10 eventos que levaram o mundo à Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial foi causada por uma combinação de vários fatores, mas acima de tudo, o conflito se originou das tensões entre as potências do Velho Mundo e da crise do sistema de balança de poder que dividia a Europa em duas frentes. De um lado,  Grã-Bretanha, França e  Rússia (Tríplice Entente) esforçavam-se para preservar o frágil equilíbrio entre as grandes potências europeias, do outro, que se formou em torno do Império Alemão, do Império Austro-Húngaro e da Itália (Potências Centrais) o objetivo era desafiar a ordem vigente para impor suas próprias políticas expansionistas. Examine nessa postagem dez eventos específicos que levaram a humanidade a um dos conflitos militares mais devastadores da história.

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Artilheiros franceses tentam derrubar um avião, uma das raras fotografias coloridas da Primeira Guerra Mundial



10 – A Guerra Franco-Prussiana

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Oficiais alemães prestam homenagem aos prisioneiros franceses feridos, 1876 (Édouard Detaille).

A guerra entre a França e a Prússia (o futuro Império Alemão), durou de 1870 a 1871 e terminou com uma humilhante derrota para a França. Ela perdeu as regiões da Alsácia e Lorena e foi obrigada a pagar uma enorme indenização à Prússia. A Guerra Franco-Prussiana levou à criação de um poderoso império alemão, com um potencial militar e industrial capaz de perturbar ainda mais o equilíbrio do poder europeu. O conflito também gerou entre os franceses um ressentimento generalizado e um forte desejo de vingança.


9 – Ascensão de Guilherme II ao trono alemão

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O Imperador Guilherme II com Hermine, sua segunda esposa e com a filha, a princesa Henriette.

Com a ascensão  de Guilherme II ao trono alemão em 1888, a política externa alemã tornou-se mais belicosa. O novo imperador alemão rejeitou o hábil Otto von Bismarck como chanceler. Ele também se recusou a renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia, um acordo que mantinha a frágil paz entre a Rússia e a Áustria-Hungria, bem como manteve a França isolada. Dessa forma, Guilherme II ajudou a criar uma aliança entre a França e a Rússia (formada em 1892), que  se tornou a base para a futura Tríplice Entente.


8 – A Guerra Russo-Japonesa

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Batalha do Rio Yalu, em 1904.

A disputa entre  russos e japoneses sobre a Manchúria e a Coréia, atingiu seu auge com a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). O resultado do conflito contra os japoneses foi um grande golpe para os russos, que perderam quase toda a frota do Báltico e do Pacífico. A derrota também provocou uma grave crise política que levou à Revolução Russa de 1905. Além disso, a Guerra  Russo-Japonesa  colocou um fim às ambições russas no Extremo Oriente e, como resultado, o governo czarista concentrou a sua atenção na Europa, mais especificamente para as Balcãs. Isto intensificou a velha rivalidade com a Áustria-Hungria, que também tinha um grande interesse nos Balcãs.


7 –  A Entente Cordiale

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O militarismo, principalmente o crescimento do  poder naval dos alemães, convenceu a Grã-Bretanha de que a Alemanha logo se tornaria a potência dominante do continente. A fim de criar um contrapeso ao Império Alemão, os britânicos decidiram entrar em uma aliança com a França, com uma série de acordos que ficaram conhecidos como Entente Cordiale. Em 1907, a Grã-Bretanha também entrou em uma aliança com a Rússia, que já estava aliada com a França. Isso formou a Tríplice Entente, que por sua vez, tornou-se o núcleo dos Aliados durante a Primeira Guerra Mundial.


6 – As Crises Marroquinas

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Uma coluna de tropas francesas em movimento em um acampamento de tendas em Marrocos, 30 de março de 1912.

As Crises Marroquinas - a Crise de Tânger (1905-1906) e a Crise de Agadir (1911) - levaram as potências europeias à beira da guerra. Ambas foram provocadas pelos alemães com o objetivo de abalar as relações entre França e Grã-Bretanha, que  tinham formado uma aliança em 1904. O resultado, no entanto, foi o oposto. Em vez de trazer a  Grã-Bretanha mais para perto das Potências Centrais, as Crises Marroquinas reforçaram ainda mais a Entente Cordiale e aumentaram a hostilidade britânica para com a Alemanha.


5 – Crise Bósnia

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Capa do periódico francês Le Petit Journal sobre a crise da Bósnia: o Príncipe Fernando I da Bulgária declara independência e é proclamado czar,  o imperador austríaco Francisco José anexa a Bósnia e Herzegovina, enquanto que o sultão otomano Abdul Hamid II apenas observa.

