Apesar de que uma imagem vale mais do que mil palavras, as fotografias nem sempre contam as histórias dos seus protagonistas. O que é visto no negativo é apenas um breve instante de um quadro muito maior. Há verdades inesperadas por trás de algumas das fotografias mais conhecidas da história, algumas trágicas, outras edificantes, todas incríveis.


1 - Allan Weaver e Maurice Cullinane

Allan Weaver e Maurice Cullinane
Fé e confidência é a fotografia vencedora do prêmio Pulitzer de 1958, tirada por William C. Beall. Ela retrata um menino e um policial interagindo durante o desfile do Ano Novo Chinês, em Washington, DC. A fotografia tornou-se incrivelmente popular, sendo destaque na revista LIFE. A foto foi tirada quando  Allan Weaver, que tinha dois anos na época, tentava se aproximar do dragão chinês colorido e dos fogos de artifício do desfile.

Na época, o pai de Weaver estava aquartelado no Japão. Quando Maurice Cullinane inclinou-se e disse-lhe para não chegar muito perto dos fogos, Weaver perguntou se ele era um fuzileiro naval. Maurice era relativamente novo na força policial, ele tinha seguido a mesma carreira do seu pai, do avô e de dois tios. Em 1974,  ele tornou-se  chefe de polícia, antes de se aposentar no próximo ano. Weaver passou a viver uma vida relativamente normal, ele mudou-se para a Califórnia, onde se tornou assistente pessoal de Orson Welles, antes de se estabelecer em sua ocupação atual como um consultor de iluminação. Os dois tem quadros com a famosa fotografia em suas salas de estar.


2 - Evelyn McHale

Evelyn McHale
Em 1 de Maio de 1947, Evelyn McHale subiu  86 andares até a plataforma de observação do Empire State Building e pulou. Ela caiu em cima de uma limusine das Nações Unidas, com as pernas perfeitamente cruzadas. O estudante de fotografia Robert Wiles caminhava  pelas proximidades e capturou a imagem, poucos minutos depois de Evelyn morrer. Onze dias mais tarde, a fotografia foi publicada na revista Life com o título de O lindo suicídio, ganhando fama instantânea.

Evelyn tinha apenas 23 anos de idade e era uma das caçulas da sua família. Ela se alistou no Women’s Army Corps durante a Segunda Guerra Mundial e, em seguida, mudou-se para Nova York com seu irmão e com a cunhada, onde trabalhou como escriturária. Em 30 de abril, ela pegou um trem para Easton para comemorar o aniversário de seu noivo. Quando ela saiu, ela parecia "feliz e tão normal como qualquer garota prestes a se casar." No entanto, quando Evelyn chegou em Nova York naquela noite, ela escreveu um bilhete de suicídio que dizia: "Meu namorado me pediu em casamento em junho. Eu não acho que  seria uma boa esposa para alguém. Ele estará muito melhor sem mim."

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3 - Larry Wayne Chaffin

A guerra é o inferno
A fotografia acima foi tirada em 18 de junho de 1965 no Vietnã do Sul, durante a Guerra do Vietnã, pelo foi famoso fotógrafo Horst Faas, que tinha viajado por todo o Vietnã a fim de  conseguir imagens da guerra. Ela retrata um soldado do 173º Batalhão da Brigada Aerotransportada, agora reconhecido como sendo Larry Wayne Chaffin, com as palavras "A guerra é o inferno" escrita à mão em seu capacete.

A esposa de Chaffin, Fran, lembra que, quando ela o cumprimentou no aeroporto, depois dele ter sido dispensado do Exército, Larry estava segurando um exemplar  da revista Stars and Stripes, que havia publicado a foto e que o marido comentara que “agora talvez ficasse rico”. Infelizmente, Chaffin nunca teve a chance de enriquecer. Após a guerra, ele lutou com o estresse pós-traumático e nunca se adaptou totalmente à vida civil, morrendo apenas 20 anos mais tarde, aos 39 anos, por complicações da diabetes. Sua família tem fortes suspeitas de que a doença resultou da exposição ao agente laranja durante a guerra.


4 - Zbigniew Religa

Zbigniew Religa
Esta fotografia premiada pela National Geographic, foi feita por James Stanfield em 1987. Ela mostra o cirurgião cardíaco Zbigniew Religa acompanhando os sinais vitais de um paciente, após um transplante de coração bem sucedido, enquanto seu assistente repousa no canto. O transplante havia durado 23 horas, tendo sido  realizado com uma tecnologia incrivelmente ultrapassada. Na época, embora o sistema de saúde gratuito da Polônia tivesse, sem dúvidas, ajudado a milhões de pessoas, os poloneses também sofriam com a falta de investimentos públicos na área da saúde.

Religa viveu a maior parte da vida trabalhando e lecionando em Varsóvia, mas também estudou em Nova York e Detroit. Ele foi um dos cardiologistas mais renomados na Polônia, famoso por ser pioneiro em tecnologia médica. Ele realizou o primeiro transplante de coração bem sucedido no país e, em 1995,  se tornou o primeiro cirurgião a transplantar uma válvula artificial, criada a partir de materiais retirados de cadáveres humanos. Religa depois deixou o campo da medicina para se tornar político, servindo no senado polonês por 12 anos e como ministro da saúde do país por outros dois. Ele faleceu aos 70 anos em 2009.


5 - A Companhia Easy

Iwo Jima

Levantando a bandeira em Iwo Jima é frequentemente citada como a fotografia mais reproduzida na história. Há seis homens na fotografia, quatro na frente: Ira Hayes, Franklin Sousley, John Bradley, e Harlon Block; e dois na parte de trás: Michael Strank e René Gagnon. Esses homens faziam parte de uma divisão chamada de Companhia Easy, que havia acabado de capturar a montanha dos japoneses. Não foi a primeira bandeira a ser levantada no Monte Surabachi, mas a anterior era muito pequena, de modo que os seis soldados foram incubidos de levantar uma maior "para que cada filho da puta nessa ilha fétida possa vê-la."

Três dos homens Strank, Sousley e Block, morreram logo após a bandeira ter sido levantada. Strank, o mais velho, foi a primeiro a cair, morto por fogo amigo. Os três sobreviventes, Gagnon, Hayes e Bradley, lidaram com a publicidade que receberam de sua participação na fotografia de maneiras diferentes. Hayes tornou-se alcoólatra e morreu 10 anos depois do fim da guerra, Bradley evitou a publicidade e comprou uma casa funerária, Gagnon supostamente aproveitou a fama, mas rapidamente desapareceu na obscuridade, morrendo de um ataque cardíaco em 1979, enquanto trabalhava como zelador.

Quando ouvimos sobre "pioneirismos históricos,"  a nossa tendência é pensar em coisas boas: o primeiro homem no espaço, o primeiro homem na Lua,  o primeiro bebê de proveta e outras grandes conquistas da humanidade.  Mas há  um outro conjunto bem mais sombrio de estreias históricas: casos  de morte, de loucura, tortura e assassinato que inspiraram tendências perturbadoras. Aqui estão dez delas.


