Quando falamos das contribuições da Grécia Antiga para o mundo moderno, somos obrigados a citar a democracia, os jogos olímpicos, a mitologia, a filosofia, a arquitetura, o teatro, entre outras tantas. Não é nenhum segredo que a Grécia, apesar de ser um pequeno ponto no mapa,  é amplamente considerada como a mãe da civilização ocidental. Quase tudo relacionado à cultura do Ocidente nasceu lá, contudo, há muito mais invenções associadas aos gregos do que a maioria das pessoas imagina. Com esta lista, queremos não só esclarecer, mas de certa maneira surpreender, mostrando como algumas invenções consideradas modernas, tem suas origens  na Grécia Antiga.


10 – Faróis

Farol de Alexandria

Durante o século 3 a.C, os gregos construíram em Alexandria, um farol para guiar com segurança os navios ao porto da cidade. Alexandria, localizada no Egito, estava sob o controle da Grécia naquela época, seu nome é uma homenagem a Alexandre, o Grande. À noite, era aceso um fogo enorme dentro da torre do farol; os capitães de navio podia vê-lo de longas distâncias no mar, dando-lhes uma ideia clara de para onde estavam indo. Durante o dia, uma grande nuvem de fumaça do fogo extinto, fornecia a mesma orientação. Esse farol foi projetado pelo arquiteto e engenheiro grego Sóstrato de Cnido. O farol de Alexandria é considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, ele foi o primeiro farol conhecido no mundo e permaneceu em operação  por mais de 1.500 anos.


9 – Portas automáticas

Porta automática

As portas automáticas foram inventadas na Grécia antiga para ajudar a sociedade politeísta. Como havia muitos deuses na Grécia, os sacerdotes e outras figuras religiosas de cada divindade tinham que manter o interesse das massas, garantindo assim, o fluxo de ofertas ao deus que serviam ( ou seria o deus que lhes servia? ). Para isso, eles criaram portas automáticas que eram colocadas dentro do altar, no lugar de adoração. Quando uma pessoa fazia uma oferta a um dos deuses, as portas do altar se abriam, graças a uma espécie de caldeira dentro dele. Esse mesmo recurso era usado para mover as estátuas do templo.

Acredita-se que Heron de Alexandria tenha projetado as primeiras portas automáticas, que funcionavam através de ar comprimido ou da pressão da água. Também existem evidências de que, quando alguém acendesse o fogo dentro do altar, uma chuva fina de água adocicada e aromatizada caía sobre os participantes do evento religioso no templo, enquanto que vários pássaros de metal  cantavam e assobiavam e estátuas se moviam ou voavam. Outras pesquisas tem fornecido evidências de que os sacerdotes podiam controlar a iluminação dentro e fora do templo, bem como produzir um nevoeiro artificial para dar a cerimônia um ar mais misterioso.


8 – Canhão

Você já se perguntou por que os antigos gregos permaneceram invencíveis por centenas de anos? Há  provas concretas de que na Grécia Antiga tenha surgido o primeiro canhão. Nos referimos a um canhão de vapor, projetado e fabricado por Arquimedes durante o cerco de Siracusa. Esta arma  era muito avançada para sua época e disparava balas que pesavam cerca de 26 kg, elas podiam cobrir uma distância de cerca de 1.100 metros. O canhão de Arquimedes é considerado pela maioria dos historiadores como sendo a primeira arma do mundo operada com vapor.


7 – Robôs e máquinas voadoras

Robô Grego

Embora possa parecer loucura, a verdade é que o primeiro robô foi projetado e criado por um matemático grego, também cientista e  general, chamado Arquitas em torno de 400 - 350 a.C.

Arquitas, conhecido como "o pai da engenharia mecânica" foi quem projetou e criou um pombo altamente avançado, feito de madeira, o engenho usava vapor comprimido para fazê-lo funcionar e voar. Em sua busca para aprender como os pássaros voavam, Arquitas decidiu criar o seu próprio pássaro para ajudá-lo a entender melhor as aves que estudava. Seu pássaro era capaz de voar entre 200 ou 300 metros antes de esgotar-se o vapor, um feito único, quando se leva em conta a época em que foi realizado. Apesar do fato de  Arquitas ter criado o pássaro mecânico para uma finalidade específica, ele "acidentalmente" deu ao mundo o primeiro robô e a primeira máquina voadora.


6 – Heliocentrismo

Antes de Copérnico publicar sua descoberta, os astrônomos gregos já haviam percebido que a Terra e o resto dos planetas giravam em torno de um Sol relativamente estacionário no centro do sistema solar. Muitos grandes pensadores e cientistas da Grécia Antiga, como Filolau, Heráclides do Ponto, Seleuco de Selêucia, Aristarco de Samos e Hipátia (que, de acordo com uma versão da história, foi assassinada por suas crenças e estudos científicos),  propuseram uma sistema heliocêntrico quase dois mil anos antes de Copérnico. Muitos historiadores e astrônomos acreditam que Aristarco de Samos pode ter sido o primeiro a construir um sistema heliocêntrico científico completo. Infelizmente, o seu trabalho foi perdido no caminhar dos tempos. Baseado em um dos seu ensaios que chegou aos nossos dias, os estudiosos também especulam que Aristarco  provavelmente tenha sido o primeiro cientista a calcular quase precisamente o tamanho da Terra e a mediu o tamanho e distância da Lua e do sol.

Veja também: 10 pontos em comum entre ciência e religião


5 – Moinho de água

Existem evidências de que os seres humanos tem utilizado os moinhos desde Período Neolítico; mós e pilões feitos de rochas, usados para moer trigo, foram datados como sendo daquela época. No século 16 a.C, a primeira forma de um moinho, conhecido como quern, foi encontrada onde é hoje a moderna Chipre. Os primeiros indícios de um moinho de água foram achados na roda da Perachora, que se estima ter sido criada durante o terceiro século a.C, na Grécia. Ruínas de moinhos semelhantes aos que usamos hoje, podem ser vistos na Ágora de Atenas, o que faz muitos historiadores cogitar que o uso de moinhos  já estava bem adiantado na Grécia, antes do domínio romano. No entanto, a primeira prova concreta para a existência de um moinho de água vem dos escritos do engenheiro grego Filão de Bizâncio, que menciona em uma de suas obras, as rodas de água usadas em Alexandria, durante o período helenístico. Assim, este invento pode ter sido criado na Grécia entre 250 e 240 a.C.


