Nefertiti foi uma das mulheres mais misteriosas e poderosas do Antigo Egito, ela reinou ao lado do faraó Aquenáton de  1353 a 1336 a.C e talvez tenha governado o Novo Império após a morte do marido. Nefertiti viveu durante um momento de enorme agitação cultural, quando Aquenáton reorientou a estrutura política e religiosa do Egito em torno da adoração do deus sol Aton. Nefertiti é  um ícone mundial da beleza e do poder feminino. Mas quem foi realmente essa mulher?

 
1 - A identidade dos pais de Nefertiti nunca foi estabelecida com certeza. A teoria mais aceita é a de que ela era a filha de um alto oficial chamado Ay, que mais tarde viria a se tornar faraó por um breve período. Acredita-se que a mãe de Nefertiti tenha morrido durante o parto e que Tey, a esposa conhecida de Ay, tenha sido na verdade a ama-seca da famosa rainha. Essa hipótese é deduzida de inscrições que mencionam Tey como “ama-seca da grande esposa real”, ou seja, Nefertiti.

2 – O nome Nefertiti significa “a mais bela chegou”, o que levou muitos estudiosos a considerarem a hipótese de que Nefertiti teria origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni, filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amenófis III, chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do faraó, num gesto de amizade daquele império para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou mais tarde um nome e os costumes do Egito.

Aquenáton e Nefertiti 
3 - Como a maioria das mulheres no Egito antigo, o curso da vida de Nefertiti seria definida por seu marido. Sendo a esposa de Amenófis - futuro faraó e, assim, a futura encarnação do deus Rá - sua posição e glória estariam asseguradas. Havia apenas um problema: o jovem Amenófis tinha uma interpretação decididamente não convencional da religião egípcia.

Amenófis IV governou o Egito por 17 anos, a partir de cerca de 1353 a 1336 a.C. Ele é mais famoso por mudar a religião do Egito do politeísmo para ao henoteísmo. O culto passou a ser centrado no deus Aton. Amenófis IV mudou seu nome para Aquenáton, o nome pelo qual é conhecido hoje. Nefertiti, adotou antes do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, que significa “perfeita é a perfeição de Aton”. Nefertiti passou a partir de então a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constituído por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas egípcias.

4 - Como a Grande Esposa Real de Aquenáton, Nefertiti tinha muitos deveres. Um deles, logicamente, era a  mesma obrigação imposta a todas rainhas consortes ao longo da história mundial: ela precisava dar herdeiros ao faraó. Quantos filhos Nefertiti teve?

Muitos registros daquela época foram perdidos, por isso não podemos ter certeza se temos um número exato dos filhos de Nefertiti com Aquenáton. Os registros que sobreviveram levam a  concluir que o casal teve pelo menos seis filhas durante um período de 11 anos:  Meritaton, Meketaton, Anchesenamon, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Pensa-se que as três primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as três últimas em Aquetáton entre o sexto e o nono ano de reinado.

Aquenáton e Nefertiti com três de suas filhas 
A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do décimo segundo ano de reinado, como mostra uma cena que representa Aquenáton e Nefertiti a chorar diante do leito de morte da filha, essa menina teria morrido afogada. Durante o reinado de Aquenáton espalhou-se por todo Egito uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como “doença mágica” que matou 3 filhas do casal, além de quase ceifar a vida de Tutancâmon.

A família real é representada em várias estelas em cenas de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em mãos com o símbolo do ankh. Trata-se de representações até então não presentes na arte egípcia.

5 - No ano 14 do reinado de Aquenáton, Nefertiti, de repente desapareceu dos registros do reino, dando origem a um dos mistérios mais fascinantes do mundo antigo.  Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objetos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a versão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável tenha sido o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.

6 - Nefertiti desapareceu da história, mas ela não pode ter desaparecido da vida no palácio. Na verdade, uma série de arqueólogos acredita que ela sobreviveu a seu marido - e sucedeu-lhe como o faraó, antes da ascensão de Tutancâmon. Essa hipótese que procura explicar o silêncio das fontes, considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Nefernefernuaton. Esta mudança estaria relacionada com a sua ascensão à posição de co-regente. Ainda segundo a mesma hipótese, quando Aquenáton faleceu, Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Semencaré e governou como faraó durante cerca de dois anos.