10 – O primeiro atirador em uma escola
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As pessoas tem levado tiros nas escolas desde que as armas de fogo foram inventadas. Mas na maioria dos casos, existe um alvo óbvio e uma causa óbvia, uma relação plausível entre vítima  e atirador.  Foi somente no século XX  que se registrou o primeiro caso de um  louco invadir uma escola, percorrer  sala de aula por sala de aula, e, aleatoriamente, começar a atirar sobre as crianças.

Em 20 de junho de 1913, um desempregado de 29 anos de idade chamado Heinz Jacob Friedrich Ernst Schmidt entrou em uma escola em Bremen, na Alemanha, e matou quatro meninas. Uma quinta aluna morreu ao quebrar o pescoço enquanto  tentava fugir. Todas tinham entre  cinco e seis anos de idade. Vários adultos que tentaram parar Schmidt sofreram ferimentos graves, até que um cocheiro entrou no edifício com um tridente e conseguiu imobilizar o assassino. O verdadeiro motivo para o massacre nunca foi esclarecido. Quando foi levado para o hospício penal, Schmidt disse em meio às lágrimas: "Eu fui o primeiro, mas outros virão." A veracidade da frase pode ser contestada, mas quanto a profecia implícita, a história cuidou que se cumprisse.


9 – Os primeiros campos de concentração

Em 1896, a Espanha colonial tinha um problema. Guerrilhas armadas lutavam para arrancar Cuba do controle espanhol e entregá-lo ao povo cubano. Temendo a perda de sua ilha, a  Espanha despachou para lá o general Valeriano Weyler. O raciocínio desse homem era que não sendo possível distinguir os cubanos comuns  dos insurgentes, a solução era aprisionar toda a população em acampamentos batizados de "campos de reconcentração."

Mal conservados, sem abrigo e praticamente sem comida, os campos logo se transformaram em valas comuns. A fome assolava os presos. Doenças varriam  acampamento por acampamento. Centenas de milhares de homens, mulheres e crianças morreram. Aqueles que se recusavam a ser internados foram executados na hora. Ao todo, estima-se que 400.000 civis tenham morrido no que é conhecido como o "Holocausto Cubano." Quando fotos desses acampamentos chegaram ao resto do mundo, provocaram uma reação pública contra a Espanha. Infelizmente, o horror desses campos reviveria através das décadas posteriores  em lugares como Belsen, Gakovo, Chacabuco, Auschwitz e Guantánamo.

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8 – O primeiro ataque aéreo

O primeiro ataque aéreo
No início do século XX, o conceito de guerra aérea ainda era assunto de ficção científica, o famoso escritor britânico H.G Wells escreveu vários livros usando o tema como argumento. Porém, tudo mudaria na Líbia, em 01 de novembro de 1911. Naquele dia, o Tenente Cavotti, um aviador italiano, lançou quatro bombas  de seu avião sobre posições turcas estacionadas em Trípoli.

As próximas semanas presenciaram uma campanha de "ataques aéreos" sobre toda a cidade. Bases árabes viram granadas cair sobre elas. Posições turcas foram golpeadas. Um hospital de campanha foi acidentalmente bombardeado, provocando a indignação internacional. Apenas 30 anos depois, na Segunda Guerra Mundial,  o mesmo princípio seria usado para devastar Londres, Pearl Harbor e as principais cidades da Alemanha e do Japão.

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7 – A primeira campanha terrorista moderna

As raízes do terrorismo podem ser rastreadas até ao século I a.C, mas  foi somente na década de 1880 que um grupo de  pessoas, em busca de vingança e por disputas políticas,  decidiu atacar civis usando bombas. Nesse ano, a Irmandade da Republicana Irlandesa, respondeu ao que considerava ser crimes britânicos cometidos contra seu país, com uma campanha de terrorismo que tinha como alvo principal o metrô de Londres.

Em 30 de outubro de 1883, duas bombas explodiram na linha ferroviária metropolitana da cidade. Uma explodiu cedo demais e só danificou o túnel.  A outra atingiu  diretamente um carro que passava. Quatro pessoas ficaram gravemente feridas, mais de duas dezenas sofreram ferimentos leves. Era o início de uma campanha de terror que somaria mais de 80 vítimas. Além do metrô, marcos históricos e jornais também viraram alvo dos ataques.

Ironicamente,  as únicas mortes que resultaram dessas explosões foram as dos próprios terroristas: em 13 de dezembro de 1884, três deles acidentalmente detonaram uma bomba que  estava sendo armada na Ponte de Londres. Os três morreram na explosão.


6 – A primeira marcha da morte

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Nós costumamos associar marchas da morte com a brutalidade alemã e japonesa na Segunda Guerra Mundial, porém,  a primeira marcha da morte moderna foi conduzida por soldados americanos.

O ano era 1838.  O governo dos Estados Unidos vinha relocando tribos nativas americanas durante a maior parte da década. Muitas dessas remoções resultaram em suas próprias tragédias, no entanto, foram os cherokees, sob o olhar atento do general Scott, que  seriam vitimas da primeira marcha da morte moderna.

Sempre sob a mira das armas dos soldados, os cherokees foram forçados  a marchar cerca de 2000 quilômetros para um território escolhido para eles pelos brancos. O mau tempo, a fome e as doenças mataram milhares de pessoas no caminho. Estima-se hoje que 5.000 cherokees tenham morrido nesta marcha, assassinados por um governo inescrupuloso. Aqueles que sobreviveram, se viram distantes de casa, com poucos pertences e pouca esperança para o futuro. Essa política brutal, seria usada contra os americanos nativos vez após outra vez, pelas décadas seguintes.

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5 – A primeira revolução moderna

A primeira revolução moderna pode ser rastreada à uma data específica: 1688, o ano da Revolução Gloriosa da Grã-Bretanha.

De acordo com o historiador Ted Vallance, esta revolução pode ser classificada como a primeira da era moderna, não apenas por causa da violência que a acompanhou, mas também por causa do choque cultural por trás dela. Vallance defende que todas as revoluções anteriores viram progressistas se chocando contra os tradicionalistas. A partir de 1688, o que passou a se ver foram dois grupos de progressistas se chocando um contra o outro, culminando em violência e na profunda transformação do Estado. Em outras palavras, era a primeira vez que dois grupos queriam mudar a sociedade de forma tão drástica,  que era preciso eliminar o outro para fazê-lo.


4 – As primeiras armas biológicas

Peste negra
Em 1347, as forças mongóis cercavam a importante cidade portuária de Caffa, na Ucrânia moderna. À procura de novas maneiras para atacar os moradores sitiados, um general desconhecido ordenou a seus homens que colocassem corpos infectados com a peste negra nas catapultas e os jogassem para dentro da cidade. Este incidente, além de ser o primeiro registro de guerra bacteriológica da história, pode também, indiretamente, ter moldado o mundo moderno.