4 – Torre de relógio e estação meteorológica

Torre dos Ventos

A Torre dos Ventos

Quando as pessoas pensam em torres de relógio, geralmente lhes vem à mente o famoso Big Ben. Quando se trata de estações meteorológicas, a primeira imagem evocada seja normalmente a de um monte de neve, Antártica ou algum solitário dentro de um abrigo repleto de tecnologia incrível e máquinas complicadas  capazes de salvar o mundo de tsunamis gigantes. No entanto, a primeira torre de relógio e a primeira estação meteorológica vieram da ensolarada Atenas. A Torre dos Ventos em Atenas, bem abaixo da Acrópole, foi a primeira torre de relógio e estação meteorológica que se tem notícia. Ela ajudava os comerciantes locais a estimar o tempo de entrega de seus produtos e, ao mesmo tempo, ajudava a proteger a sua carga de condições climáticas extremas. Acredita-se que esta torre tenha sido construída em 47 a.C. Hoje, ela ainda pode ser admirada pelos milhões de turistas que visitam Atenas todos os anos, uma vez que ainda está na antiga Ágora, localizada em um dos mais belos e visitados bairros do mundo: Plaka.


3 – Relógio despertador

O relógio de Platão

O primeiro dispositivo despertador da história também foi uma criação grega. Para ser mais específico, ele veio do grande filósofo Platão, é por isso que é conhecido como "O despertador de Platão”.

Platão inventou um relógio despertador e deu-lhe a forma de uma ampulheta. O recipiente superior, feito de cerâmica, recebia uma quantidade calculada de água, que descia para o próximo vaso através de um funil. Quando o segundo recipiente ficava cheio, no momento programado (por exemplo, depois de 7 horas), através da pipeta axial localizada dentro dele, a água evacuava rapidamente para  próximo recipiente fechado, forçando o ar contido a sair assobiando através de um tubo em sua parte superior. Um ruído irritante o suficiente para acordar uma pessoa. Após isso, o terceiro recipiente se esvaziava lentamente (por meio de um pequeno furo situado na sua parte inferior) em direção ao recipiente de armazenagem inferior, a fim de  que á água fosse  reutilizada.


2 – Aquecimento central

Aquecimento central dos gregos

Mesmo que os romanos levem o crédito pela invenção do aquecimento central, na verdade, também foram os gregos quem inventaram isso. Antes dos romanos criarem o sistema hipocausto, os minóicos já colocavam canos sob o chão de suas casas, por onde passava água morna que mantinha as salas e pisos quentes no inverno. Os cidadãos mais ricos, que podiam pagar pela melhor tecnologia, construíam suas casas de modo que o piso de cerâmica fosse apoiado por pilares cilíndricos, criando um espaço sob o piso onde os vapores quentes de um fogo central podiam circular e se espalhar através de condutos nas paredes. Estas invenções foram discutidas em 1900, quando o arqueólogo britânico Arthur Evans desenterrou o Palácio de Knossos, na ilha grega de Creta, e apresentou ao mundo moderno uma das civilizações mais avançadas e completas da história - a civilização minoica.


1 – Chuveiro

Chuveiro grego

Da próxima vez que você tomar um banho quente, agradeça aos gregos antigos. Os romanos podem ser famosos pelos banhos públicos, mas foram os gregos que inventaram os modernos chuveiros. As primeiras casas de banho com chuveiros semelhantes aos que temos hoje, com água que vem através do tubo de uma bomba, foram inventados e amplamente utilizados por atletas da Grécia Antiga. Após o treinamento, geralmente em um Gymnasion  ou em uma Palaestra, os atletas tomavam uma ducha fria nos vestiários, já que a higiene pessoal era muito importante na Grécia Antiga.

E ainda existe pessoas acreditando que as pirâmides foram construídas por alienígenas!

Lá se vão quase 70 anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial; entanto, o partido nazista e seus símbolos permanecem vivos na memória de muitos como alegorias de pura maldade. Curiosamente, várias coisas que nós agora associamos com o nazismo, já tiveram significados bem diferentes. Geralmente, significados inocentes e pacíficos, como veremos nesta lista.


10 – Os escritos de Nietzsche

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Se pensarmos no movimento nazista, inevitavelmente os escritos de Friedrich Nietzsche virão à tona. A verdade da questão é, houve um membro da família Nietzsche que  realmente apoiou a doutrina da superioridade das raças teutônicas, assim como o Partido Nazista. No entanto, esse Nietzsche foi Elizabeth, e não Friedrich. O famoso filósofo viveu seus últimos anos sob os cuidados de sua mãe até a morte dela em 1897, depois, ele ficou sob os cuidados de sua irmã, Elisabeth Foster Nietzsche até  em 1900, ano de seu falecimento.

Elisabeth era casada com Bernhard Foster, um ferrenho defensor da superioridade ariana. Após o colapso mental de seu irmão, Elisabeth ficou como curadora dos trabalhos dele. Sendo esposa de um racista ariano, ela apoiou, com entusiasmo, o movimento nazista. Os escritos de seu irmão foram editados, distorcidos, mal interpretados e usados para validar as opiniões do Terceiro Reich. Quando Elisabeth morreu em 1935, o funeral dela foi assistido por Hitler, bem como por outros membros proeminentes do partido nazista.


