5 personagens históricos que foram julgados depois de morrerem

Ao longo da história do direito, fora os casos comuns aos tribunais, também houve julgamentos de animais, de convicções, de pessoas inocentes, e, acreditem ou não, de pessoas mortas. Nesse artigo, falaremos sobre cinco  julgamentos cujos réus já estavam mortos. É a velha máxima de que a “justiça tarda, mas não falha”, sendo cumprida (ou descumprida ) ao pé da letra!


1 – John  Wycliffe

O Julgamento de Wycliffe
John Wycliffe foi um reformador religioso que se opunha ao poder papal em assuntos seculares e que defendia a pobreza do clero. Ele também organizou uma tradução da Bíblia Vulgata, escrita em latim,  para o inglês. Apesar de seus ensinamentos serem extremamente polêmicos, Wycliffe, em vida,  nunca foi excomungado pela igreja católica. Ele morreu durante uma missa, em dezembro de 1384. O Concílio de Constança, ocorrido em 04 de maio de 1415, julgou e declarou Wycliffe um herege de dura cerviz e o excomungou. Também foi decretado que os seus livros fossem queimados e que seu corpo fosse exumado. Esta última sentença só foi cumprida 12 anos depois, quando sob o papado de Martinho V, os restos mortais de Wycliffe foram desenterrados, queimados, e as cinzas lançadas no rio Swift.


2 – Martin Bormann

Martin Bormann
Martin Bormann foi um oficial nazista proeminente, que no final da Segunda Guerra Mundial se escondeu com Hitler no famoso bunker de Berlim. Segundo os historiadores, nos últimos e caóticos dias do conflito, houve relatos contraditórios quanto ao paradeiro de Bormann. Por exemplo, Jakob Glas, que de longa data servira como motorista de Bormann, afirmou tê-lo visto  em Munique, semanas após a rendição alemã, em maio de 1945. Contudo, Bormann nunca foi encontrado, apesar das autoridades  o terem procurado por todo o mundo, em particular, com esforços mais amplos na América do Sul.

Sem nenhuma evidência para confirmar ou negar a morte de Bormann, o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg o julgou in absentia em outubro de 1946, condenando-o à morte. O advogado de defesa nomeado pelo tribunal argumentou que  Bormann não podia ser condenado, porque ele já estava morto. Em 1998, exames de DNA feitos em um cadáver encontrado em escavações subterrâneas de obras em Berlim no ano de 1973, comprovaram que o corpo era do nazista desaparecido, e que  ele realmente já estava morto na época do Julgamento de Nuremberg.

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3 – Joana D’ Arc

Joana D' Arc
Vinte e quatro anos depois de Joana d'Arc ter sido queimada na fogueira, seu caso foi reaberto pelo Papa Calisto III, a pedido de Isabelle Romée, mãe de Joana, e de Jean Brehal, o  Inquisidor Geral, sendo que três bispos foram nomeados para o novo julgamento, conhecido como  julgamento de anulação. Os novos juízes decidiram por unanimidade que um erro judicial havia ocorrido e Joana foi inocentada. O resumo final do processo descrevia  a heroína francesa como uma mártir, ao mesmo tempo em que acusava  Pierre Cauchon, líder do primeiro julgamento,  de heresia,  por ter condenado uma mulher inocente por motivos não religiosos. Quinhentos anos depois, Joana D’ Arc foi canonizada pelo Papa Bento XV.


4 – Tomás Becket

A morte de Tomás Becket
Thomas Becket foi um Arcebispo da Cantuária no século XII, que  lutou contra as reformas impostas pelo rei Henrique II, que pretendiam reduzir os laços do clero inglês com o papado em Roma. Como o bispo se mantinha inflexível, Henrique II ordenou que ele fosse morto; Becket foi assassinado dentro da Catedral da Cantuária por quatro cavaleiros a serviço do monarca. Cerca de 300 anos depois, o rei Henrique VIII, que havia rompido com a Igreja Católica e criado a Igreja Anglicana porque desejava se divorciar de sua esposa, ordenou que os  ossos de Tomás Becket fossem colocados em julgamento - um julgamento em que Becket foi considerado culpado de traição. Seus ossos foram queimados publicamente e seu local de sepultamento profanado. Ironicamente, a igreja anglicana o venera como um santo.

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5 – Papa Formoso

Sínodo do Cadáver
Nove meses após a sua morte, o cadáver do Papa Formoso foi retirado da cripta papal para ser colocado em um trono a fim de ser julgado perante o Sínodo do Cadáver, presidido por Estêvão VI no ano 897. O papa falecido foi acusado de excessiva ambição pelo cargo papal, sendo que todos os seus atos foram declarados nulos. O cadáver de Formoso foi despido das vestes pontifícias e três dedos da sua mão direita foram amputados. Então, o corpo foi enterrado em um cemitério para estrangeiros como forma de desonra,  apenas para ser desenterrado mais uma vez, ser esquartejado,  ligado a pesos, e lançado no rio Tibre.

O espetáculo macabro fez a opinião pública em Roma voltar-se contra Estêvão. Circularam rumores de que o corpo de Formoso realizava milagres, depois de pessoas  se lavarem nas margens do rio Tibre. A revolta do público levou Estêvão a ser deposto e encarcerado. Enquanto estava na prisão, em julho ou agosto de 897, ele foi estrangulado até a morte.

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