Nefertiti jogando Senet 
7 - Há ainda outra hipótese para o desaparecimento repentino de Nefertiti: como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o braço direito de Aquenáton, a morte da rainha teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o projeto do “Deus Único” representado por Aton. Cerca de dois anos depois, Aquenáton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti - Meritaton, foi elevada ao estatuto de “grande esposa real”. O seu reinado foi curto, pois segundo os historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas Tutancâmon, então com 9 anos, e sua outra irmã, Anchesenamon, com 11 anos.

8 - Por mais de três mil anos, Nefertiti, Aquenáton, e seus filhos foram esquecidos. Aquenáton e seus sucessores imediatos foram até mesmo apagados da lista oficial dos faraós; os templos construídos por ele foram destruídos; suas tumbas foram em muitos lugares depredadas. Por quê?

Porque o faraó Horemheb queria apagar todos os vestígios da experiência religiosa de Aquenáton. O esforço para expurgar o culto a Aton da história egípcia começou no reinado de Tutancâmon. Guiado por seus conselheiros, o rei menino levou a capital de volta para Tebas e restaurou os antigos sacerdócios. Seus sucessores, Ay (seu grão-vizir) e Horemheb (seu chefe geral) levaram as coisas a um passo adiante, destruindo alguns dos templos erguidos por Aquenáton a fim de serem usados como materiais de construção em seus próprios projetos.

Quando se tornou faraó,  Horemheb também decidiu que toda a família de Aquenáton (incluindo a de seu antecessor Ay) era herética e vergonhosa para o Egito. Ele ordenou que o nome deles fosse apagado das listas oficiais dos faraós, que, assim, mostram Amenófis III sendo sucedido  por Horemheb. Horemheb provavelmente ordenou pessoalmente a depredação do túmulo de Ay; e, possivelmente, as de outros túmulos também. Aquenáton, Nefertiti, Semencaré, Tutancâmon, Ay, e todo o restante da  família só foram redescobertos em escavações do século 19. A tentativa de Horemheb para apagar o nome de seus desafetos da história falhou. Na verdade, tornou a saga deles ainda mais fascinante.

Busto de Nefertiti 
9 - Em 06 de dezembro de 1912 uma equipe liderada pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt encontrou o agora famoso busto de Nefertiti em Amarna, no Egito. Em 1913, houve uma reunião entre Borchardt e um oficial egípcio sênior para discutir como dividir os achados arqueológicos de 1912. Diz-se que Borchardt mostrou uma fotografia do busto para o oficial egípcio “que não mostrava Nefertiti no seu melhor ângulo”, ocultando assim o seu valor real. A Sociedade Oriental Alemã nega a acusação,  contudo, tem havido vários pedidos para a devolução do busto para o Egito e a revista Time o listou  entre os “Top 10 artefatos pilhados da história”.

O busto de Nefertiti,  esculpido em 1345 a.C,  a retrata  “com um pescoço longo, sobrancelhas elegantemente  arqueadas, maçãs do rosto salientes, um nariz fino e um sorriso enigmático”. Em 1923, o busto foi exibido pela primeira vez ao público no Museu Egípcio de Berlim, na Alemanha. Ele logo se tornou uma sensação e  fez de Nefertiti um ícone de renome mundial da beleza feminina. O busto é descrito como “o trabalho mais conhecido de arte do Antigo Egito, sem dúvida, de toda a antiguidade”. Ele continua sendo uma das imagens mais copiadas do Egito Antigo e é o mais famoso busto de arte antiga.

10 - Nefertiti também foi objeto de controvérsia entre o Egito e Inglaterra, quando a arqueóloga britânica, Joann Fletcher, alegou ter encontrado a múmia da rainha em 2003. A reivindicação de Fletcher foi baseada em detalhes de uma múmia conhecida pelos egiptólogos como a “Younger Lady”, na qual ela deduziu que as descrições de Nefertiti correspondiam. A Discovery Channel exibiu a teoria de Fletcher como se a múmia da rainha houvesse sido positivamente identificada quando, na verdade, este não foi o caso. Como resultado, Fletcher foi proibida de trabalhar no Egito por causa de uma alegada violação de protocolo, que exige que todos os arqueólogos que trabalham no país, submetam primeiro o relatório das suas conclusões ao Conselho Supremo de Antiguidades, antes de liberar qualquer notícia para a imprensa internacional.