De acordo com a Enciclopédia Britânica, havia muitos comerciantes italianos em Caffa. Há uma boa chance de que eles rapidamente voltaram para casa quando viram a peste se espalhando pela cidade sitiada, o que resultou na doença chegar à Europa. Como sabemos, a praga então  devastou o continente, matando cerca de 25 milhões de pessoas e mudando o curso da história.

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3 – A primeira guerra química

Embora seja mais associada com a Primeira Guerra Mundial, a guerra química ainda parece ser uma aberração moderna: o tipo de coisa que os nossos antepassados teriam considerado como um horror além da compreensão. Por isso, pode ser uma surpresa descobrir que há evidências científicas dela ter sido  utilizada já em 256 d.c.

Em 2009, arqueólogos descobriram restos de betume e cristais de enxofre em escavações em Dura-Europos, na Síria, no local exato onde vinte corpos de soldados romanos que morreram asfixiados foram descobertos em 1930, pintando um quadro terrível de alguma batalha esquecida.

Dura-Europos havia sido conquistada pelos romanos, que lá instalaram uma grande guarnição. Por volta de 256 d.C, a cidade foi submetida a um cerco feroz por um exército do novo e poderoso império persa sassânida.

A teoria é que os persas enfrentaram  os invasores, queimando os cristais em túneis que levavam ao forte romano, para tanto, eles utilizaram foles para soprar o ar tóxico até os seus inimigos, o que causou inconsciência em segundos e morte em minutos. Se a história  for verdadeira, seria o mais antigo relato de guerra química para o qual temos provas, ocorrido cerca de 1.800 anos antes depois da famosa Batalha em Ypres.


2 – O primeiro genocídio

Guerras Púnicas
Não foram apenas as armas químicas cuja estreia ocorreu durante a  época romana. O genocídio é registrado  primeira vez na história durante a Terceira Guerra Púnica (149-146 a.C).

Cansados de guerrear contra a cidade de Cartago, os romanos tomaram a decisão de destruí-la totalmente. E embora saibamos que o saque de cidades junto com o assassinato de seus habitantes não era incomum na época, raramente era tão feroz quanto ao que houve em Cartago. Os romanos não estavam interessados em simplesmente ganhar uma vantagem tática ou acabar com o poderio dos inimigos, eles odiavam tanto os cartagineses que desejavam aniquilá-los. 

Para isso, eles cercaram a cidade, os moradores foram abatidos ou vendidos como escravos; depois, os romanos  passaram a  desmantelar  Cartago tijolo por tijolo; em seguida, queimaram o que restou, até que  sobrassem somente as cinzas. Há ainda especulações de que eles jogaram sal sobre a terra, para que nada crescesse por lá novamente, eles queriam ter certeza que seus odiados inimigos nunca pudessem voltar para casa.


1 – As primeiras câmaras de gás

Hoje nós associamos as câmaras de gás com os horrores do Holocausto. Mas os nazistas não foram os primeiros a usar esse método para exterminar os indesejáveis. Essa “honra” vai para as forças turcas e curdas durante o genocídio armênio.

Em 1915, o Estado otomano decidiu exterminar os armênios da face da Terra. Milhares de pessoas foram presas, executadas ou mandadas para  marchas da morte no deserto, sob o sol escaldante; outras foram levadas para o deserto da Síria, onde se tornaram as primeiras vítimas de câmara de gás da história. Sob as ordens de seus captores, os civis armênios foram trancafiados em uma grande caverna, as forças turcas então bombearam fumaça para dentro dela, até que todos os prisioneiros tivessem morrido por asfixia. Estima-se que milhares de pessoas morreram dessa maneira.

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Júlio César é o  mais célebre personagem do império romano. Um general e um político brilhante, cujas realizações e influência foram tão significativas que algumas línguas tem palavras para "governante" que derivam de seu nome, como "kaiser" em alemão e "czar" em russo. Outra homenagem duradoura: Ele tem até o seu próprio mês; Quintilis, o mês em que César nasceu, passou a se chamar Julius (julho) em sua honra. Saiba mais sobre o poderoso homem que pronunciou a famosa frase, após uma curta e vitoriosa campanha militar: "Veni, vidi, vici", ou "Vim, vi, venci."


1 – Júlio César não nasceu de cesariana

Júlio César
Caio Júlio César chegou ao mundo no dia 13 de julho do ano 100 a.C, mas, ao contrário da crença popular, é improvável que ele tenha nascido de cesariana. Embora o procedimento existisse na época, quase sempre era fatal para a mãe, portanto, era somente realizado quando uma mulher grávida estava morta ou prestes a morrer, em um esforço para salvar a criança. Contudo, a mãe de César, Aurélia, viveu até 54 a.C, quase meio século após o nascimento de seu filho.

O cognome "César" se originou, de acordo com o historiador Plínio, o Velho, com um antepassado do imperador, que teria vindo ao mundo por meio de uma cesariana (do verbo latino para cortar, caedere ). A História Augusta sugere três explicações alternativas: que o primeiro César tinha uma cabeça cheia de cabelos (do latim caesaries); que ele tinha brilhantes olhos cinzentos (do latim oculis caesiis), ou que ele matou um elefante (caesai em mouro) em uma batalha. Júlio César emitiu moedas com imagens de elefantes, sugerindo que ele favorecia a esta última interpretação do seu nome.


2 – Júlio César foi sequestrado por piratas

Em 75 a.C, César resolveu partir de Roma para a ilha de Rodes, no mar Egeu, um famoso centro de aprendizagem, onde ele planejava estudar com Apolônio, retórico grego, mestre de Cícero, que se tornou um dos oradores mais famosos da Antiga Roma. No entanto, ao longo do caminho para Rodes, o navio de César foi sequestrado por piratas ao largo da costa sudoeste da Ásia Menor. Quando seus captores estipularam o valor do resgate por sua libertação, César se sentiu ofendido pela quantia ser muito baixa e insistiu que uma soma maior fosse exigida. Trinta e oito dias depois, o resgate chegou e César foi libertado depois de um cativeiro confortável, onde fez amizade com alguns dos captores. De regresso à liberdade, César organizou uma força naval, capturou o refúgio dos piratas e ordenou a  crucificação de todos eles.