Em 1908, a Áustria-Hungria decidiu anexar a Bósnia-Herzegovina aos seu domínios, uma região que oficialmente era parte do Império Otomano. A anexação dessas províncias, na prática ocupadas pela Monarquia Dual desde 1878, entrava em choque direto com os interesses da Sérvia, que estava intimamente relacionada com a região, tanto do ponto de vista étnico como geográfico. A Sérvia foi apoiada pelo governo czarista e a crise persistiu até 1909. A Rússia, entretanto, não conseguiu o apoio firme da França ou da Grã-Bretanha e como Viena era apoiada pela Alemanha, os russos não tiveram escolha, a não ser a de aceitar a anexação da Bósnia-Herzegovina. A Sérvia também se viu obrigada a recuar e a crise terminou. Mas o relacionamento entre  Rússia, Sérvia  e Áustria-Hungria estava irremediavelmente abalado. A anexação da Bósnia-Herzegovina provocou um profundo ressentimento entre o povo  sérvio, também, a forma como foi realizada, humilhou o governo russo que não podia aceitar pacificamente outra humilhação semelhante, como a ocorrida durante a crise de julho de 1914.


4 – A Guerra Ítalo-Turca

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Tropas italianas enfrentando forças turcas em Trípoli, em 1911.

A Guerra Ítalo-Turca, que teve lugar entre 1911 e 1912, não representou qualquer ameaça maior para a paz na Europa. Mas a derrota turca revelou a fraqueza do exército otomano e deixou evidente o desacordo existente entre as potências européias sobre as chamadas questões orientais, ou seja, qual seria o destino do decadente Império Otomano. A guerra entre o Reino da Itália e o Império Otomano também foi um forte incentivo para a Liga das Balcãs invadir e  capturar a península balcânica dos turcos, a revelia das decisões das grandes potências.


3 – A Guerra das Balcãs

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Forças búlgaras  esperam para começar o ataque contra Adrianópolis, atual Edirne.

Em 1912, Sérvia, Grécia, Montenegro e Bulgária formaram a Liga das Balcãs, uma aliança militar contra o Império Otomano. Dentro de alguns meses, os aliados balcânicos despojaram o Império Otomano de suas posses nas Balcãs e dividiram o território conquistado entre si. Em junho de 1913, a Bulgária voltou-se contra a Sérvia e a Grécia, seus antigos aliados, devido a uma disputa sobre a partição da Macedônia. Mas os búlgaros foram derrotados dentro de apenas um mês e forçados a desistir de suas reivindicações. O sucesso da Liga Balcânica chocou a maioria dos potentados europeus.  No entanto, o fato perturbou especialmente a Áustria-Hungria, que se opunha veementemente a um  estado sérvio forte e influente. Viena via a Sérvia tanto como um rival nos Balcãs bem como uma ameaça direta, porque temia que seu pequeno vizinho pudesse se tornar no futuro, o núcleo de um poderoso estado sul-eslavo. As Guerras Balcânicas aumentaram ainda mais a determinação dos estadistas austro-húngaros em  tomar medidas concretas para evitar o fortalecimento da  Sérvia.


2 – O Assassinato do Arquiduque Francisco Fernando da Áustria

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Francisco Fernando e Sofia deixando a Câmara Municipal de Sarajevo minutos antes do atentado que os matou.

Em 28 de junho de 1914, um grupo de conspiradores de um movimento revolucionário chamado Mlada Bosna ( Jovem Bósnia) assassinou o herdeiro presuntivo austro-húngaro, o arquiduque Francisco Fernando e sua esposa Sofia, enquanto eles  visitavam Sarajevo. Uma vez que o assassino Gavrilo Princip e seus cinco cúmplices eram sérvios bósnios, a Monarquia Dual acusou a Sérvia de estar por trás do assassinato. O evento desencadeou o curso dos acontecimentos que diretamente levaram à eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas não a causou. A Áustria-Hungria já estava determinada a eliminar a ‘ameaça sérvia’ antes do assassinato de seu herdeiro presuntivo e só precisava de uma desculpa para declarar guerra ao seu vizinho dos Balcãs.


1 – O Ultimato de Julho

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Gavrilo Princip (direita) sendo preso após assassinar o arquiduque Francisco Fernando.

Em 23 de julho de 1914, a Áustria-Hungria apresentou um ultimato à Sérvia. Viena, no entanto, intencionalmente impôs exigências impossíveis de serem cumpridas, a fim de que pudesse declarar guerra ao seu vizinho por ele  ter "orquestrado" o assassinato do arquiduque Francisco Fernando. Poucos dias depois, as tropas austro-húngaras invadiram a Sérvia. Começava a devastadora Primeira Guerra Mundial.

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