9 – A música de Wagner

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Há muito debate quanto à possibilidade ou não de Richard Wagner, em seus últimos anos, ter seguido os ensinamentos racistas de Arthur de Gobineau. Obviamente, nunca saberemos se Wagner teria apoiado ou não o movimento nazista, já que ele  morreu em 1883. Sabe-se no entanto, que Hitler era um fã devotado da música e das óperas de Wagner desde muito jovem. Durante o reinado de Hitler na Alemanha, Wagner foi celebrado, convertendo-se, em muitos aspectos, na trilha sonora oficial do nazismo. A música de Wagner tornou-se tão entrelaçada com Hitler e o nazismo, que realizá-la em Israel é extremamente controverso até os dias atuais.


8 – O passo de ganso

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O "passo de ganso" é um estilo de marcha desenvolvido originalmente no século 18 pelo comandante prussiano Leopoldo I, Príncipe de Anhalt-Desau. O estilo de marcha não era usado exclusivamente pelos europeus continentais ou somente pelos alemães. No século 19, o exército britânico também usou uma variação do passo em desfiles militares.

Estudos mostram que  atividades harmonizadas em  grupo, fortalecem a lealdade do individuo para com o grupo. Talvez sabendo disso, os líderes nazistas promoveram marchas, com o passo de ganso ou com cantos rítmicos. A idéia era criar uma cultura que promovesse os ideais do grupo sobre os interesses do próprio indivíduo. De qualquer maneira, marchar no estilo  passo de ganso, é agora uma sutil imagem para  caracterizar um exército como  seguindo a linha nazista. O artificio é muito usado em filmes, como nessa cena do Rei Leão [ Veja o vídeo ].


7 – A palavra “ariano”

Neonazismo

Nos dias de hoje, a palavra "ariano" evoca imagens da supremacia branca. Originalmente, porém, ela era uma palavra sânscrita associada ao subcontinente indiano. A definição da palavra em sânscrito é nobre ou civilizado. Nos tempos antigos, o subcontinente indiano era conhecido como "Aryavarta".

Os defensores da supremacia branca, incluindo os nazistas, usaram a palavra como parte de uma proposta de  “religião do sangue”. Assim, ela tornou-se associada com o conceito de purificação racial. Para nós, quando a ouvimos, certamente a associamos com  imagens de campos de concentração e a pregadores do racismo, tendo sido o seu significado original relegado ao esquecimento.


6 – A palavra holocausto

Auschwitz

Hoje em dia, a palavra holocausto tem apenas um significado real para a maioria das pessoas, e ele não é nada agradável. Holocausto é o termo comum para o extermínio da raça judia pelos nazistas, como parte de sua "Solução Final". No entanto, no grego antigo, a palavra holocausto denominava um sacrifício religioso que seria completamente consumido pelo fogo.

Na verdade, os judeus preferem que a palavra "shoah" seja usada para descrever o que os nazistas lhes fizeram; "shoah" é uma palavra hebraica que significa "tragédia". O argumento é que referir-se à tentativa de extermínio de uma raça inteira, como uma oferenda queimada para uma divindade, não é um bom modo de honrar os que tombaram vítimas dessa loucura.


5 – Um verso do Hino Nacional Alemão

Deutschlandlied ou "Das Lied der Deutschen" significa "Canção dos Alemães" é o hino nacional da Alemanha. No entanto, o primeiro verso, muitas vezes referido como o verso "uber alles", foi  cantado euforicamente durante a Alemanha de Hitler. A fim de dissociar-se do nazismo, a Alemanha moderna mudou o inicio do hino diretamente para o terceiro verso, excluindo o primeiro (o segundo verso era um preenchimento comparativamente bobo sobre o vinho e as mulheres, sendo, portanto, facilmente excluído também).

Considera-se também ser um gafe cantar o verso quando equipes alemãs sagram-se vitoriosas em competições internacionais. Então, sim; devido à associação nazista, um verso inteiro no hino nacional alemão não é mais cantado em seu próprio país.


4 – O triângulo rosa

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Prisioneiros homossexuais, usando triângulos rosa em Sachsenhausen, 1938

Antes da Segunda Guerra Mundial, um triângulo rosa não tinha nenhuma conotação particular. No entanto, na Alemanha nazista, triângulos rosa foram usados para identificar os homossexuais (principalmente homens) nos campos de concentração nazista. Os números variam, mas havia provavelmente mais de 50.000 homens aprisionados por serem homossexuais. Esse homens eram muitas vezes usados como cobaias para experimentos científicos, e freqüentemente, eram castrados.

No início da década de 1970, o triângulo rosa se tornou um símbolo da perseguição aos homossexuais, assim como o do orgulho gay. O símbolo também foi adotado por ativistas da Aids na década de 1980. Hoje, o triângulo rosa é um símbolo internacional do orgulho gay e da conscientização sobre a Aids. No entanto, ele provavelmente seria algo banal hoje, se não tivesse sido primeiro associado com a perseguição nazista.


3 – O nome Adolf

O nome Adolf era muito popular, bem como muito comum, no século 19 e início do século 20. O nome é na verdade uma derivação composta de duas palavras do alto alemão:  "Adal" ou "athal", que significa "nobre" ou "alto", e "wulf" que significa "lobo." Algo muito parecido com Rudolf que significa "fama do lobo."

Quanto a Adolf, certamente podemos perceber o apelo de um nome que essencialmente se traduz como "Nobre Lobo." Contudo, estando associado a Hitler, o nome está demonizado para sempre, segundo me parece. Para se ter uma ideia, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, apenas vinte bebês nascidos na Grã-Bretanha receberam o nome de Adolf.


2 – O bigode “escova de dentes”

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O "bigode escova de dentes" está tão associado com Hitler e ao Partido Nazista, que é difícil até mesmo imaginar qualquer outra pessoa usando-o. Esse estilo foi popularizado pela primeira vez por marinheiros americanos e britânicos no final do século 19 e início do século 20. Dizem que  as mulheres alemãs não gostavam muito que seus homens  usassem o "bigode ao jeito americano".