3 – A vida amorosa de César foi bem movimentada

César dá o trono do Egito à Cleópatra
César se casou com sua primeira esposa, Cornélia, em 84 a.C, quando ele era um adolescente. Dentro de alguns anos, um general chamado Lúcio Cornélio Sula tornou-se ditador da república romana e ordenou a execução de qualquer pessoa considerada inimiga do Estado. O sogro de César, Lúcio Cornélio Cina, havia sido rival de Sula; como resultado, Sula ordenou que César se divorciasse de Cornélia, mas ele se recusou a cumprir a ordem. Sabendo que tal desafio poderia custar-lhe a vida, César fugiu de Roma. Durante seu tempo como fugitivo, ele contraiu malária e mais tarde foi pego por um dos homens de Sula, a quem foi obrigado a pagar um suborno enorme, quase todo o seu dinheiro, a fim de permanecer livre. Mais tarde, alguns dos amigos e parentes influentes de César convenceram Sula a deixá-lo regressar à Roma, onde ele voltou a viver com Cornélia. O casal teve uma filha, Júlia,  em 76 a.C.

Cornélia morreu em 69 a.C; em 67 a.C César casou-se com Pompéia,  neta de Sula. Em 62 a.C, com César servindo como o "Pontifex maximus", Pompéia participou de um encontro anual de mulheres romanas: o ritual de  Bona Dea ("boa deusa"), que foi realizado na casa de César. O evento era estritamente reservado às mulheres, mas um jovem nobre disfarçou-se de mulher e conseguiu se infiltrar na festividade. Durante a noite, ele foi descoberto. Um escândalo seguiu-se, boatos surgiram dizendo que o homem estava apaixonado por Pompéia e que havia tentando seduzí-la. Apesar de não saber se Pompéia teve culpa no incidente, César decidiu divorciar-se dela, argumentado que "à mulher de César não basta ser honesta, ela deve parecer honesta."

César casou-se com sua terceira esposa, Calpúrnia, em 59 a.C, quando ela era ainda adolescente, permanecendo casado com ela até morrer. Sendo um mulherengo incorrigível, Júlio César também teve várias amantes, incluindo Cleópatra VII, rainha do Egito, e uma mulher chamada Servília, cujo filho, Marco Júnio Bruto,  participou do assassinato do governante em 44 a.C.


4 – Júlio César teve um filho com Cleópatra

Em 47 a.C, César dirigiu-se ao Egito em busca de Pompeu, apenas para descobrir que o velho aliado e agora inimigo havia sido assassinado no ano anterior. Ao saber da  sorte de Pompeu, César ficou destroçado pela perda e por não ter mais  a oportunidade de oferecer-lhe  perdão. Talvez devido a isto, César decidiu intervir na política egípcia e substituiu o rei Ptolomeu XIII pela  irmã deste,  Cleópatra, que já tinha a dignidade de faraó. Durante a sua estadia no Egito, César envolveu-se romanticamente com Cleópatra e dessa relação nasceu um menino. Os egípcios se referiam a ele como Cesarião (do latim Caesarion, "pequeno César").

Em 31 a.C, as forças de Cleópatra e de seu amante Marco Antônio foram derrotadas na Batalha de Áccio por Otávio, sobrinho-neto e herdeiro de César. No ano seguinte, Antônio e Cleópatra cometeram suicídio, deixando Cesarião como o único faraó do Egito; no entanto, seu reinado foi breve porque não muito tempo depois da morte de sua mãe, Cesarião foi assassinado por ordens de Otávio, que passou a se tornar o primeiro imperador romano.

Júlio César não teve outros filhos homens além de Cesarião. Sua  filha Júlia, que havia se casado com Pompeu,  morreu enquanto dava à luz uma menina, em 54 a.C. A morte de Júlia foi uma catástrofe para o seu marido, para o seu pai e até mesmo para Roma; em pouco tempo a aliança entre Pompeu e César se desfez levando Roma à guerra civil.

Júlio César na Gália

Vercingetórix se rende a Júlio César, pintura no Museu Crozatier.



5 – Júlio César é o pai do ano bissexto

Antes de César chegar ao poder, os romanos usavam um sistema de calendário baseado no ciclo lunar, que ditava que houvesse 355 dias em um ano. Este tempo era mais curto do que um ano solar, o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do sol. Funcionários específicos do governo romano, a seu critério, deviam adicionar dias extras ao calendário lunar todos os anos, a fim de mantê-lo alinhado com as estações do ano, mas isso nem sempre acontecia. Como resultado dessa bagunça, o calendário ficava confuso, fora de sintonia com as estações e propício para que políticos espertos estendessem seus mandatos.  Após uma consulta com o astrônomo Sosígenes, César implementou um novo sistema, o calendário Juliano, que entrou em vigor em 45 a.C. Nele o ano consistia de 365 dias. O calendário foi concebido para estar em sincronia com o ciclo solar; mas para tanto, ainda precisava de um pequeno ajuste. Então César  acrescentou um dia extra a cada quatro anos, chamado de ano bissexto, a fim de resolver o problema.

O calendário juliano continuou a ser o padrão até o final do século XVI, quando uma versão ligeiramente modificada do sistema, conhecida como o calendário gregoriano, foi introduzido. Hoje, o calendário gregoriano é o calendário civil mais utilizado no mundo.

Graças a filmes ambientados na época da Terceira Cruzada, até mesmo as pessoas que não se interessam muito por história  estão familiarizadas com o nome de Ricardo Coração de Leão, governante da Inglaterra de 1189 a 1199. Ele é geralmente retratado como um dos monarcas mais corajosos, poderosos e inspiradores da Inglaterra; um líder forte, que ganhou o respeito de seu maior oponente, o lendário Saladino.

Talvez o rei Ricardo I tenha sido mesmo valente e impetuoso, mas, com certeza, ele  não tinha muito orgulho de ser Inglês. Talvez ele nem dominasse o idioma de seus súditos. Na época do reinado de Ricardo, a língua da nobreza inglesa era, na verdade, o francês, graças à subjugação normanda da Inglaterra por Guilherme, o Conquistador, em 1066. Durante seus 10 anos como rei da Inglaterra, Ricardo viveu apenas um punhado de meses no interior do país, preferindo usar seu reino como uma fonte de renda para apoiar seus exércitos. Certa vez, ele pensou até mesmo em vender a Inglaterra. Por quase toda a sua vida, o rei Ricardo esteve  em campanha no Oriente Médio ou na França.

Ricardo Coração de Leão 
Ricardo Coração de Leão não teve vida fácil como rei. Logo após sua coroação, ele fez os votos dos cavaleiros cruzados e partiu para lutar na Terceira Cruzada. Quando a caminho de Jerusalém, em 1190, a frota de Ricardo naufragou perto de Chipre, onde ele e seus homens buscaram refúgio. A presença de tantos homens foi considerada uma ameaça pelo líder bizantino da ilha, e logo os conflitos apareceram. A resposta de Ricardo foi violenta: ele se recusou a partir e massacrou os habitantes das cidades que lhe resistiram, espalhando a destruição na ilha. No final do conflito, Chipre estava conquistada e seu rei deposto.