Embora esta proibição tenha posteriormente revogada, e Fletcher voltado para o Egito, a controvérsia em torno da múmia ainda está de pé. Os partidários de Fletcher sustentam que a “Younger Lady” é Nefertiti, enquanto muitos outros estudiosos afirmam o oposto. Os mesmos dados são usados por ambos os lados para sustentar as suas alegações, parecendo improvável que haja qualquer resolução até que alguma futura descoberta seja feita, elucidando o caso.

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A maioria dos arqueólogos admite que uma boa dose de sorte é crucial na procura de relíquias históricas. Na verdade, alguns dos mais valiosos tesouros arqueológicos do mundo só foram descobertos porque pessoas leigas tropeçaram em cima deles por acaso. Alguns destes achados fortuitos estavam sendo procurados por séculos, mas outros, eram totalmente desconhecidos e ajudaram na elaboração de reinterpretações radicais da história. Abaixo, leia sobre sete casos que levaram à descobertas de valor inestimável para a humanidade.


1 – As Cavernas de Lascaux

Caverna de Lascaux 
Em setembro de 1940, quatro adolescentes franceses andavam pela floresta perto de Montignac, quando o cachorro deles começou a farejar em torno de um misterioso buraco no chão. Ao descerem pelo que parecia um poço de  pedra, os meninos se depararam com uma vasta caverna subterrânea cujas paredes estavam adornadas com cerca de 2.000 pinturas antigas. Atônitos, os adolescentes inicialmente concordaram em explorar a gruta em segredo, mas depois, acharam por melhor informar a descoberta para a professora deles, que convenceu um especialista em cavernas a verificar autenticidade da história.

Em pouco tempo, a notícia da requintada coleção de desenhos de animais e símbolos abstratos da caverna de Lascaux havia se espalhado por toda a Europa, tornando o local conhecido como a “Capela Sistina da arte pré-histórica.” Os especialistas mais tarde calcularam a idade das pinturas em cerca de 15.000 a 17.000 anos, e muitos acreditam que a caverna havia sido o local de ritos religiosos e de caça entre os povos do Paleolítico Superior.

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2 – O Exército de Terracota de Xian

O Exército de Terracota de Xian 
Em 1974, um grupo de agricultores chineses fez por acaso a descoberta de uma vida para qualquer arqueólogo: o túmulo do primeiro imperador da dinastia Qin. Uma equipe de sete homens cavava um poço perto da cidade de Xian, quando uma de suas pás atingiu a cabeça de uma estátua enterrada. Os homens inicialmente pensaram que tinham descoberto um busto de bronze ou uma antiga escultura de Buda, mas, quando os arqueólogos fizeram novas escavações, eles encontraram cerca de 8.000 soldados de terracota, cavalos em tamanho natural e carros construídos no século  III a.C para proteger o Imperador Qin Shi Huang em sua vida após a morte. O túmulo e seus soldados de detalhes impressionantes - cada um tem uma face diferente dos demais – atualmente estão listados entre os tesouros arqueológicos mais importantes de toda a China.


3 – Vênus de Milo

Vênus de Milo
Antes de se tornar uma das mais apreciadas esculturas do mundo, a Vênus de Milo passou vários séculos enterrada na ilha grega de Melos. A estátua sem braços só foi encontrada em 1820, quando um camponês chamado Yorgos Kentrotas descobriu acidentalmente a metade superior dela ao tentar salvar blocos de mármore de uma pilha de ruínas antigas. A descoberta imediatamente chamou a atenção de Olivier Voutier, um oficial naval francês que fazia escavações de antiguidades nas proximidades. Depois de subornar Kentrotas para ajudá-lo, Voutier desenterrou a metade inferior, que revelou as pernas com as vestes drapeadas da Vênus. Mais tarde, ele convenceu o embaixador francês no Império Otomano a comprar a estátua.. Em 1821, a obra de arte foi oferecida ao rei Luís XVIII, que a doou ao Museu do Louvre. Os historiadores de arte, desde então, especulam que a Vênus seja uma representação da deusa grega Afrodite, mas até hoje não há certeza quanto a quem a estátua retrata.