Hitler, quando jovem, na verdade usava um bigode mais cheio conhecido como  Kaiserbart. Várias teorias foram desenvolvidas para explicar a razão de Hitler ter optado pelo "escova de dentes." Ele poderia ter sido simplesmente influenciado por um estilo muito popular da época. No entanto, Alexander Moritz Frey, que serviu como médico no mesmo regimento que Hitler durante a Primeira Guerra Mundial, afirmou que Hitler foi obrigado  a mudar o visual. O motivo era que com o bigode menor, sua máscara de gás se encaixaria melhor no rosto. Seja qual for a razão, o bigode escova de dentes está para sempre associado a Adolf Hitler, simplesmente porque ele o usava.


1 – A suástica

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O símbolo da suástica tem milhares de anos, o nome  vem de uma antiga palavra sânscrita que significa "estar bem". A suástica, antes da Alemanha nazista, nada mais era do que um amuleto de boa sorte.

Mesmo sendo essencialmente oriental em sua origem; a suástica  adornava uniformes de times de hóquei e de basquete, era o símbolo da força aérea finlandesa até 1945, e,  até mesmo, ornamentava lojas judaicas em Nova York. Desde a Segunda Guerra Mundial, o símbolo tornou-se um ponto de acaloradas controvérsias. No Oriente, ele  ainda é usado e reverenciado em rituais hindus, budistas e jainistas. No Ocidente, dificilmente a suástica é desassociada do nazismo e de sua máquina de guerra.

Quando a fotografia entrou em cena na década de 1830, os cientistas logo perceberam que ela poderia revelar segredos de mundos invisíveis, desde bactérias microscópicas até  galáxias distantes. Alguns também acreditavam que a câmera poderia ir mais longe do que a mera  imagem de uma superfície por si só,  na opinião desses homens, a fotografia poderia fornecer informações sobre o funcionamento interno do corpo, da mente e até mesmo do exato momento da morte. As fotografias mais extremas do século 19 foram feitas por cientistas que buscavam respostas para perguntas sérias sobre a natureza da nossa existência. Um desses homens foi o francês Guillaume Duchenne.

Guillaume Benjamin Amand Duchenne (Boulogne-sur-Mer, 17 de setembro de 1806 — Paris, 15 de setembro de 1875) foi um médico neurologista francês. Graças a suas contribuições sobre os efeitos da eletricidade no ser humano, é considerado o pai da Eletroterapia, recurso terapêutico utilizado por fisioterapeutas no tratamento, reabilitação e cura de diversas doenças. Wikipédia

Em 1862, Duchenne quis testar a teoria popular de que o rosto estava diretamente ligado à alma. Ele já havia feito alguns experimentos onde aplicava choques elétricos em músculos lesionados de pacientes e argumentava que, se pudesse aplicar correntes elétricas no rosto de um sujeito, ele poderia estimular os músculos e fotografar os resultados. O problema era que, embora fosse fácil ativar respostas físicas com choques elétricos, a maioria das pessoas relaxava imediatamente após o choque ter passado, rápido demais para uma câmera da época ser capaz de registrar.

Um sapateiro, paciente do hospital onde Duchenne trabalhava, sofria da paralisia de Bell. Essa doença causa paralisia facial, o que significava que o sapateiro ficaria com sua expressão por alguns minutos, depois de receber o tratamento de eletro-choque; tempo suficiente para o fotógrafo  registrar sua expressão.

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Duchenne submeteu o sapateiro a mais de 100 sessões, aplicando eletrodos em várias partes de seu rosto a fim de  extrair uma  gama variada de emoções. Enquanto isso, Paul Tournachon batia as fotografias.  Os resultados foram publicados em Mecanisme de la physionomie Humaine. A obra foi apreciada por muitos intelectuais da época, entre eles Charles Darwin.

Ainda que a experiência seja aterradora e desumana aos nossos olhos, algo de bom saiu dela. Duchenne conseguiu determinar que, quando uma pessoa expressa um sorriso genuíno, alguns músculos específicos são ativados. Na fisiologia, o sorriso autêntico é chamado de sorriso de Duchenne.

A Primeira Guerra Mundial foi causada por uma combinação de vários fatores, mas acima de tudo, o conflito se originou das tensões entre as potências do Velho Mundo e da crise do sistema de balança de poder que dividia a Europa em duas frentes. De um lado,  Grã-Bretanha, França e  Rússia (Tríplice Entente) esforçavam-se para preservar o frágil equilíbrio entre as grandes potências europeias, do outro, que se formou em torno do Império Alemão, do Império Austro-Húngaro e da Itália (Potências Centrais) o objetivo era desafiar a ordem vigente para impor suas próprias políticas expansionistas. Examine nessa postagem dez eventos específicos que levaram a humanidade a um dos conflitos militares mais devastadores da história.

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Artilheiros franceses tentam derrubar um avião, uma das raras fotografias coloridas da Primeira Guerra Mundial



10 – A Guerra Franco-Prussiana

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Oficiais alemães prestam homenagem aos prisioneiros franceses feridos, 1876 (Édouard Detaille).

A guerra entre a França e a Prússia (o futuro Império Alemão), durou de 1870 a 1871 e terminou com uma humilhante derrota para a França. Ela perdeu as regiões da Alsácia e Lorena e foi obrigada a pagar uma enorme indenização à Prússia. A Guerra Franco-Prussiana levou à criação de um poderoso império alemão, com um potencial militar e industrial capaz de perturbar ainda mais o equilíbrio do poder europeu. O conflito também gerou entre os franceses um ressentimento generalizado e um forte desejo de vingança.


9 – Ascensão de Guilherme II ao trono alemão

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O Imperador Guilherme II com Hermine, sua segunda esposa e com a filha, a princesa Henriette.

Com a ascensão  de Guilherme II ao trono alemão em 1888, a política externa alemã tornou-se mais belicosa. O novo imperador alemão rejeitou o hábil Otto von Bismarck como chanceler. Ele também se recusou a renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia, um acordo que mantinha a frágil paz entre a Rússia e a Áustria-Hungria, bem como manteve a França isolada. Dessa forma, Guilherme II ajudou a criar uma aliança entre a França e a Rússia (formada em 1892), que  se tornou a base para a futura Tríplice Entente.


