavam com admiração o nome do ilustre homem de Estado”, como ficou registrado na Ilustração Portuguesa, de 26 de fevereiro de 1912, lamentando a morte e noticiando a missa de sétimo dia do estadista brasileiro.

A morte do Barão do Rio Branco teve um forte impacto em Portugal. O parlamento português na sua reunião do dia 13 de fevereiro, sob a presidência de Aresta Branco, em homenagem ao morto ilustre, suspendeu a sessão por meia hora – como era tradicional. Já na reunião do Senado no dia seguinte, sob a presidência de Anselmo Braamcamp e secretariada por Bernardino Roque e Paes de Almeida, inovou e revolucionou. “O presidente, aludindo ao falecimento do Sr. Barão do Rio Branco, recordou que os altos serviços por aquele estadista prestados ao seu país e a circunstância de ser ele ministro quando o Brasil reconheceu a república portuguesa”, escrevia o Diário de Notícias sobre a sessão.

Continuando com a evocação: “Honrou também o Barão do Rio Branco as tradições lusitanas da origem da sua família e por tudo isso propôs que durante dez minutos, e como homenagem à sua memória, os senhores senadores, se conservassem silenciosos nos seus lugares.  Cumpriu-se, assim, o primeiro momento de silêncio que se tem notícia, uma tradição que se vem prolongando até os nossos dias.

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Jogadores do Barcelona prestam um minuto de silêncio em respeito às vítimas do terremoto no Nepal.

Depois deste dia, todas as vezes que falecia alguém passível de homenagem, o parlamento português repetia o gesto. Com o tempo, de dez minutos passou a cinco, depois a um, como atualmente. Em seguida, as casas legislativas europeias copiaram o modelo português e daí para o resto do mundo, ganhando visibilidade sobretudo nos estádios de futebol.

Outra versão conhecida é que a idéia do minuto de silêncio foi concebida pelo jornalista australiano Edward George Honey em um artigo no jornal londrino The Evening News, onde em 17 de novembro de 1919 o rei George V do Reino Unido proclamou que na 11a hora do 11o dia do 11o mês, todas as atividades deveriam ser interrompidas por 2 minutos em reverência à memória dos mortos na Primeira Guerra Mundial, ficando a data conhecida como Dia do Armistício.

Vulcano foi um planeta que alguns cientistas do século XIX acreditavam existir em algum lugar entre Mercúrio e o Sol. O matemático Urbain Jean Joseph Le Verrier propôs pela primeira vez a  existência desse planeta em 1860, depois que ele e muitos outros cientistas se viram incapazes de explicar certas peculiaridades da órbita de Mercúrio.

Cientistas como Le Verrier argumentavam que a órbita de Mercúrio devia sofrer a influência de algum corpo celeste, como um pequeno planeta ou uma lua, atuando como uma força gravitacional. La Verrier chamou o seu planeta hipotético de Vulcano, em homenagem ao deus romano do fogo.

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Logo, astrônomos amadores de toda a Europa, ansiosos para ter uma parte na “descoberta científica”, contataram Le Verrier, alegando terem visto o misterioso planeta fazendo o seu trânsito em torno do Sol. Durante anos, avistamentos do planeta Vulcano continuaram a ser relatados de todas as partes do mundo, e quando La Verrier morreu em 1877, ele ainda era considerado como tendo descoberto um novo planeta no sistema solar.

O fim do planeta Vulcano

Sem La Verrier agindo nos bastidores, a existência de Vulcano  começou a ser posta em dúvida por muitos astrônomos. A pesquisa foi abandonada em 1915, depois que a teoria da relatividade geral de Einstein ajudou a explicar de uma vez por todas por que Mercúrio orbita o Sol de uma forma tão estranha. Mas o que todas aquelas pessoas viram? Nenhuma delas tinha qualquer razão para mentir e  Le Verrier era  tido como um cientista sério. É possível que elas  tenham visto um pequeno asteroide que passava muito perto da Terra, logo abaixo da sua órbita. Asteroides como esse eram desconhecidos naquela altura da história, daí, talvez a confusão.

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Contudo, astrônomos amadores continuaram a buscar provas da existência de Vulcano, e, em 1970, houve pessoas que alegaram avistar um objeto estranho orbitando o Sol além de Mercúrio. Surpreendentemente, o maior legado da teoria de Le Verrier foi a inspiração para o nome do planeta natal do personagem Spock de Star Trek.

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