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4 – A cidade subterrânea de Derinkuyu

Derinkuyu
A paisagem rochosa da região da Capadócia da Turquia é o lar de dezenas de cidades subterrâneas que foram esculpidas à mão nas rochas vulcânicas por seus antigos habitantes. Uma das mais elaboradas destas metrópoles subterrâneas é Derinkuyu, que contém 20 níveis e espaço suficiente para abrigar cerca de 20.000 pessoas. Por incrível que pareça, o local só foi descoberto em 1963, quando um morador derrubou uma parede ao reformar sua casa e descobriu uma passagem que conduzia a uma vasta rede de túneis e câmaras de pedra. Os especialistas ainda não tem certeza sobre quando e quem construiu Derinkuyu, mas as escavações revelaram que ela já abrigou suas próprias salas de reuniões, lojas, poços de água doce, estábulos e até pesadas portas de pedra para proteger seus moradores dos perigos.


5 – A Pedra de Roseta

Pedra de Roseta
Quando lançou a campanha para conquistar o Egito no final do século 18, Napoleão Bonaparte levou com ele um grupo especial de cientistas e historiadores encarregados de coletar relíquias e de estudar a história do país dos faraós. Este grupo que foi  batizado de  “Instituto do Egito” revelou-se particularmente útil em 1799, quando soldados liderados por Pierre-François Bouchard tropeçaram em uma grande laje de basalto enquanto derrubavam paredes antigas para fazer melhorias em um forte francês perto da cidade de Roseta. O Instituto rapidamente datou de pedra do século 2 a.C e determinou que a inscrição era um decreto antigo escrito em três línguas diferentes: grego, demótico e hieróglifos do Egito Antigo. Liderados por Jean-François Champollion e Thomas Young, vários especialistas em linguagem passariam os próximos 20 anos usando as passagens gregas para decifrar o código dos hieróglifos egípcios antigos, que estavam perdidos para a história por milênios. Uma vez decifrados, os glifos deram aos acadêmicos as ferramentas necessárias para iniciarem estudos aprofundados da antiga língua e literatura egípcia.

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6 – Os Manuscritos do Mar Morto

Rolos do Mar Morto
Os Rolos do Mar Morto contém alguns dos manuscritos mais antigos da Bíblia, mas talvez, eles  nunca teriam sido encontrados se não fosse por um grupo de adolescentes árabes. Em 1947, um grupo de jovens pastores cuidava de seus rebanhos perto da antiga cidade de Jericó. Quando estava à procura de uma cabra perdida, um dos rapazes jogou uma pedra em uma caverna nas proximidades e ficou intrigado ao ouvir o que soava como uma panela de barro quebrando-se. Ao entrar na caverna para investigar, o jovem pastor encontrou vários jarros contendo uma coleção de antigos rolos de papiro.

Fragmentos minúsculos dos pergaminhos, mais tarde, foram vendidos por milhões, mas os beduínos não tinham conhecimento do valor do tesouro que encontraram e venderam o lote inteiro a um negociante de antiguidades de Belém por menos de 50 dólares.  Os estudiosos posteriormente confirmaram a importância dos textos, provocando um frenesi de caça à relíquias que levou à recuperação de vários milhares de outros pedaços de papiro em cavernas próximas. Tomados em conjunto, estes manuscritos estão listados entre as descobertas arqueológicas mais importantes do século 20.

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7 – O sítio arqueológico subaquático de Uluburun

Uluburun
Em 1982, Mehmet Çakir mergulhava à caça de esponjas, no mar Mediterrâneo ao largo da costa de Uluburun na Turquia,  quando se viu frente a frente com as ruínas de um navio de 50 metros de comprimento. A embarcação  naufragada estava no fundo do mar por tanto tempo que grande parte do seu casco de cedro já havia desaparecido, mas Çakir avistou vários jarros de cerâmica, bem como centenas de lingotes de vidro, cobre e estanho.