8 – A Guerra Russo-Japonesa

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Batalha do Rio Yalu, em 1904.

A disputa entre  russos e japoneses sobre a Manchúria e a Coréia, atingiu seu auge com a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). O resultado do conflito contra os japoneses foi um grande golpe para os russos, que perderam quase toda a frota do Báltico e do Pacífico. A derrota também provocou uma grave crise política que levou à Revolução Russa de 1905. Além disso, a Guerra  Russo-Japonesa  colocou um fim às ambições russas no Extremo Oriente e, como resultado, o governo czarista concentrou a sua atenção na Europa, mais especificamente para as Balcãs. Isto intensificou a velha rivalidade com a Áustria-Hungria, que também tinha um grande interesse nos Balcãs.


7 –  A Entente Cordiale

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O militarismo, principalmente o crescimento do  poder naval dos alemães, convenceu a Grã-Bretanha de que a Alemanha logo se tornaria a potência dominante do continente. A fim de criar um contrapeso ao Império Alemão, os britânicos decidiram entrar em uma aliança com a França, com uma série de acordos que ficaram conhecidos como Entente Cordiale. Em 1907, a Grã-Bretanha também entrou em uma aliança com a Rússia, que já estava aliada com a França. Isso formou a Tríplice Entente, que por sua vez, tornou-se o núcleo dos Aliados durante a Primeira Guerra Mundial.


6 – As Crises Marroquinas

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Uma coluna de tropas francesas em movimento em um acampamento de tendas em Marrocos, 30 de março de 1912.

As Crises Marroquinas - a Crise de Tânger (1905-1906) e a Crise de Agadir (1911) - levaram as potências europeias à beira da guerra. Ambas foram provocadas pelos alemães com o objetivo de abalar as relações entre França e Grã-Bretanha, que  tinham formado uma aliança em 1904. O resultado, no entanto, foi o oposto. Em vez de trazer a  Grã-Bretanha mais para perto das Potências Centrais, as Crises Marroquinas reforçaram ainda mais a Entente Cordiale e aumentaram a hostilidade britânica para com a Alemanha.


5 – Crise Bósnia

Bosnian_Crisis_1908

Capa do periódico francês Le Petit Journal sobre a crise da Bósnia: o Príncipe Fernando I da Bulgária declara independência e é proclamado czar,  o imperador austríaco Francisco José anexa a Bósnia e Herzegovina, enquanto que o sultão otomano Abdul Hamid II apenas observa.

Em 1908, a Áustria-Hungria decidiu anexar a Bósnia-Herzegovina aos seu domínios, uma região que oficialmente era parte do Império Otomano. A anexação dessas províncias, na prática ocupadas pela Monarquia Dual desde 1878, entrava em choque direto com os interesses da Sérvia, que estava intimamente relacionada com a região, tanto do ponto de vista étnico como geográfico. A Sérvia foi apoiada pelo governo czarista e a crise persistiu até 1909. A Rússia, entretanto, não conseguiu o apoio firme da França ou da Grã-Bretanha e como Viena era apoiada pela Alemanha, os russos não tiveram escolha, a não ser a de aceitar a anexação da Bósnia-Herzegovina. A Sérvia também se viu obrigada a recuar e a crise terminou. Mas o relacionamento entre  Rússia, Sérvia  e Áustria-Hungria estava irremediavelmente abalado. A anexação da Bósnia-Herzegovina provocou um profundo ressentimento entre o povo  sérvio, também, a forma como foi realizada, humilhou o governo russo que não podia aceitar pacificamente outra humilhação semelhante, como a ocorrida durante a crise de julho de 1914.


4 – A Guerra Ítalo-Turca

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Tropas italianas enfrentando forças turcas em Trípoli, em 1911.

A Guerra Ítalo-Turca, que teve lugar entre 1911 e 1912, não representou qualquer ameaça maior para a paz na Europa. Mas a derrota turca revelou a fraqueza do exército otomano e deixou evidente o desacordo existente entre as potências européias sobre as chamadas questões orientais, ou seja, qual seria o destino do decadente Império Otomano. A guerra entre o Reino da Itália e o Império Otomano também foi um forte incentivo para a Liga das Balcãs invadir e  capturar a península balcânica dos turcos, a revelia das decisões das grandes potências.


3 – A Guerra das Balcãs

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Forças búlgaras  esperam para começar o ataque contra Adrianópolis, atual Edirne.

Em 1912, Sérvia, Grécia, Montenegro e Bulgária formaram a Liga das Balcãs, uma aliança militar contra o Império Otomano. Dentro de alguns meses, os aliados balcânicos despojaram o Império Otomano de suas posses nas Balcãs e dividiram o território conquistado entre si. Em junho de 1913, a Bulgária voltou-se contra a Sérvia e a Grécia, seus antigos aliados, devido a uma disputa sobre a partição da Macedônia. Mas os búlgaros foram derrotados dentro de apenas um mês e forçados a desistir de suas reivindicações. O sucesso da Liga Balcânica chocou a maioria dos potentados europeus.  No entanto, o fato perturbou especialmente a Áustria-Hungria, que se opunha veementemente a um  estado sérvio forte e influente. Viena via a Sérvia tanto como um rival nos Balcãs bem como uma ameaça direta, porque temia que seu pequeno vizinho pudesse se tornar no futuro, o núcleo de um poderoso estado sul-eslavo. As Guerras Balcânicas aumentaram ainda mais a determinação dos estadistas austro-húngaros em  tomar medidas concretas para evitar o fortalecimento da  Sérvia.


2 – O Assassinato do Arquiduque Francisco Fernando da Áustria

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Francisco Fernando e Sofia deixando a Câmara Municipal de Sarajevo minutos antes do atentado que os matou.

