Anjos ou deuses é um poema de Ricardo Reis, um dos quatro heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, tendo sido imaginado de relance pelo poeta em 1913 quando lhe veio à ideia escrever poemas de índole pagã.

Anjos ou Deuses 

Anjos ou deuses


Anjos ou deuses, sempre nós tivemos
A visão perturbada de que acima
De nós e compelindo-nos
Agem outras presenças.

Como acima dos gados que há nos campos
O nosso esforço, que eles não compreendem.
Os coage e obriga
E eles não nos percebem,

Nossa vontade e o nosso pensamento
São as mãos pelas quais outros nos guiam
Para onde eles querem
E nós não desejamos.

Ricardo Reis, 16-10-1914

Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa, 1946, Ática, Lisboa (imp. 1994)

Ricardo Reis, segundo Fernando Pessoa, nasceu no Porto, estudou num colégio de jesuítas, formou-se em medicina e, por ser monárquico, expatriou-se espontaneamente desde 1919,  vivendo a partir de então no Brasil. Era latinista por formação clássica e semi-helenista por autodidatismo. Na sua biografia não consta a sua morte, no entanto José Saramago faz uma intervenção sobre o assunto em seu livro: O Ano da Morte de Ricardo Reis, situando a morte de Reis em 1936.

Canção do Exílio de Gonçalves Dias  é um dos mais conhecidos poemas no Brasil. Foi escrita em julho de 1843, em Coimbra, Portugal. O poema, por conta de sua  de sua alusão à pátria distante, tema tão próximo do ideário do Romantismo, tornou-se emblemático na cultura brasileira. Tal caráter é percebido por sua frequente aparição nas antologias escolares, bem como pelas inúmeras citações do texto presentes na obra dos mais diversos autores brasileiros.


Canção do Exílio 

Cancão do Exílio


 "Kennst du das Land, wo die Zitronen blühen,
Im dunkeln die Gold-Orangen glühen,
Kennst du es wohl? — Dahin, dahin!
Möcht ich... ziehn."

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


A Canção do Exílio teria sido inspiirda na obra Canção de Mignon, pertencente ao livro: Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, de Johann Wolfgang von Goethe, da qual Gonçalves Dias usa alguns versos como epígrafe, embora a maioria das antologias escolares não apresente os versos em alemão.


Tradução da epígrafe:

"Conheces o país onde florescem as laranjeiras?
Ardem na escura fronde os frutos de ouro...
Conhecê-lo? Para lá, para lá quisera eu ir!"

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A história do envolvimento do Brasil na Primeira Guerra Mundial é  desconhecido da maioria de nós, filhos dessa mãe gentil.  Poucos brasileiros sabem, por exemplo, que, muito antes de o nosso país enviar equipes médicas, embarcações e alguns oficiais, já na reta final do conflito, dois príncipes brasileiros atuaram na guerra e até morreram em consequência disso. Filhos da Princesa Isabel com o francês Conde D’Eu, os nobres D. Luís Maria e D. Antônio Gastão, netos do Imperador D. Pedro II, lutaram a serviço do Império Britânico.

Princesa Isabel no Exílio
Mas o caminho até servir na guerra não foi nada simples para os dois. A família viveu no Brasil até a Proclamação da República, em 1889, quando foi para o exílio na França. Antônio tinha, então, 8 anos, enquanto Luís tinha 11. Durante viagens para outros países, Luís e Antônio não eram reconhecidos como membros da nobreza brasileira ou portuguesa, mas, sim, francesa. Porém, quando completaram a idade do alistamento militar, o exército da França se negou a recebê-los.

A França já era uma república, enquanto eles eram brasileiros e faziam parte de uma família monárquica. Saber disto nos ajuda a entender essa negativa do exército francês. A França era a pátria que D. Luís e D. Antônio queriam defender. Mas eles não conseguiram, pelo menos, diretamente.

A solução foi alistar-se no Império Austro-Húngaro, então governado pelo tio deles, o imperador Francisco José I. Os dois príncipes cumpriram suas carreiras militares nas fileiras austríacas sem imaginarem que os dois países, a França com a qual se identificavam e a pátria que passaram a defender, entrariam em choque na maior guerra conhecida pelo mundo até então.

Com as constantes insatisfações e disputas entre as nações, o clima bélico já se tornava uma preocupação dos príncipes. Sem vislumbre de assumir um lugar de prestígio em alguma nobreza europeia, o Conde D´Eu, que ao se casar com a Princesa Isabel abriu mão da hereditariedade do trono francês, aconselhava seus filhos a seguir a carreira militar.

Anos antes do início do conflito mundial, ao se casar com Maria Pia Bourbon Napoles, D. Luís pediu desligamento do exército para passar a conviver com a família. Já D. Antônio, ao perceber que a guerra era inevitável, saiu das fileiras austríacas pouco antes do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, estopim do grande conflito.