Em junho de 1191, Ricardo chegou à Terra Santa a tempo de aliviar o cerco de Acre imposto por Saladino. Estava já sem aliados, depois de uma série de desavenças com Filipe e o duque Leopoldo V da Áustria. A sua campanha foi um sucesso e granjeou-lhe a fama de herói, bem como o respeito dos adversários, mas somente com o seu exército nunca poderia alcançar o seu principal objetivo que era recuperar Jerusalém para os cristãos. Além disso, a crescente influência de seu irmão João na política na Inglaterra e os avanços militares de Filipe II, que se aproximava perigosamente da Aquitânia e da Normandia, obrigavam um urgente regresso à Europa. No Outono de 1192, Ricardo iniciou a jornada de volta, depois de se recusar até de olhar de longe para Jerusalém.

Na viagem de volta para a Inglaterra,  Ricardo foi capturado pelo seu desafeto Leopoldo V, duque da Áustria. O resgate pago por sua libertação equivalia a um quarto da renda anual de todos os ingleses. Ele foi liberado em 1194. Ricardo  gastou o resto dos seus dias em campanhas na França. Em 1199, aos 41 anos, ele  foi atingido por uma flecha, sendo mortalmente ferido enquanto sitiava um castelo francês. Segundo os cronistas, Ricardo perdoou o assassino em seu leito de morte, mas logo depois que o rei inglês morreu, o arqueiro foi esfolado e enforcado.

O rei Ricardo Coração de Leão morreu sem deixar descendentes e foi sucedido pelo seu irmão João Sem Terra.

Ricardo falava a língua de oïl, um dialeto francês, e occitana, uma língua falada no sul da França e nas regiões próximas.


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O período Sengoku do Japão foi uma época caracterizada por convulsões sociais, intrigas políticas e constantes guerras entre  os clãs. Nessa parte da história japonesa, os guerreiros do país tinham o costume de pegar troféus humanos para si, mais especificamente as cabeças dos inimigos mortos no campo de batalha. Quase sempre, os senhores feudais pagavam seus soldados com base no número de cabeças decepadas.

Por volta de  1585, Toyotomi Hideyoshi se tornou o maior  senhor feudal do Japão, dando fim ao período Sengoku. Hideyoshi é apropriadamente considerado como o segundo "grande unificador" do Japão. De 1592 a 1598, o japoneses recém-unificados travaram guerra contra a Coréia. O objetivo final da ofensiva era conquistar a Coréia, os jurchens, a dinastia Ming na China e a Índia. Durante esse tempo, o ato de recolher troféus de guerra ainda era altamente incentivado entre os combatentes japoneses. No entanto, devido ao grande número de soldados e civis coreanos que foram mortos no conflito, e também devido à superlotação nos navios que transportavam as tropas, era muito mais fácil levar para casa as orelhas e narizes das vítimas, em vez de cabeças inteiras.

As orelhas e narizes arrancados dos coreanos mortos durante a guerra, eram levados ao Japão em barris de salmoura. É impossível ter certeza de quantas pessoas foram mortas, mas as estimativas chegam a colocar o número em um milhão. Por mais sinistro que possa parecer, essa perturbadora quantidade de narizes  e orelhas decepadas ainda pode ser vista hoje, porque ficou  preservada em vários monumentos japoneses. O maior deles é o templo Mimizuka ( literalmente: monte das orelhas).  Nele estão guardadas as partes mutiladas de pelo menos 38 mil coreanos. O  tétrico santuário está localizado  em Quioto, no Japão. O Mimizuka foi dedicado em 28 de setembro de 1597. As razões exatas dele ter sido construído são desconhecidas, já que era incomum para os japoneses enterrar um inimigo em santuários budistas.

Mimizuka 
O Mimizuka não está sozinho. Outros templos desse tipo,  que datam do mesmo período, são encontrados em vários lugares do Japão, como a tumba de narizes de Okayama. Com o advento da internet, os próprios cidadãos japoneses começaram a aprender sobre o Mimizuka, já que ele e os outros monumentos similares, eram  quase desconhecidos do público japonês.

Embora esse santuários raramente sejam mencionados nos livros didáticos japoneses,  a maioria dos coreanos está bem consciente da existência dessas tétricas estruturas. Para grande parte deles, templos como o Mimizuka são vistos como um símbolo da crueldade japonesa, algo cuja simples existência fere a dignidade da Coréia,  enquanto que outros cidadãos do país defendem que  tais  edifícios devem permanecer em pé, para manter viva a lembrança da  selvageria cometida contra seus antepassados. O assunto é polêmico. Até hoje,  quase todas as pessoas que visitam o Mimizuka são coreanas, talvez devido ao fato de que a maioria dos  guias turísticos japoneses não menciona o templo, nem qualquer coisa sobre sua perturbadora história.

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O rei guerreiro Alexandre III da Macedônia, talvez o maior gênio militar do mundo antigo, conquistou territórios que se estendiam  da Grécia ao Egito, seguindo pelo que é hoje a Turquia, o Irã e o Paquistão. Combinando os sucessos no campo de batalha com uma brilhante estratégia na construção de seu  reino, Alexandre passou o seu reinado de 13 anos trabalhando para unir o Oriente e o Ocidente através da força militar e do intercâmbio cultural. A reputação de Alexandre cresceu tão rapidamente que, no momento de sua morte, aos 32 anos, ele era visto como tendo aspectos divinos. Nem sempre é possível separar realidade e ficção das histórias contadas sobre Alexandre ao longo dos séculos, mas nesta postagem falaremos sobre  oito fatos surpreendentes  envolvendo o grande conquistador.


1 - Alexandre foi ensinado por Aristóteles, mas teve famosos encontros com outros filósofos.

Alexandre e Diógenes
O pai de Alexandre, Filipe II da Macedônia, contratou Aristóteles, um dos maiores filósofos da história, para educar o então príncipe de 13 anos. Pouco se sabe  sobre o período de tempo da tutela de Alexandre, alguns historiadores  o estimam em apenas dois ou três anos e outros em sete ou oito. Segundo a lenda, quando ainda era príncipe da Grécia, Alexandre procurou o famoso asceta Diógenes, o Cínico, que rejeitava as sutilezas sociais e dormia em um grande tonel de barro. Alexandre se aproximou do pensador em uma praça pública e perguntou a Diógenes se havia alguma coisa que o sábio desejasse. "Sim", respondeu Diógenes: "fique de lado; você está bloqueando o meu sol". Alexandre ficou tão impressionado com a resposta do pensador que teria dito: "Se eu não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes."

Anos mais tarde, na Índia, Alexandre interrompeu suas campanhas militares para ter longas discussões com os gimnosofistas, "filósofos nus" das religiões hindu e jainista que evitavam a vaidade humana e as roupas.


2 - Em 15 anos de conquistas Alexandre nunca perdeu uma batalha.

