O misterioso incidente do Passo Dyatlov

"Se eu tivesse a chance de fazer a Deus apenas uma pergunta, seria esta: 'O que realmente aconteceu com meus amigos naquela noite?'" Yury Yudin, sobrevivente da expedição.

Você talvez pense que os filmes de terror são assustadores, mas às vezes, a realidade é mais estranha do que a ficção. Em 1959, dez normais e saudáveis esquiadores cross-country partiram em uma viagem de acampamento aos Montes Urais, na Rússia. Nove nunca mais voltaram. Quando seus corpos foram encontrados, muitos mistérios sinistros pairavam no ar. Três deles sofreram lesões por esmagamento que continuam sem explicação. A língua de uma das vítimas nunca foi encontrada.


Segundo relatos, os níveis de radiação das roupas das vítimas também estavam anormalmente altos. Por quê? Ninguém sabe. E o que levou os esquiadores a cortar sua barraca por dentro para fugir, praticamente nus, através da neve profunda, em temperaturas tão baixas quanto –30 graus Celsius? Para aumentar o mistério: por que o governo russo selou todos os arquivos relacionados com o incidente? Junte-se a nós nessa jornada de volta no tempo, para seguir o caminho percorrido pelos que morreram no Passo Dyatlov.

Os esquiadores iniciaram a expedição em 27 de janeiro de 1959. Um dos membros da equipe, Yuri Yudin, teve que voltar porque adoeceu antes de chegar ao acampamento da primeira noite. Ele foi o único a sobreviver. O restante dos aventureiros seguiu em direção a um pico chamado Kholat Syakhl, que significa "Montanha dos Mortos", na língua dos povos nativos mansi.

Até neste ponto, tudo parecia bem. Os esquiadores tiraram fotos um do outro sorrindo e se abraçando. Eles pareciam se divertir. No entanto, sobreveio o mau tempo, e com ele uma guinada para o mortal e estranho incidente.
 
Pegos pela tempestade de neve, os esquiadores saíram do curso e decidiram montar acampamento nas encostas da montanha Kholat Syakhl, às cinco horas do dia 2 de fevereiro, a julgar pelas  fotografias e entradas no diário da expedição. Sem muito o que fazer, todos foram dormir. Então, algo terrível aconteceu, algo cuja natureza podemos apenas cogitar. Entre os que estudam o caso, há os que sugerem que tenha sido uma avalanche, mas a maioria não aceita essa explicação. Só uma coisa se sabe ao certo. O que aconteceu foi  grave o suficiente para forçar os esquiadores a saltar no meio da noite e fugir da barraca, cortando-a pelo interior. Alguns nem sequer se preocuparam em colocar roupas ou botas, quase todos saíram para a neve com os pés descalços ou usando apenas meias.

O retorno da expedição havia sido programado para o dia 12 de fevereiro, contudo, as buscas só foram iniciadas em 20 de fevereiro, depois que os parentes preocupados alertaram as autoridades. Levou seis dias para a primeira equipe de busca encontrar o acampamento, que foi descoberto abandonado e com a maioria dos pertences dos esquiadores deixados para trás. Os investigadores encontraram  pegadas de oito ou nove pessoas que levavam para longe do acampamento, para baixo da encosta da montanha, na direção de uma floresta próxima. Perto da borda da floresta foram encontrados os restos de uma fogueira, feita com madeira verde, e os dois primeiros corpos, vestidos com apenas roupas íntimas. Parecia que as vítimas tinham tentado subir em uma árvore, talvez como forma de se proteger do frio.

Outros três corpos foram encontrados no campo aberto entre a floresta e o acampamento da expedição, indicando que os três morreram tentando retornar para a tenda. Naturalmente, as perguntas  permanecem: o que os forçou a deixar o  acampamento sem roupa em primeiro lugar? Que tipo de terror os fez sair correndo descalços no frio mortal? Além disso, o que os deixou com tanto medo que os impediu de retornar para a tenda, antes que fosse tarde demais?