Arqueólogos subaquáticos passaram 10 anos estudando os destroços de Uluburun. Ao longo de mais de 20.000 mergulhos, eles recuperaram um tesouro de relíquias da Idade do Bronze que variam de presas de elefante e dentes de hipopótamo à jóias,  entre elas, um escaravelho no qual está inscrito o nome da rainha egípcia Nefertiti.

A datação de um pedaço do casco confirmou que o navio tinha cerca de 3.300 anos de idade, um dos naufrágios mais antigos já descobertos, contudo os historiadores ainda estão incertos das  origens do barco. A origem da carga de cobre foi traçada até a ilha de Chipre, mas os arqueólogos também encontraram artefatos micênicos, assírios, cananeus e  egípcios, levando muitos a concluir que a embarcação era um navio mercante tripulado por uma equipe internacional de marinheiros.

Ao ser composto, o Hino da Independência do Brasil não tinha este nome. Nem sua música era a mesma que hoje é cantada nas comemorações da semana da pátria. O hino que homenageia nossa separação de Portugal tem uma história interessante, que vale a pena ser conhecida.

Quem o compôs foi o fluminense Evaristo Ferreira da Veiga e Barros, que era livreiro, jornalista, político e poeta. Com a fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, Evaristo da Veiga tornou-se o patrono da cadeira de número 10.

A maior parte da composição que se inicia com os versos “Já podeis da pátria filhos” é anterior ao grito do Ipiranga e data de agosto de 1822. Favorável à independência, Evaristo da Veiga escreveu o poema que intitulou “Hino Constitucional Brasiliense” e o fez publicar.

O poema agradou o público da Corte, o Rio de Janeiro, e foi musicado pelo então famoso maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal, que havia sido professor de música do jovem príncipe Dom Pedro - Imperador Pedro I, após a proclamação da Independência.

Brava gente brasileira! 
Sendo um amante das artes musicais, Dom Pedro, em 1824, afeiçoou-se pelos versos de Evaristo da Veiga e resolveu compor ele mesmo uma música para o poema, criando assim aquele que se tornaria o Hino da Independência. Não se sabe ao certo a data em que foi composta, mas a melodia de dom Pedro passou a substituir a de Marcos Portugal, oficialmente, em 1824.

A participação do imperador foi tão valorizada que, durante quase uma década, não só a autoria da música, mas também a da letra lhe foi atribuída. Evaristo da Veiga precisou reivindicar os seus direitos, comprovando ser o autor dos versos em 1833. Seus originais se encontram hoje na seção de manuscritos da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Com a abdicação de Dom Pedro I, a Regência, o Segundo Reinado e - principalmente - a proclamação da República, o Hino da Independência foi sendo gradativamente deixado de lado. Somente em 1922, quando do centenário da Independência, ele voltou a ser executado. No entanto, na ocasião, a música de Dom Pedro foi posta de lado, sendo substituída pela melodia do maestro Portugal.

Foi durante a Era Vargas, que Gustavo Capanema, então ministro da Educação e da Saúde, nomeou uma comissão para estabelecer definitivamente os hinos brasileiros de acordo com seus originais. Essa comissão, integrada entre outros pelo maestro Heitor Villa-Lobos, houve por bem restabelecer como melodia oficial aquela composta por Dom Pedro I.

Fotografias tiradas no momento exato, quando não são planejadas, quando o fotógrafo é um mero coadjuvante do evento, talvez sejam as testemunhas mais imparciais da história. Elas eternizam   instantes de ódio, desespero, esperança, heroísmo, e por vezes, ironia e humor.


1 – Decolagem interrompida

Decolagem intemrrompida
Um avião Vought F4U Corsair cai no convés de um porta-aviões quando a engrenagem que o prendia falhou no momento da decolagem. A fotografia foi tirada em algum lugar do Pacífico,  durante durante a Segunda Guerra Mundial.


2 – Um corpo que cai

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Keith Sapsford tinha apenas 14 anos e uma vontade louca de conhecer mundo. Vivia em um reformatório nos arredores de Sydney e em 23 de fevereiro de 1970 decidiu escapar rumo à aventura. Caminhou até o aeroporto e se escondeu no trem de pouso de um DC-8 da Japan Air-lines onde permaneceu várias horas esperando o embarque dos que sim tinham um futuro planejado. Durante a decolagem - a 100 metros de altura - o movimento de retração das rodas provocou a queda de Keith. John Gilpin, um fotógrafo captou involuntariamente o dramático momento durante uma de suas sessões habituais de spotting. Não se deu conta até que revelou os negativos. A imagem lhe acompanharia pelo resto da vida.