Falange

As táticas e estratégias usadas nos campos de batalha por Alexandre, o Grande,  são estudadas em academias militares até hoje. Desde a sua primeira vitória aos 18 anos, Alexandre ganhou a reputação de liderar seus homens em batalha com uma velocidade impressionante, conseguindo que  forças em  menor número  atingissem e quebrassem as linhas dos inimigos  antes que esses pudessem reagir. Depois de garantir o seu poder na Grécia; em 334 a.C Alexandre cruzou a Ásia (atual Turquia), onde venceu uma série de batalhas contra os persas comandados por  Dario III. A peça central da força de combate de Alexandre era a falange macedônica, cujas unidades combatiam os espadachins persas  com piques de 4 a 5 metros de comprimento chamados de sarissa.


3 – Alexandre fundou mais de 70 cidades e deu a elas seu próprio nome.

Alexandre e seu cavalo Bucéfalo
Alexandre comemorava suas conquistas fundando dezenas de cidades, geralmente construídas em torno de fortes militares anteriores, que invariavelmente eram chamadas de Alexandria. A mais famosa delas, fundada na foz do Nilo em 331 a.C, é hoje a segunda maior cidade do Egito. Outras Alexandrias  seguem os rastro dos avanços de seus exércitos através da atual Turquia, Irã, Afeganistão, Tadjiquistão e Paquistão. Perto do local da Batalha do Rio Hidaspes, a vitória mais cara da campanha de Alexandre na Índia, ele fundou a cidade de Bucéfala, nome em homenagem a seu cavalo favorito, que foi mortalmente ferido na batalha.


4 - Quando Alexandre conheceu sua futura esposa Roxana, foi amor à primeira vista.

Alexandre e Roxana
Após a captura espetacular em 327 a.C da Rocha Sogdiana, uma fortaleza situada nas montanhas  aparentemente impenetrável, Alexandre, então com 28 anos,  examinava os cativos quando Roxana, a filha adolescente de um nobre bactriano, chamou sua atenção. Logo depois, em uma cerimônia tradicional, o rei cortou um pedaço de pão em dois com sua espada e o compartilhou com sua nova noiva. Poucos meses depois da morte de Alexandre, Roxana deu à luz um menino, Alexandre IV, o único filho do casal.


5 -  Alexandre cheirava muito bem.

Alexandre, o Grande
Em “Vidas Paralelas”,  obra  escrita 400 anos depois da morte do conquistador grego, o historiador Plutarco relata que "um odor muito agradável" exalava da pele de Alexandre, e que "o hálito e o corpo dele eram tão perfumados que a fragrância impregnava as roupas usadas por ele”.  Essa preocupação em cheirar bem,  fazia parte de uma tradição iniciada durante a vida de Alexandre de atribuir atributos divinos ao rei conquistador. O próprio Alexandre chamou a si mesmo abertamente de Filho de Zeus durante uma visita ao oásis de  Siuá em 331 a.C.


6 - Após derrotar os persas, Alexandre começou a se vestir como eles.

Alexandre com as vestes persas
Após seis anos de incursões cada vez mais profundas no Império Persa, em 330 a.C Alexandre conquistou Persépolis, que há séculos era o centro da cultura persa. Percebendo que a melhor maneira de manter o controle dos persas era agir como um deles, Alexandre começou a vestir a túnica listrada, o cinto, o diadema e o  vestido dos reis persas, para o desespero dos puristas culturais  na Macedônia. Em 324 a.C Alexandre realizou um casamento coletivo na cidade persa de Susa, onde forçou 92 líderes macedônios a tomar esposas persas, casando-se ele  próprio com duas: Estatira e Parisátis.


7 - A causa da morte de Alexandre continua sendo um dos maiores mistérios do mundo antigo.

Morte de Alexandre
Em 323 a.C, Alexandre, o Grande, adoeceu depois de deixar cair uma taça de vinho em uma festa. Duas semanas depois, o governante de 32 anos estava morto. Tendo em conta que o pai de Alexandre tinha sido assassinado por seu próprio guarda-costas, as suspeitas logo recaíram sobre os mais íntimos de Alexandre, principalmente sobre o seu general Antípatro, e sobre Cassandro ( filho de Antípatro ), que acabaria por ordenar o assassinato da viúva e do filho de Alexandre. Alguns biógrafos antigos chegaram a especular que Aristóteles, que tinha ligações com a família de Antípatro, pudesse estar envolvido na morte do antigo pupilo. Nos tempos modernos, médicos especialistas tem especulado que a malária, infecção pulmonar, insuficiência hepática ou febre tifóide podem ter feito Alexandre sucumbir à morte.

 

8 - O corpo de Alexandre foi preservado em uma cuba de mel.

Corpo de Alexandre
Plutarco relata que o corpo de Alexandre foi tratado inicialmente em Babilônia por embalsamadores egípcios, mas segundo o egiptólogo vitoriano A. Wallis Budge, os restos mortais de Alexandre foram imersos em mel para evitar a putrefação. Um ou dois anos depois da morte de Alexandre, seu corpo foi enviado de volta para a Macedônia apenas para ser interceptado e enviado para o Egito por Ptolomeu I, um de seus antigos generais. Ao controlar o corpo de Alexandre, Ptolomeu pretendia ser visto como o sucessor de seu império.

Ao longo da história do direito, fora os casos comuns aos tribunais, também houve julgamentos de animais, de convicções, de pessoas inocentes, e, acreditem ou não, de pessoas mortas. Nesse artigo, falaremos sobre cinco  julgamentos cujos réus já estavam mortos. É a velha máxima de que a “justiça tarda, mas não falha”, sendo cumprida (ou descumprida ) ao pé da letra!


1 – John  Wycliffe

O Julgamento de Wycliffe
John Wycliffe foi um reformador religioso que se opunha ao poder papal em assuntos seculares e que defendia a pobreza do clero. Ele também organizou uma tradução da Bíblia Vulgata, escrita em latim,  para o inglês. Apesar de seus ensinamentos serem extremamente polêmicos, Wycliffe, em vida,  nunca foi excomungado pela igreja católica. Ele morreu durante uma missa, em dezembro de 1384. O Concílio de Constança, ocorrido em 04 de maio de 1415, julgou e declarou Wycliffe um herege de dura cerviz e o excomungou. Também foi decretado que os seus livros fossem queimados e que seu corpo fosse exumado. Esta última sentença só foi cumprida 12 anos depois, quando sob o papado de Martinho V, os restos mortais de Wycliffe foram desenterrados, queimados, e as cinzas lançadas no rio Swift.


2 – Martin Bormann

Martin Bormann
Martin Bormann foi um oficial nazista proeminente, que no final da Segunda Guerra Mundial se escondeu com Hitler no famoso bunker de Berlim. Segundo os historiadores, nos últimos e caóticos dias do conflito, houve relatos contraditórios quanto ao paradeiro de Bormann. Por exemplo, Jakob Glas, que de longa data servira como motorista de Bormann, afirmou tê-lo visto  em Munique, semanas após a rendição alemã, em maio de 1945. Contudo, Bormann nunca foi encontrado, apesar das autoridades  o terem procurado por todo o mundo, em particular, com esforços mais amplos na América do Sul.