Em 28 de junho de 1914, um grupo de conspiradores de um movimento revolucionário chamado Mlada Bosna ( Jovem Bósnia) assassinou o herdeiro presuntivo austro-húngaro, o arquiduque Francisco Fernando e sua esposa Sofia, enquanto eles  visitavam Sarajevo. Uma vez que o assassino Gavrilo Princip e seus cinco cúmplices eram sérvios bósnios, a Monarquia Dual acusou a Sérvia de estar por trás do assassinato. O evento desencadeou o curso dos acontecimentos que diretamente levaram à eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas não a causou. A Áustria-Hungria já estava determinada a eliminar a ‘ameaça sérvia’ antes do assassinato de seu herdeiro presuntivo e só precisava de uma desculpa para declarar guerra ao seu vizinho dos Balcãs.


1 – O Ultimato de Julho

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Gavrilo Princip (direita) sendo preso após assassinar o arquiduque Francisco Fernando.

Em 23 de julho de 1914, a Áustria-Hungria apresentou um ultimato à Sérvia. Viena, no entanto, intencionalmente impôs exigências impossíveis de serem cumpridas, a fim de que pudesse declarar guerra ao seu vizinho por ele  ter "orquestrado" o assassinato do arquiduque Francisco Fernando. Poucos dias depois, as tropas austro-húngaras invadiram a Sérvia. Começava a devastadora Primeira Guerra Mundial.

A maioria dos americanos gosta de pensar que suas forças armadas são uma ferramenta para a preservação da liberdade e do bem-estar das pessoas de todo o mundo. Gerações de soldados norte-americanos tem, de fato, realizado façanhas nobres e heróicas em defesa desses valores.  No entanto, desde os primórdios da nação, encontrar-se com os militares dos Estados Unidos  quase sempre significou morte e destruição, em vez de liberdade e justiça. Desde a Revolução Americana até a atual  guerra contra o terror, os soldados americanos tem participado em inúmeras  atrocidades, de uma forma ou de outra, como veremos a seguir.


10 – O massacre de Balinga

Durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, as forças americanas capturaram as Filipinas. De certa maneira, os americanos foram vistos como libertadores, já que os filipinos vinham lutando contra o imperialismo espanhol durante anos; contudo, eles não estavam dispostos a servir novamente a outra nação estrangeira. Seguiu-se então a Guerra Filipino-americana.

Depois de sofrer pesadas baixas nas mãos de insurgentes filipinos na província de Samar, o General Jacob H. Smith buscou vingança contra a população civil. Ele ordenou aos seus soldados:  "Eu não quero nenhum prisioneiro. Desejo que todos sejam mortos e queimados, quantos mais vocês matarem e queimarem, mais ficarei satisfeito. "

As tropas do General Smith iniciaram uma campanha de genocídio. Todos os nativos com mais de dez anos de idade e capazes de portar armas foram executados, outros milhares foram levados para  campos de concentração.

Infelizmente, essas ações foram apenas um microcosmo da gigantesca brutalidade que foi a ocupação das Filipinas pelos americanos. Estima-se que pelo menos 34 mil filipinos  morreram como resultado direto da guerra, e outros 200.000 pela epidemia de cólera que se espalhou entre os refugiados e os jogados em campos de concentração.


9 – O massacre de No Gun  Ri

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Quando as forças norte-coreanas lançaram um ataque surpresa contra a Coréia do Sul em 25 de junho de 1950, soldados americanos mal treinados que estavam aquartelados em Tóquio foram levados para a península. A invasão criou uma enorme crise de refugiados, com milhares de  civis fugindo dos exércitos que se aproximavam. Temendo a infiltração de espiões que poderiam se apresentar como civis, o comando americano ordenou que nenhum civil coreano fosse autorizado a atravessar as linhas de batalha.

No mesmo dia que essas ordens foram emitidas, cerca de 400 refugiados que se encontravam em uma ponte, perto da aldeia de No Gun Ri, foram indiscriminadamente massacrados por forças americanas.

Os americanos  inicialmente negaram qualquer envolvimento no incidente, afirmando que suas tropas não estavam nas proximidades no momento do massacre. No entanto, mais detalhes do caso tem surgido nos últimos anos, graças aos depoimentos tanto de sobreviventes quanto de perpetradores do massacre. Como um veterano americano lembra: "Havia um tenente gritando como um louco, fogo em todos, matem todos ...  "

Infelizmente, este foi apenas o primeiro de muitos massacres realizados pelas forças americanas na Coréia, massacres que só vieram à tona nos últimos anos. Não houve justiça para os sobreviventes coreanos. A única pessoa a enfrentar acusações por crime de guerra na Coréia, o capitão Ernest Medina, foi absolvido pela corte marcial.


8 -  O massacre de  Gnadenhutten

Viver como colono na fronteira durante a Revolução Americana, era viver em um lugar isolado, brutal e violento. Linhas de frente eram inexistentes e não havia cavalheirismo na guerra de fronteira. Há certamente inúmeras atrocidades que a história nunca descobrirá, mas uma que se destaca é o massacre de Gnadenhutten.

Em 8 de março de 1782, 160 milicianos da Pensilvânia cercaram a aldeia de Gnadenhutten, no leste de Ohio. Os moradores da vila eram índios, cristãos, pacíficos e neutros na luta. No entanto, os milicianos os acusaram de conduzir ataques em toda a Pensilvânia e estavam dispostos a executar cada habitante da aldeia.

Os índios foram divididos em duas cabanas, uma para os homens e outra para as mulheres e crianças, e, em seguida, espancados até a morte antes de serem escalpelados. Ao todo, noventa e seis, dos cem índios,  foram escalpelados e mortos; toda a aldeia foi incendiada. Um sobrevivente se escondeu na mata, outros  três sobreviventes conseguiram avisar as aldeias vizinhas.


7 - O campo de prisioneiros em Andersonville

Você pode pensar que esta imagem seja a de um prisioneiro recém-libertado dos campos de concentração nazistas. Mas este homem, na verdade era um soldado da União, aprisionado no campo de prisioneiros em Andersonville, Geórgia, durante a Guerra Civil Americana.

