Heinrich Harrer - o professor nazista do Dalai Lama

Em abril de 1944, Heinrich Harrer escapou de um campo de prisioneiros britânico na Índia para começar uma peregrinação de 20 meses através do Himalaia. Somente em janeiro de 1946, já depois do fim  da guerra que obrigou as autoridades britânicas a detê-lo, Harrer, um montanhista austríaco e membro do Partido Nazista, entrou em Lhasa, a capital tibetana, como um mendigo faminto.

Harrer passaria sete anos no Tibete, conforme relatado mais tarde por ele em livro; num rio congelado em frente ao Palácio Potala, Harrer construiu uma pista de patinação, o que chamou a atenção do morador do palácio, o Dalai Lama, então com 12 anos. Para o monarca tibetano, Harrer construiu um cinema, cujo projetor era movido por um motor de um Jeep velho. Mais tarde, ele foi professor do Dalai Lama em matemática, geografia, ciências e história.

Harrer também era um fotógrafo ávido; ele tirou mais de 2.000 fotografias, de cujos negativos foi publicada uma seleção em 1991 no álbum Lost Lhasa. O livro é um relato incomparável e único da vida nômade, feudal e monástica dos tibetanos nas décadas de 1940 e 1950.

Mãe e filha oram no cume  do Chagpori, um santuário de peregrinação.

Contudo, o modo de vida dos tibetanos viria a ser dizimado por uma série de invasões chinesas. Ambas as facções da guerra civil chinesa, os comunistas e o Kuomintang, sustentavam a ideia de que o Tibete era parte da China. No final da guerra civil, os vitoriosos comunistas estavam prontos para incorporar o Tibete usando a força militar.

Dois meses após a tomada comunista da China, Mao Zedong ordenou a seu exército que marchasse para o Tibete. A feudal teocracia tibetana não estava preparada para a guerra e os meses de negociações frenéticas não conseguiram mudar os resultados. Em 23 de maio de 1951, os representantes tibetanos foram forçados a assinar um acordo no qual, em troca de um auto-governo nominal, o Tibete concordava em ser parte da China. Em 1959, o Dalai Lama fugiu do Tibete, porque os chineses não cumpriram o acordo de deixá-lo no governo.

Monges preparam o caminho para o Dalai Lama

Palácio Potala

A pista de patinação idealizada por Harrer

"Andar em facas" levou a amizade do alpinista com o Dalai Lama. Harrer havia encontrado vários pares de patins deixados em Lhasa por diplomatas britânicos e organizou uma pista de patinação em um aflueunte do rio Kyi. O jovem rei ansiava por ver seus súditos em ação, mas a colina Chagpori (fundo) bloqueava  sua visão,  desde o terraço do Potala. Ele enviou uma câmera de cinema ao austríaco, pedindo-lhe para filmar as tentativas de manobras dos funcionários no gelo. Na foto acima, Lobsand Samten, irmão do Dalai Lama, parece caminhar para uma queda. Wangdula, um monge e oficial, desliza ao lado dele. Um membro da missão da Índia em Lhasa oscila à direita.

A mãe e a irmã do Dalai Lama

A mãe e a irmã do Dalai Lama desafiam as convenções tibetanas ao usarem óculos ocidentais. Dekyi Tshering (à direita), era apenas a esposa de um humilde fazendeiro, mas ascendeu a uma posição impressionante no Tibete ao se tornar a "Grande Mãe", quando seu filho se tornou o Dalai Lama em 1940. Ela e sua filha usam chapéus de brocado com franjas de seda. Usar óculos era considerado um tabu, quando se estava  na presença do rei-deus.

O jovem Dalai Lama

Em reverência sublime, o Dalai Lama embala a mais sagrada relíquia de sua fé. Quando este jovem tinha dois anos, sinais misteriosos revelaram ser ele a encarnação do deus patrono do Tibete. Acima, no Mosteiro Dungkhar,  ele recebe um osso revestido de ouro que os tibetanos acreditam ser  de Sidarta Gautama,  o Buda, fundador da religião  na qual o  Lamaísmo se baseia.

Chegada do Dalai Lama em  um mosteiro

Monges e nobres se prepararam para a chegada do Dalai Lama no Mosteiro Dungkhar, em Chumbi. Cada lugar o deus-rei dormisse em sua caminhada, tornava-se imediatamente uma capela consagrada, que nunca mais poderia ser habitada por um "homem mortal".

Heinrich Harrer patina em Lhasa

Harrer e o jovem Dalai Lama

Sem dinheiro ao alcançar Lhasa, Harrer logo encontrou emprego. Ele construiu um cinema para o Dalai Lama e um dique para conter enchentes do rio Kyi. Também desenhou mapas, jardins paisagísticos e monitorou transmissões de rádio. O governo tibetano o recompensou com um cargo remunerado na sua hierarquia.

Heinrich Harrer faleceu em janeiro de 2006.

0 comments:

Post a Comment