Sem nenhuma evidência para confirmar ou negar a morte de Bormann, o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg o julgou in absentia em outubro de 1946, condenando-o à morte. O advogado de defesa nomeado pelo tribunal argumentou que  Bormann não podia ser condenado, porque ele já estava morto. Em 1998, exames de DNA feitos em um cadáver encontrado em escavações subterrâneas de obras em Berlim no ano de 1973, comprovaram que o corpo era do nazista desaparecido, e que  ele realmente já estava morto na época do Julgamento de Nuremberg.

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3 – Joana D’ Arc

Joana D' Arc
Vinte e quatro anos depois de Joana d'Arc ter sido queimada na fogueira, seu caso foi reaberto pelo Papa Calisto III, a pedido de Isabelle Romée, mãe de Joana, e de Jean Brehal, o  Inquisidor Geral, sendo que três bispos foram nomeados para o novo julgamento, conhecido como  julgamento de anulação. Os novos juízes decidiram por unanimidade que um erro judicial havia ocorrido e Joana foi inocentada. O resumo final do processo descrevia  a heroína francesa como uma mártir, ao mesmo tempo em que acusava  Pierre Cauchon, líder do primeiro julgamento,  de heresia,  por ter condenado uma mulher inocente por motivos não religiosos. Quinhentos anos depois, Joana D’ Arc foi canonizada pelo Papa Bento XV.


4 – Tomás Becket

A morte de Tomás Becket
Thomas Becket foi um Arcebispo da Cantuária no século XII, que  lutou contra as reformas impostas pelo rei Henrique II, que pretendiam reduzir os laços do clero inglês com o papado em Roma. Como o bispo se mantinha inflexível, Henrique II ordenou que ele fosse morto; Becket foi assassinado dentro da Catedral da Cantuária por quatro cavaleiros a serviço do monarca. Cerca de 300 anos depois, o rei Henrique VIII, que havia rompido com a Igreja Católica e criado a Igreja Anglicana porque desejava se divorciar de sua esposa, ordenou que os  ossos de Tomás Becket fossem colocados em julgamento - um julgamento em que Becket foi considerado culpado de traição. Seus ossos foram queimados publicamente e seu local de sepultamento profanado. Ironicamente, a igreja anglicana o venera como um santo.

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5 – Papa Formoso

Sínodo do Cadáver
Nove meses após a sua morte, o cadáver do Papa Formoso foi retirado da cripta papal para ser colocado em um trono a fim de ser julgado perante o Sínodo do Cadáver, presidido por Estêvão VI no ano 897. O papa falecido foi acusado de excessiva ambição pelo cargo papal, sendo que todos os seus atos foram declarados nulos. O cadáver de Formoso foi despido das vestes pontifícias e três dedos da sua mão direita foram amputados. Então, o corpo foi enterrado em um cemitério para estrangeiros como forma de desonra,  apenas para ser desenterrado mais uma vez, ser esquartejado,  ligado a pesos, e lançado no rio Tibre.

O espetáculo macabro fez a opinião pública em Roma voltar-se contra Estêvão. Circularam rumores de que o corpo de Formoso realizava milagres, depois de pessoas  se lavarem nas margens do rio Tibre. A revolta do público levou Estêvão a ser deposto e encarcerado. Enquanto estava na prisão, em julho ou agosto de 897, ele foi estrangulado até a morte.

Viajantes antigos muitas vezes espalhavam relatos de  cidades fabulosas, ilhas fantasmas e civilizações exóticas localizadas nas profundezas  inexploradas do globo. Essas terras fantasiosas logo eram esquecidas, jogadas nas categorias de mitos e lendas, mas algumas fizeram partes de relevantes mapas do mundo e ajudaram a inspirar várias das viagens de exploração mais importantes da história. A partir de um lendário império cristão na Ásia até um suposto reino perdido no Canadá, saiba mais sobre seis reinos de extrema influência que nunca existiram de verdade.


1 – O Reino do Preste João

Ilustração do Preste João em um mapa da África Oriental
Por mais de 500 anos, os europeus acreditaram que um rei cristão governava um vasto império em algum lugar nos confins da África, Índia ou no Extremo Oriente. O mito ganhou popularidade em 1165, depois que o imperador  bizantino, o Papa e monarcas europeus receberam uma carta, provinda supostamente de um rei chamado "Preste João". Nela, o misterioso rei afirmava servir como "governante supremo das três Índias" e todos os seus 72 domínios. Ele descrevia o seu reino como uma utopia, rico em ouro, cheio de leite e mel, povoado por raças exóticas de gigantes e homens com chifres. Talvez o mais importante de tudo, Preste João e seus súditos eram cristãos; a própria palavra "Preste" é uma corruptela do francês Prêtre, ou seja, padre.

A missão enviada pelo Papa para encontrar a corte do Preste João desapareceu sem deixar vestígios, mas o mito desse reino tomou conta das mentes na Europa. Os Cruzados se alegraram com a ideia de que um governante devoto pudesse vir em seu auxílio na luta contra os muçulmanos, e quando as hordas mongóis de Genghis Khan conquistaram partes da Pérsia no início dos anos 1200, muitos erroneamente creditaram o ataque às forças de Preste João. O reino fantástico mais tarde tornou-se um tema de fascínio para os viajantes e exploradores. Marco Polo contou uma história duvidosa a respeito de enfrentar seus remanescentes no norte da China, Vasco da Gama e outros marinheiros portugueses tentaram encontrá-lo na África e na Índia.

Os exploradores, por fim, acabaram por descobrir uma civilização cristã, na distante Etiópia. Apesar das igrejas suntuosas,  faltava a cristandade etíope a grandeza e o ouro que os europeus tinham associado com o reino do Preste João. Além disso, o cristianismo praticado na Etiópia era bem diferente do europeu. Lá pelo século XVII, a lenda havia desaparecido e o famoso império foi retirado da maioria dos mapas.


2 – Hy Brazil

John Cabot
Muito antes dos europeus terem pisado no Novo Mundo, os exploradores  já procuravam a ilha de Hy-Brazil, um atol espectral que os mitos diziam estar localizado ao largo da costa oeste da Irlanda. A história da ilha vem, provavelmente, de lendas celtas, mas as suas origens exatas não são claras. Hy-Brazil começou a aparecer em mapas no século XIV, geralmente sob a forma de uma pequena ilha circular, dividida por um estreito. Muitos marinheiros a consideraram como um lugar real até 1800, e a ilha tornou-se um fecundo nascedouro de mitos e contos populares. Certas lendas a descreviam como um paraíso perdido, um tipo de utopia; outras diziam que ela estava perpetuamente obscurecida por uma cortina densa de névoa e só se tornava visível a  cada sete anos.