3 – O vinho da ira

World Press Photo 2010

 
“As ruas estavam quase vazias. Detive-me a fotografar alguns colonos durante a festa judia de Purim. Estavam compartilhando uma garrafa de vinho e brindando pelo dia de festa, nada fora do comum. Dei-me conta de que uma mulher palestina cruzava pelas lojas fechadas do outro lado. Um grupo de colonos caminhavam pelo meio da rua na direção oposta quando um deles deu um passo em direção a ela. Eu instintivamente levantei a câmera.

Ela não gritou nem se deteve, correu até desaparecer depois da esquina. Fiquei enojada e entristecida, como se o vinho tivesse me golpeado.” - Rina Castelnuovo, fotógrafa do New York Times, autora da fotografia.


4 – Pulando para o Ocidente

Muro de Berlim 
Berlim. 15 de agosto de 1961. Um guarda da Alemanha Oriental vigia a recém construída cerca, o embrião do extinto Muro de Berlim que irá separar as duas Alemanhas por 28 anos. Ao fundo, cidadãos conversam alheios aos pensamentos que inquietam o soldado. Da parte ocidental, o fotógrafo Peter Leibing está documentando a construção do muro e captura o momento de "tranquilidade tensa", sugerida pela pose do policial, quando de repente, o soldado resolve saltar para o lado ocidental, o momento, é claro, foi eternizado pelas lentes de Leibing.


5 – Ajuda-me doutor!

Feto 
Dezembro de 1999. O Dr. Joseph Brunner se prepara para fazer uma operação  no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville. Um feto de apenas 21 semanas, com diagnóstico de espinha bífida,  aguarda, no ventre da mãe, pela ação hábil do cirurgião. Na sala de cirurgia, o fotógrafo Michael Clancy cobre uma reportagem sobre crianças com essa enfermidade para o jornal US Today. Ele tira algumas fotos triviais da equipe médica e da operação. Momentos depois de abrir o útero da mãe, o médico permite que Michael se aproxime para registrar um detalhe... a fotografia acima!



6 – London calling

 Paul Simonon bass smash

21 de setembro de 1979. Uma noite inesquecível no Palladium. Os reis do punk inglês atravessam o oceano com sua música transgressora. Nova York se entrega, sem vacilar, ao sucesso dos invasores. A fotógrafa Pennie Smith, que cobria a turnê da banda, se encosta em um dos lados do palco estreito. De repente, o baixista golpeia o chão com seu Fender Precision. O primeiro golpe pega Pennie de surpresa, mas no segundo, ela tira a fotografia mais famosa do Rock.


7 – 500 milhas até o chão

 Snake pit indy 500 
1960. 500 milhas de Indianápolis. O fotógrafo J. Parke Randall estava preparado para cobrir a saída da famosa corrida no curva nordeste quando escutou gritos atrás dele. Ao virar-se -sem separar o olho de sua câmera- teve tempo de fotografar como um andaime mal montado de 30 metros -cujo ingresso custava dez dólares a mais por possibilitar melhor perspectiva da corrida-, desabou por sobrecarga. Dois mortos e 82 feridos que obrigaram a mudar as medidas de segurança do circuito para sempre.


8 – O avião que cai

Avião que cai

Há fotos que permanecem esquecidas em uma gaveta durante temporadas por parecerem inverossímeis. O Daily Mirror censurou esta por considerá-la como sendo manipulada, para logo depois publicá-la e fazendo com que sua história desse a volta ao mundo.

Mick Sutterby era o motorista do trator e responsável pela manutenção dos jardins do aeródromo de Hatfield, Hertfordshire, Reino Unido. Em 13 de setembro de 1962, durante um vôo de testes do English Electric Lightning F1, o piloto George Aird teve que efetuar uma manobra de emergência depois do sobre-aquecimento e posterior incêndio de seu motor. Ante a falta de resposta de sua aeronave decidiu ejetar seu assento para se salvar. Ao mesmo tempo Mick conduzia seu trator para um fotógrafo -que era amigo do piloto- para mostrar o perigo que corria ao invadir um açude no campo. O resto da história é contada pela espetacular fotografia.