Quando a Primeira Guerra Mundial já tinha iniciado seu curso, os príncipes resolveram se colocar à disposição do exército francês, inimigo dos austro-húngaros, mas viram as portas fechadas outra vez. Só que mesmo assim os irmãos não abandonaram a ideia de lutar junto aos Aliados. Desta vez, o exército francês não os aceita exatamente por terem servido ao inimigo. Como eles iriam mudar de lado? Os príncipes acabam sendo aceitos pelas forças britânicas devido a um outro parentesco com a família real de lá.

Oriundos da família real brasileira, considerados franceses, treinados pelos austríacos e servindo aos britânicos. É com esta trajetória que D. Luís e D. Antônio, entram na Primeira Guerra Mundial.

Familia Imperial em 1887 
— Os príncipes eram pessoas notáveis. O exército britânico avaliou que seria bom tê-los em suas fileiras — diz o embaixador Vasco Mariz, autor do livro “Nos caminhos da história”.

O desembarque de D. Luís no conflito se deu em 23 de agosto de 1914 e teve duração de quase um ano. Como encarregado das comunicações entre os regimentos, ele atuou nos pântanos do Yser, no Norte da França, onde contraiu um tipo de reumatismo que o teria paralisado, como conta sua filha Maria Pia em seu livro de memórias.

De volta à França, passou a se locomover em uma cadeira de rodas e ficou conhecido como um entusiasta do Brasil por sempre contar a história do país e ensinar português para seus filhos e conhecidos.

— D. Luís teve um papel político importante para o Brasil. Era um entusiasta que enaltecia a imagem do país no exterior — afirma  Vasco Mariz.

A doença que o príncipe contraiu na guerra o acompanharia e seria o motivo de sua morte, em 1920.

Já D. Antônio tinha 33 anos quando entrou na guerra que influenciaria amplamente a geopolítica mundial dali em diante. Ele se tornou capitão do regimento Royal Canadian Dragoon, junto com os canadenses que foram defender a bandeira britânica. Alguns autores afirmam que D. Antônio participou de batalhas aéreas, extremamente novas naquele período. O que se sabe é que o príncipe era hábil e que muitos o consideravam bastante corajoso.

Com a guerra já terminada, o príncipe sofreu um acidente de avião nos arredores de Londres. Ele ainda foi levado vivo para um hospital próximo, mas morreu em decorrência dos graves ferimentos sofridos, no dia 29 de novembro de 1918.

Mesmo sem ter sido aceito pelas forças francesas, D. Luís recebeu condecorações póstumas por sua participação na Primeira Guerra com os Aliados. O governo francês homenageou o príncipe como cavaleiro da Legião de Honra e lhe outorgou a Cruz de Guerra, o que demonstra reconhecimento ao príncipe brasileiro morto.

Já seu irmão recebeu, em 1917, um título de destaque do exército britânico. Devido a sua participação, considerada de alto nível nos relatos de superiores, D. Antônio mereceu a Military Cross e foi incorporado às forças armadas britânicas oficialmente.  Fonte.

Desde que o rei moabita Eglom foi esfaqueado até a morte, sentado no próprio trono em 1200 a.C (Juízes 3: 12-30) - e provavelmente muito antes disso -  líderes políticos tem sido assassinados por várias razões. Quase sempre, eles foram mortos por serem considerados uma ameaça para outros interessados no poder, ou por causa de alguma posição política controversa que tomaram; mas às vezes, a razão pode ser tão trivial quanto a busca por vingança ou o desejo do assassino de ser famoso.

Em qualquer caso, geralmente estes assassinatos são apenas simples notas de rodapé na história, mas, ocasionalmente, alguns deles causaram um impacto profundo sobre não apenas uma nação, mas sobre os rumos da história em si. Então, quem foram essas pessoas cujas mortes tiveram imensa repercussão na formação do mundo?


1 – O assassinato do Arquiduque  Francisco Fernando da Áustria

Francisco Fernando 
Por que a morte de um nobre, um tanto quanto desconhecido, é considerada por muitos como o assassinato mais influente da história? A razão é simples: o atentado ao arquiduque Francisco Fernando e à sua esposa, ocorrido enquanto eles desfilavam em carro aberto pelas ruas de Sarajevo, capital da moderna Bósnia-Herzegovina, mas que na época era uma cidade da Sérvia, teve repercussões imediatas e profundas.

O problema era que, Gavrilo Princip, o assassino, fazia parte de um grupo que tinha ligações com os militares sérvios; então, o Império Austro-Húngaro acusou o governo sérvio de ser cúmplice no assassinato e colocou em movimento as engrenagens da guerra, o que, por sua vez, iniciou uma cadeia de eventos que, dentro de poucas semanas, não só colocaria as duas nações frente a frente no campo de batalha, mas que  arrastaria todo o continente europeu para a carnificina.