Apesar de sua reputação de lenda, Hy-Brazil foi amplamente procurada por exploradores com base na Grã-Bretanha,  durante o século XV. O navegador John Cabot lançou várias expedições para encontrá-la, e, supostamente, foi com essa  esperança que ele vez a famosa viagem até a costa da Terra Nova em 1497. Documentos do tempo de Cabot afirmam que exploradores anteriores a ele já haviam alcançado Hy-Brazil, levando alguns pesquisadores a argumentar que estes marinheiros podem, sem se darem conta,  terem viajado  para as Américas antes de Cristóvão Colombo.

Eduardo Bueno, em sua obra "A viagem do descobrimento", diz que o nome Brasil vem do celta "bress", que deu origem ao verbo inglês "to bless" (abençoar). Assim, "Hy Brazil" significaria "terra abençoada".


3 – Thule

Thule em um mapa de 1539
Objeto de fascínio  tanto para  exploradores antigos e  poetas românticos, bem como para ocultistas nazistas, Thule era um território imaginário supostamente localizado no gelado Atlântico norte, perto da Escandinávia. Sua lenda remonta ao século 4 a.C, quando o viajante grego Píteas  alegou ter viajado para uma ilha gelada além da Escócia, onde o sol raramente aparecia e mar e ar formavam uma estranha massa gelatinosa.

Muitos dos contemporâneos de Píteas duvidaram de suas alegações, mas a "distante Thule" permaneceu no imaginário europeu e passou a representar o lugar mais setentrional do mundo conhecido. Exploradores e pesquisadores tem identificado a ilha como sendo  a Noruega, ou a Islândia,  ou  ainda as Ilhas Shetland. A ilha talvez seja mais famosa por sua ligação com a Sociedade de Thule, uma organização esotérica que surgiu na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, que considerava Thule como o lar  ancestral da raça ariana. O grupo com sede em Munique contava com muitos dos futuros nazistas entre seus membros, incluindo Rudolf Hess, que mais tarde serviria como vice-Führer da Alemanha sob a ditadura de Adolf Hitler.

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4 – Eldorado

Pizarro parte em busca do Eldorado 
A partir do século XVI, exploradores e conquistadores europeus ficaram enfeitiçados pelos relatos de uma mítica cidade de ouro localizada nos confins inexplorados da América do Sul. A lenda teve sua origem nas histórias de "El Dorado", um rei sul-americano que, segundo os mitos,  cobria o corpo com pó de ouro e jogavas jóias e ouro em um lago sagrado como parte de um rito de coroação. Os boatos sobre esse lugar de riqueza incalculável atraíram aventureiros de toda a Europa e  inúmeras vidas foram perdidas em buscas infrutíferas para encontrar a cidade.

Uma das mais famosas expedições a procura do Eldorado ocorreu em 1617, quando o explorador inglês Sir Walter Raleigh viajou até o Rio Orinoco, em uma tentativa de encontrá-lo no que é hoje a Venezuela. A missão, é claro,  não descobriu nenhum vestígio da cidade dourada, e o Rei Jaime I mais tarde executou Raleigh depois que ele desobedeceu a uma ordem para não entrar em confronto com os espanhóis.

O Eldorado continuou a atrair a ganância  e a violência européias até o início de 1800, quando os cientistas Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland colocaram a cidade na categoria dos  mitos, depois de conduzirem uma expedição de pesquisa por toda a América Latina.


5 – Ilha de São Brandão

Ilha de São Brandão
A Ilha de São Brandão, conforme contavam as lendas,  era uma misteriosa recriação do Paraíso que  estava oculta em algum lugar do leste do Oceano Atlântico. O mito da ilha fantasma remonta a "Navigatio Brendani", ou "Voyage de Brendan", uma lenda irlandesa de 1.200 anos de idade, sobre o monge São Brandão, o Navegador. Conta a história, que  Brandão levou uma tripulação de marinheiros piedosos em uma viagem no século XI para encontrar a  famosa "Terra Prometida dos Santos." Depois de uma jornada difícil, sobre um mar muito violento,  Brandão e seus homens desembarcaram em uma ilha coberta de névoa; o lugar era cheio de frutas deliciosas e pedras brilhantes. A tripulação grata,  passou 40 dias a explorar a ilha, antes de voltar para a Irlanda.

Mesmo sem nenhuma prova histórica da viagem de São Brandão, a lenda se tornou tão popular durante a era medieval que a " Ilha de São Brandão " fazia parte de muitos mapas do Atlântico. Os cartógrafos de início a  colocaram perto da Irlanda, depois ela migrou para a costa do norte da África, a seguir,  para as  ilhas Canárias e, finalmente, para os Açores. Os marinheiros frequentemente alegavam terem tido vislumbres fugazes da ilha durante a época dos Descobrimentos, e é bem provável que até mesmo Cristóvão Colombo tenha acreditado em sua existência. No entanto, a lenda foi desvanecendo, depois que  várias expedições não conseguiram encontrar o lugar sagrado. Por volta do século XVIII, a "Terra Prometida dos Santos"  havia  sido retirada da maioria das cartas de navegação.

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6 – O Reino de Saguenay

Jacques Cartier
A história do Reino de Saguenay remonta à década de 1530, quando o explorador francês Jacques Cartier fez sua segunda viagem para o Canadá em busca de ouro e uma passagem noroeste para a Ásia. Quando Cartier navegava ao longo do Rio São Lourenço, na região no que é hoje a  moderna Quebec, os guias iroqueses da expedição começaram a sussurrar histórias sobre "Saguenay," um vasto reino que supostamente se estendia para o norte. De acordo com um chefe chamado Donnacona, o misterioso reino era rico em especiarias, peles e metais preciosos; o lugar seria habitado por pessoas loiras, cujos homens eram barbudos com pele pálida. As histórias descambaram para o absurdo quando os nativos começaram a dizer que a região também era o lar de raças de pessoas com uma perna só e tribos inteiras que não possuíam ânus, mas Cartier ficou cego pela perspectiva de encontrar Saguenay e saquear suas riquezas. Ele  levou Donnacona para a França, onde o chefe continuou a espalhar os boatos sobre o  reino perdido.

As lendas sobre Saguenay  assombrariam os exploradores franceses na América do Norte por vários anos, mas os caçadores de tesouros nunca encontraram qualquer vestígio da mítica terra de abundância ou de seus estranhos habitantes. A maioria dos historiadores agora rejeita o relato, considerando-o  como um mito, mas alguns argumentam que os nativos, na verdade, estavam falando sobre  os depósitos de cobre no noroeste do Canadá. Ainda outros sugerem que o Reino de Saguenay, conforme descrito pelos iroqueses,  pode ter sido inspirado por um secular posto avançado nórdico, que sobrara das viagens vikings à América do Norte.