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A barraca ao ser encontrada pelas equipes de busca em 26 de fevereiro de 1959

Segundo os legistas, as cinco das primeiras vítimas encontradas  morreram de hipotermia, embora uma delas também apresentasse uma fratura não fatal no crânio.

Os corpos dos outros quatro esquiadores só foram encontrados dois meses mais tarde, em um barranco sob quatro metros de neve. Eles usavam roupas uns dos outros; isso pode ser devido aos efeitos da hipotermia, que pode incitar, por mais paradoxal que pareça, a vontade de se despir, mas ninguém sabe ao certo o que aconteceu.

Todos os quatro não tinham ferimentos externos; mas aqui é onde o mistério aumenta. Um deles tinha o crânio esmagado, os outros, as  costelas quebradas, e, como algo saído de um filme de terror:  na mulher faltava a língua. Não parece haver nenhuma explicação plausível para este último fato. Se um animal selvagem houvesse arrancado a língua da esquiadora, certamente haveria algum trauma externo. Se ela mesmo tivesse mordido e arrancado o membro, existiriam evidências disto também. Foram os efeitos de bactérias? Ou algo diferente? Só Deus sabe.

 
A princípio, quando as investigações começaram,  alguns levantaram a hipótese dos nativos mansi terem assassinado os membros da equipe que não  morreram de hipotermia. No entanto, a teoria foi vetada pelo médico legista, que afirmou não ser possível a nenhum ser humano causar aqueles ferimentos, porque eles resultaram de golpes muito mais poderosos, semelhantes aos que são causados por um acidente de carro. Caíram eles no barranco e, em seguida, foram esmagados pelo peso da neve que desabava? Possivelmente, mas existe outro enigma.

Para aumentar ainda mais a atmosfera de mistério, houve relatos de esferas laranjas brilhantes, vistas sobre a montanha na noite em que os esquiadores fugiram descendo a encosta. Lev Ivanov, chefe das investigações em 1959, foi notificado pelos superiores para classificar o caso como secreto e encerrar os trabalhos de investigação. "Eu suspeitei no momento e estou quase certo agora que essas esferas voadoras brilhantes tiveram conexão direta com a morte do grupo" – são palavras creditadas a Ivanov.

Yuri Yudin, o membro da equipe que sobreviveu, afirmou ter sido convidado a identificar todos os objetos encontrados e conectá-los às vítimas. No entanto, houve alguns, como um par de óculos e um pedaço de pano que, juntamente com o documento que tinha visto, levaram Yudin a suspeitar de que os militares chegaram ao local antes de qualquer equipe de resgate.

Posteriormente, investigadores independentes encontraram um "cemitério" de sucata de metal na área, aumentando a possibilidade de envolvimento militar nas mortes; talvez devido a experiências de natureza desconhecida. Uma peça de metal encontrado no local do incidente  é mostrado na fotografia abaixo.

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O caso  continua a se tornar cada vez mais estranho. As roupas das vítimas continham altos níveis de radiação, para os quais não há uma explicação óbvia. Isso estaria relacionado com as esferas laranja vistas voando naquela noite? Ninguém sabe, a não ser, talvez, as pessoas que viram todos os arquivos - alguns dos quais continuam desaparecidos, embora as evidências do caso tenham sido liberadas ao público no início de 1990.

Em 2008, seis dos membros da equipe de busca original e 31 investigadores independentes reuniram-se para reexaminar o caso. Eles chegaram à conclusão de que os militares, de alguma forma, causaram acidentalmente as mortes durante a realização de testes na área do incidente. Mas que tipo de testes? E exatamente como as vítimas que não pereceram no frio morreram?


Até que todos os arquivos ausentes sejam encontrados, não haverá respostas adequadas - e talvez nunca saibamos a verdade. As teorias são muitas, mas o que sabemos com certeza é que nove pessoas morreram no Passo Dyatlov - umas com ferimentos internos horríveis, outras seminuas. A tenda que as abrigava foi cortada a partir do interior, porque algo aterrorizante as fez fugir sem pensar em mais nada. E depois há os relatórios da radiação e dos objetos voadores não identificados. A causa oficial das mortes? Uma "incontrolável força desconhecida".

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