9 – Katana assassina

Katana assassina
O Primeiro-ministro japonês Inejiro Asanuma é assassinado em frente às  câmeras por Otoya Yamaguchi.


10 – Para uma terra que mana leite e mel...

Leite e abrigo  

Uma mulher de etnia albanesa alimenta seu bebê, enquanto ela e outros 2.000 refugiados, deslocados pela guerra no Kosovo, estão autorizados a entrar Macedônia na região montanhosa perto da passagem de fronteira de Blace, em março de 1999. Mais de 2.000 refugiados do Kosovo entraram na Macedônia após cruzar as montanhas no sul do Kosovo durante a noite. Os refugiados foram bloqueados pelo exército macedônio por várias horas e passaram a noite na floresta, mas mais tarde foram autorizados a entrar após funcionários do ACNUR pressionarem o governo da Macedônia.

Em se tratando de alemão, um idioma famoso por sua precisão linguística, muitas vezes há pouco espaço para interpretação. No entanto, algumas vezes até o mais rigoroso dos idiomas se desvia de suas raízes literais.


1 – Ter um porco

 "Schwein gehabt!"
Se você ganhou na loteria, passou numa prova para a qual não estudou ou se livrou de fazer algo que não queria, sorte sua! “Schwein gehabt!” “Você teve um porco!” Os porcos, aliás, aparecem com frequência no linguajar cotidiano. Não há ninguém por perto? “Kein Schwein” (nenhum porco) esteve aqui. Sentiu pena de alguém? Ele é um “armes Schwein” (pobre porco).


2 – Nem todas as canecas no armário

Se alguém não tem “alle Tassen im Schrank”, então essa pessoa é meio louca. Um equivalente em português seria algo como “fora da casinha”.


3 – Eu só entendo estação de trem

A frase em alemão “Ich verstehe nur Bahnhof” não significa que quem a pronuncia entende a língua das estações de trem. A expressão é semelhante ao “isso é grego para mim”.


4 – A vida não é uma fazenda de pôneis

"das Leben ist kein Ponyhof"
Quando as coisas ficam difíceis, um alemão pode lhe falar que “das Leben ist kein Ponyhof”. Em outras palavras, a vida não é um mar de rosas.

8 – Estou de nariz cheio

"Ich habe die Nase voll" poderia facilmente ser interpretado como um pedido por um lenço. Em alemão, porém, significa que a pessoa está de saco cheio de algo.



6 – Boa noite de celebração

Caso seus colegas de trabalho falarem para você “schönen Feierabend” depois de um dia no escritório, eles estão lhe desejando um bom descanso depois do expediente e não uma noite de festas. A expressão pode ser usada o dia todo. Mesmo se seu turno terminar ao meio-dia, o resto do dia já vale como “noite de celebração”.


7 – Isso é salsicha para mim

Agora que você saiu do trabalho, talvez você esteja aberto a sugestões de como passar o resto do dia. Se tanto faz o que você vai fazer, diga a seus amigos “es ist mir Wurst” e eles saberão que você não está falando de salsicha, mas que, para você, tanto faz.


8 – Lúpulo e malte foram perdidos

"Hopfen und Malz ist verloren"
O que seria de uma lista de expressões em alemão sem uma referência à cerveja? Se numa situação “Hopfen und Malz ist verloren”, então é melhor desistir porque se trata de uma causa perdida. A expressão, é claro, tem sua origem na produção da cerveja. Se algo der errado durante o processo, então o malte e o lúpulo foram desperdiçados e uma boa cerveja não é mais possível.



9 – Pressionando meus polegares

Quando seus amigos estiverem lhe desejando boa sorte, dirão “ich drücke dir die Daumen”. E talvez até levantem as mãos para fazer o gesto. Eles querem dizer que torcem por você.


10 – A mentira tem pernas curtas

Essa não precisa explicar. Assim como no português, “Lügen haben kurze Beine” significa que uma mentira não dura para sempre. Fonte.