A vida para os soldados de ambos os lados do conflito era uma experiência angustiante, não importa onde estivessem estacionados. No entanto, sem dúvida, o pior lugar para se estar em toda a guerra era a prisão militar do Acampamento Sumter, em Andersonville. Sendo a maior prisão da Confederação, o campo havia sido projetado para uma capacidade máxima de 10.000 prisioneiros. Em agosto de 1864, o número de presos chegara a 33.000.

As condições no campo eram um pesadelo. Os confederados estavam desesperadamente sem provisões para si mesmos, o que significava que os prisioneiros de guerra ficavam quase sem nada. Os homens não tinham abrigo do sol durante o verão escaldante ou da chuva fria de inverno. O pequeno riacho que corria através do campo tornou-se tanto um banheiro comum bem como a única fonte de água potável. Consequentemente, o número de mortes por doenças e fome subia drasticamente. Dos 45.000 homens mantidos na prisão, cerca de 12 mil morreram e foram enterrados em valas comuns ao redor do acampamento.

Quando a guerra terminou, Henry Wirz, o comandante de Andersonville,  foi preso, julgado por um tribunal militar e enforcado. Ele foi a única pessoa de ambos os lados do conflito, executada por crimes de guerra durante a Guerra Civil Americana.


6 – O massacre de Dachau

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O campo de concentração de Dachau, na Baviera, foi um dos campos de extermínio mais infames da II Guerra Mundial. Pelo menos 32 mil assassinatos documentados ocorreram lá, junto com milhares de vítimas desconhecidas que entraram no campo sem registros. Quando chegaram ao campo em 12 de abril de 1945, os soldados americanos se depararam com centenas de corpos espalhados por todos os lugares, o horror da cena levou muitos a perder o controle.

Durante o curso de libertação do campo, os soldados americanos mataram pelo menos cinqüenta guardas alemães. Alguns foram mortos tentando fugir, outros foram sumariamente executados. Embora esses assassinatos sejam obviamente indefensáveis dentro das regras modernas de guerra, essa atrocidade é sem dúvida a mais compreensível nesta lista. Ela é apenas um dos muitos casos de americanos que executam prisioneiros nazistas durante a invasão aliada, nenhum soldado foi processado por participar nessas mortes.


5 – O ataque à aldeia de Azizabad

Desde 2001, o Afeganistão tem visto constantemente mortes de civis nas mãos das forças americanas, seja por terra, por aviões de guerra e por ataques de drones. Um dos casos mais divulgados ocorreu na aldeia de Azizabad, na Província de Helmand, em 22 de agosto de 2008.

As forças americanas receberam informações de que Mullah Sidiq, um comandante talibã, estava a caminho de Azizabad, depois de ter emboscado tropas americanas. Durante a noite, aviões de guerra  AC-130  realizaram um ataque mortal na vila. As bombas mataram cerca de noventa civis, muitos dos quais eram crianças. Embora os Estados Unidos alegassem ter matado Sidiq no ataque e que a maioria das vítimas eram militantes do Talibã, Sidiq mais tarde surgiu ileso e investigações independentes concluíram que  se houvessem, eram poucos os militantes talibãs na aldeia.

Apesar da carnificina do evento, nenhum americano foi sequer processado por seu papel no ataque aéreo. No entanto, um afegão chamado Mohammed Nader foi condenado à morte pelas autoridades afegãs por ter fornecido informações  à OTAN que levaram ao ataque.


4 – O massacre de Kandahar

Este ataque é diferente, porque, ao contrário de outros na lista, foi realizado por um único soldado americano. Nas primeiras horas do dia 11 de março de 2012, o sargento Robert Bales sorrateiramente saiu de sua base no bairro de Panjawi, na província de Kandahar, e entrou em uma casa nas proximidades. Ele atirou em todos os dez residentes, matando seis. Bales retornou brevemente para a base antes de sair novamente para outra casa nas cercanias, onde ele matou mais doze e feriu outros dois. Das dezoito pessoas mortas naquele dia, nove eram crianças.

Após os assassinatos, Bales supostamente voltou para a base e prontamente confessou a seus superiores, simplesmente dizendo, "eu fiz isso."  Ele se declarou culpado em um tribunal militar, sendo, em agosto de 2013, condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.


3 – A prisão de Abu Ghraib

Semelhante a do Afeganistão, a ocupação americana do Iraque também testemunhou incontáveis atrocidades por parte das forças americanas. O mais conhecido desse  crimes foi o tratamento dado aos prisioneiros em Abu Ghraib. De outubro a dezembro de 2003, soldados norte-americanos, com pouca experiência em administrar uma prisão, realizaram atos incrivelmente sádicos sobre aqueles que lhes competia guardar. Muitos detidos foram humilhados, torturados, violados, sodomizados, e alguns até forma mortos nas mãos dos guardas.

Apesar de que houvesse atividades semelhantes ocorrendo em outras prisões iraquianas e afegãs, os abusos em Abu Ghraib só vieram à tona, tornando-se um escândalo mundial, em grande parte por causa da evidência fotográfica da tortura ( Cuidado: imagens chocantes ). Estas imagens de abuso foram amplamente divulgadas; publicações como The New Yorker  e 60 minutos denunciaram detalhadamente o crime. Como resultado, onze soldados foram condenados a penas de prisão, mas muitos dos soldados e empreiteiros privados supostamente envolvidos nos abusos nunca enfrentaram  julgamento.


2 – O massacre de Wounded Knee

Esta lista inteira poderia ser feita de injustiças horríveis perpetradas pelo governo dos Estados Unidos contra a população nativa americana do país. Uma das mais significativas foi o massacre de Wounded Knee. Este incidente na reserva Pine Ridge  foi o último grande conflito das Guerras Indígenas. Vinte  soldados foram agraciados com a Medalha de Honra após o massacre, mais do que em qualquer outra batalha única na história americana.