O resultado? A Primeira Guerra Mundial, indiscutivelmente um dos mais sangrentos e mais fúteis conflitos da história. Com certeza,  pessoas muito mais conhecidas e bem mais poderosas foram assassinadas ao longo dos séculos, mas nenhuma dessas mortes teve  consequências tão funestas quanto o assassinato de Francisco Fernando, em Saravejo.

Contudo, é importante ressaltar: o  evento desencadeou o curso dos acontecimentos que diretamente levaram à eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas não a causou. A Áustria-Hungria já estava determinada a eliminar a “ameaça sérvia” antes do assassinato de seu herdeiro presuntivo e só precisava de uma desculpa para declarar guerra ao seu vizinho dos Balcãs.


2 – O assassinato do czar Alexandre II

Assassinato de Alexandre II
Talvez você pouco saiba sobre a vida do czar Alexandre II, porém, a morte dele nas mãos de anarquistas,  ocorrida em março de 1881,  mudou o curso da história russa, e mudou para bem pior.

Alexandre II  tinha algo de um monarca iluminado e reformador, e estava prestes a  criar um parlamento na Rússia, no momento da sua morte, o que provavelmente teria levado a democratização dos país, transformando-o em uma monarquia constitucionalista, tal como foi visto na Inglaterra e em outros países europeus.

Em vez disso, os sucessores de Alexandre II decidiram tomar medidas pesadas, que resultaram em mais de trinta anos de liderança opressora e corrupta e semearam as sementes para a Revolução de 1917, que introduziu o comunismo no mundo, cujos efeitos  sentimos até hoje.

Outra consequência do assassinato foi o início dos pogroms e da legislação antijudaica.

Com o assassinato, veio  também a supressão das liberdades civis na Rússia e o regresso da violenta repressão policial. O assassinato do czar foi testemunhado em primeira mão pelo seu filho, Alexandre III e pelo seu neto, Nicolau II, que viriam a governar a Rússia e prometeram que não teriam o mesmo destino.


3 – Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi
A humanidade perdeu a voz da não violência em uma sociedade cada vez mais violenta, quando Gandhi foi morto a tiros nas ruas de Nova Déli por um ativista e estudante universitário, um  golpe duro não só para a Índia, mas para o mundo inteiro.

As políticas de Gandhi de compaixão para com os pobres e da resistência não violenta, serviram como um modelo real  de mudança por meios pacíficos, ao mesmo tempo em que sua capacidade de influenciar tanto hindus como  muçulmanos,  fez da paz um sonho  possível, em uma Índia devastada pela guerra.

Entretanto, a vitória da paz foi esmagada quando  no dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi julgado, condenado e enforcado, a desrespeito do último pedido de Gandhi que foi justamente a não punição do seu assassino.

A única coisa “positiva” que se pode dizer, se é que isso seja possível, é que foi uma “sorte” o agressor ser um adepto do hinduísmo; caso Gandhi tivesse sido morto a tiros por um muçulmano, o subcontinente teria se tornado um campo de batalha religiosa de proporções apocalípticas.


4 – Reinhard Heydrich

Reinhard Heydrich
Somente os que estudam a história da Segunda Guerra Mundial com afinco, sabem quem era Reinhard Heydrich, mas, apesar dessa obscuridade, ele era o único homem que poderia ter vencido a guerra para a Alemanha, se não tivesse sido morto por rebeldes tchecos nas ruas de Praga, em 1942.

Tão cruel e bem mais  inteligente do que o  seu protegido, Adolf Hitler; Heydrich estava sendo preparado para ser o sucessor do Füher, quando esse morresse; se tivesse sobrevivido, talvez Heydrich  encontrasse os meios para derrubar um Hitler cada vez mais frágil e delirante, tomando assim as rédeas do Terceiro Reich, o que, segundo os historiadores, teria tido implicações profundas para os aliados.

Certamente, sob a liderança de Heydrich, os muitos erros cometidos por Hitler nos últimos anos da guerra, que somados, selaram o destino da Alemanha, teriam sido evitados; mas isso é assunto de conversa para os aficionados em história alternativa.

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5 – Júlio César

O assassinato de Júlio César nas mãos de seus próprios senadores,  colocou o Império Romano em uma jornada de séculos de tumulto e de traição.

O destino de  Roma, caso  Júlio César tivesse ficado no poder, logicamente é desconhecido, mas é bem provável que as transições de poder no futuro tivessem sido muito menos confusas, e, certamente, não haveria a guerra civil resultante da morte do grande general, que quase dividiu o império em duas partes.

Sem a morte de César, o encontro de Cleópatra e Marco Antônio nunca teria acontecido, bem como uma série de eventos que fizeram e fazem do Império Romano, um objeto de estudo e  de fascínio para historiadores de todas as épocas.

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