Desde a Revolução Industrial até à nossa época, o homem tem criado as maiores e mais sofisticadas invenções que conhecemos. Esse fato nos leva a presumir que quase tudo o que usamos no dia a dia é relativamente moderno. Talvez nos surpreenda saber que muitas das coisas do nosso cotidiano, já eram comuns à  civilizações antigas, há milhares de anos. Por exemplo: todos os 10 itens dessa  lista foram inventados antes do nascimento de Cristo.


10 - Madeira compensada

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A primeira ocorrência conhecida do uso de madeira compensada é do Antigo Egito, por volta de 3.500 a.C, quando os artigos de madeira foram feitos a partir de folheados colados transversalmente. Isso aconteceu devido a uma escassez de madeira nobre. Folhas finas de madeira de alta qualidade eram coladas sobre um substrato de madeira de qualidade inferior, para efeito estético. Esse modo de usar o compensado ocorreu várias vezes ao longo da história.


9 – Encanamento

Tubos de canalização de barro padronizados, com flanges largas seladas com asfalto para impedir vazamentos, apareceram nos assentamentos urbanos da Civilização do Vale do Indo, por volta de 2.700 a.C. Com o encanamento, as antigas civilizações, como a grega, romana, persa, indiana e chinesa, desenvolveram banhos públicos, forneciam água potável para a população e faziam a  drenagem dos resíduos. O aperfeiçoamento dos sistemas de canalização foi muito lento, com praticamente nenhum progresso feito desde o tempo do sistema romano de aquedutos até o uso dos canos de chumbo, já no século XIX.


8 – Patins de gelo

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De acordo com um estudo feito por Federico Formenti, da Universidade de Oxford, e Alberto Minetti, da Universidade de Milão, os finlandeses foram os primeiros a desenvolver patins de gelo, cerca de 5.000 anos atrás, a partir de ossos de animais. Isso foi importante para as populações finlandesas que precisavam economizar energia em condições de inverno rigoroso. O primeiro patim utilizando uma lâmina de metal foi encontrado na Escandinávia, sendo datado de 200 d.c, ele era feito com uma tira  de cobre dobrada e fixada na parte inferior de um sapato de couro.


7 – Perfume

Considera-se que a primeira química do mundo, tenha sido uma mulher chamada Tapputi, uma fabricante de perfumes mencionada em uma tábua cuneiforme, do segundo milênio a.C, na Mesopotâmia. Ela destilava flores, óleo e cálamo com outros compostos aromáticos, em seguida, filtrava, repetindo esse processo várias vezes. Recentemente, arqueólogos descobriram o que se acredita ser os perfumes mais antigos do mundo em Pyrgos, no Chipre. Os perfumes tem mais de 4.000 anos e foram descobertos em uma antiga perfumaria. Pelo menos 60 tigelas, funis e frascos de perfume foram encontrados nos 4 mil metros quadrados da fábrica. Quatro dos perfumes foram recriados a partir de resíduos encontrados no local.


6 – Metrologia e calibração

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Os habitantes da Civilização do Vale do Indo desenvolveram um sofisticado sistema de padronização, usando pesos e medidas, conforme evidências encontradas em escavações feitas na região. Sistemas de calibração também foram encontrados em dispositivos de medição, juntamente com várias subdivisões métricas no caso de alguns dispositivos. A metrologia existiu de uma forma ou de outra, desde a antiguidade. As primeiras formas de metrologia eram simplesmente padrões arbitrários estabelecidos por autoridades regionais ou locais, muitas vezes com base em medidas práticas, tais como o comprimento de um braço.


5 – Lentes

A lente de Nimrode é uma peça 3.000 anos, feita de quartzo, que foi descoberta por Henry Layard Austen no palácio assírio de Nimrode. Ela pode ter sido usado como uma lente de aumento, ou como um vidro para iniciar fogo, concentrando a luz solar. Os artesãos assírios fizeram gravuras intrincadas, e podem ter usado uma lente similar em seu trabalho. O cientista italiano Giovanni Pettinato, da Universidade de Roma, propôs que a lente foi usada pelos antigos assírios, como parte de um telescópio, o que explicaria porque esse antigo povo, tinha um conhecimento profundo de astronomia.