Em 29 de dezembro de 1890, a sétima cavalaria cercou um grupo de dacotas, incluindo mulheres e crianças, no Wounded Knee Creek. Os soldados exigiram que os dacotas entregassem suas armas, e estavam recolhendo-as quando a violência começou. Não está claro quem disparou primeiro, mas logo, um combate isolado entre os alguns nativos e militares americanos se transformou no caos, com o acampamento sendo atingido pelo fogo indiscriminado dos soldados. Os tiros de rifle e  dos canhões Hotchkiss ecoaram, ceifando centenas de vidas, soldados montados matavam à fio de espada os que tentavam fugir.

No momento em que tudo acabou, pelo menos 150 homens, mulheres e crianças do povo dacota tinham sido mortos e 51 feridos (4 homens, 47 mulheres e crianças, alguns dos quais morreram mais tarde); algumas estimativas colocam o número de mortos em 300. Vinte e cinco soldados americanos  também morreram e 39 ficaram feridos (seis dos feridos morreram mais tarde). Acredita-se que muitos tenham sido vítimas de fogo amigo, já que o tiroteio ocorreu em uma estreita faixa e em condições caóticas.


1 – O massacre de My Lai

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O massacre de My Lai é o crime de guerra mais famoso dos Estados Unidos e tornou-se uma espécie de referência com a qual todos os atos de selvageria militar americanos são comparados.

Em 16 de março de 1968 os homens da Companhia Charlie entraram na aldeia de My Lai, no Vietnã do Sul, para realizar uma missão de  "busca e destruição". Embora não houvesse sinais de tropas inimigas, os soldados receberam ordens para entrar na aldeia atirando. O incidente rapidamente transformou-se em violência e caos, com os homens da Companhia Charlie abrindo fogo contra os moradores desarmados da aldeia. Entre os aldeãos estavam muitas mulheres, crianças e velhos. Estima-se que mais de 300 civis foram mortos a tiros ou à baionetadas durante o curso de várias horas.

Apenas um soldado, William Calley Jr., foi condenado por participação no massacre. Ele cumpriu três anos e meio em prisão domiciliar. Talvez ainda mais perturbador do que a falta de punição pelo massacre de My Lai seja o fato de que o comportamento da Companhia Charlie foi aceito como normal entre as tropas americanas no Vietnã.  O coronel Oran Henderson comentou certa vez que “quase todas os soldados das companhias ansiavam por uma My Lai nas profundezas do seu coração” .

Cleópatra Thea Filopator, mais conhecida como apenas Cleópatra, é certamente, uma das figuras mais célebres da Antiguidade Clássica e, em geral, de toda a história. Essa personagem cativou a imaginação de milhões de pessoas em todas as épocas, tanto pela aura exótica que acompanhou a sua figura como rainha do Egito, bem como pelo seu relacionamento com Júlio César e Marco Antônio.

Essa fascinação com a última governante do período helenístico da terra dos faraós, se reflete também no mundo da artes, sendo Cleópatra retratada em muitas pinturas e esculturas. Uma das obras mais marcantes está preservada no Louvre, e é o trabalho de um seguidor misterioso de Leonardo da Vinci, um discípulo que os historiadores chamam de Giampietrino.

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Detalhe de 'A Morte de Cleópatra' por Benedetto Gennari | Crédito: Wikipédia.

Apesar dos poucos dados disponíveis sobre sua pessoa, agora os especialistas acreditam ter identificado este artista como sendo o pintor Giovanni Pietro Rizzoli, um lombardo cujas obras mostram a influência inconfundível do gênio florentino. No entanto, ao longo de décadas, a verdadeira identidade do artista permaneceu um enigma indecifrável para os pesquisadores.

Aparentemente, a pintura que ele fez com Cleópatra como protagonista, e que agora descansa nos fundos do Museu de Paris, foi feita em 1538, curiosamente, ela também retrata um episódio envolto em mistérios.

A cena captada por Giampietrino não é outra senão a do suicídio de Cleópatra, um evento que  tem sido objeto de controvérsia nos textos históricos que falam sobre a morte da sedutora representante da dinastia ptolemaica.

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'A Morte de Cleópatra' por Giampietrino | Crédito:. Wikipédia

Fontes romanas nos contam que a rainha egípcia se suicidou quando ela percebeu as intenções de Augusto de levá-la como prisioneira para Roma. De acordo com Estrabão, autor do texto mais antigo sobre o assunto, na época circulavam duas versões: a primeira alegava que Cleópatra tinha se untado com uma unguento tóxico; a segunda, dizia que ela morreu por causa do veneno de uma cobra egípcia que lhe mordera um peito.

No entanto, apenas alguns anos mais tarde, já circulavam diferentes versões do acontecido: por exemplo, dez anos após o desaparecimento de Cleópatra, poetas romanos falavam que foram duas víboras, e não apenas uma, as responsáveis por dar fim à vida da rainha egípcia.

As  versões só aumentaram com o passar dos tempos, sendo que muitos autores descartaram a versão das cobras, defendendo em vez dela,  a de que foi Augusto quem matou Cleópatra. Mais recentemente, no entanto, historiadores como o alemão Christoph Schaeffer sugerem que, possivelmente, a rainha do Nilo foi envenenada tomando uma bebida feita da mistura de plantas tóxicas.

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'A Morte de Cleópatra' por Hans Makart | Crédito: Wikipédia.

Seja como for, ao analisarmos as várias representações artísticas que foram feitas do fato ao longo da história, não há dúvida de que a hipótese que mais cativou os artistas foi a da serpente. Precisamente a usada por Giampetrino em sua pintura.

Além do seguidor de Leonardo da Vinci, muitos outros artistas se deixaram seduzir pela inquietante imagem de uma Cleópatra dando fim a existência por meio da mordida de uma víbora em um dos seios. Entre eles, por exemplo, se destacam as pinturas dos italianos Guido Reni e Benedetto Genari e a do historicista austríaco Hans Makart.