4 – Aquecimento central

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As cidades do norte,  durante o Império Romano, usaram sistemas de aquecimento central a partir de cerca de 1.000 a.C. O ar aquecido por fornos era conduzido através de espaços vazios sob os pisos e por tubulações nas paredes - um sistema conhecido como um hipocausto. Hipocaustos foram usados ​​para aquecer os banhos públicos e casas particulares. O piso era elevado acima do solo por pilares, e espaços eram deixados dentro das paredes para que o ar quente e a fumaça do forno (praefurnium) passasse pelos aposentos, saindo pelas chaminés no telhado, aquecendo, mas sem poluir o interior da casa. Um sistema semelhante de aquecimento central foi utilizado na Coréia antiga, onde é conhecido como ondol. Na imagem acima você pode ver as seções sob o piso, onde o ar aquecido fluía.


3 – Cirurgia de catarata

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Os primeiros registros da cirurgia de catarata são da Bíblia, bem como de escritos hindus. A cirurgia de catarata era conhecida do médico indiano Sushruta , no sexto século antes de Cristo. Na Índia, a cirurgia de catarata era realizada com uma ferramenta especial chamada Jabamukhi Salaka, uma agulha curva utilizada para soltar  e empurrar a catarata para fora do campo de visão. O olho então, era embebido com manteiga e depois enfaixado. Embora este método tenha sido  bem sucedido, Sushruta advertia que a cirurgia de catarata devia ser realizada apenas quando absolutamente necessária.


2 – Broca do dentista

Há evidências arqueológicas sugerindo que a odontologia já era praticada no Vale do Indo por volta de 7.000 a.C. Esta primeira forma de odontologia envolvia curar doenças dentárias utilizando-se brocas manuseadas por indivíduos qualificados. A reconstrução dessa antiga forma de odontologia mostrou que os métodos utilizados eram fiáveis ​​e eficazes. Cavidades de 3,5 mm de profundidade com ranhuras concêntricas, indicam o uso de uma ferramenta de perfuração. A idade dos dentes foi estimada em 9.000 anos.


1 – Cirurgia plástica

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A cirurgia plástica é uma das mais antigas formas de cirurgia praticada. Operações de reconstrução de nariz, provavelmente foram realizadas na Índia antiga já em 2000 a.C, quando a amputação do nariz era uma forma de punição. Discursões sobre tal cirurgia também aparecem em antigos tratados gregos e romanos. Na foto acima, vemos Walter Yeo, o primeiro homem a se beneficiar da cirurgia plástica moderna. A imagem da direita foi tomada após Yeo receber um enxerto de pele.

Sem dúvida, a Segunda Guerra Mundial é a maior fonte contemporânea de relatos sobre heroísmo e coragem. Muitas são também, as histórias por vezes curiosas, não obstante, terem sido escritas com o sangue e a dor dos povos envolvidos no conflito. Recentemente eu conheci uma dessas narrativas, onde ironia, patriotismo e futebol se misturam de maneira surpreendente, fazendo deste caso um dos mais interessantes que já li. Trata-se das proezas de Bernhard Trautmann.

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Bernhard Trautmann nasceu em Bremen, no ano de 1923. Desde sua juventude, ele foi seduzido – igual a outros milhões de jovens alemães – pelo discurso nacional socialista de Adolf Hitler, se engajando na Juventude Hitlerista. Quando a guerra teve início, Trautmann não titubeou em alistar-se na Luftwaffe para lutar pelo seu país, para defender o que acreditava ser uma causa justa. Ele foi então enviado para a recém invadida Polônia, onde desempenhou a função de operador de rádio.

Mais tarde, Trautmann, sendo paraquedista, foi transferido para a Frente Oriental e teve que lutar contra o Exército Vermelho. Ele conseguiu sobreviver a essa experiência, da qual retornou condecorado com a Cruz de Ferro por seus méritos no campo de batalha.

Trautmann também sobreviveu a um bombardeio aliado à cidade de Kleve, onde foi feito prisioneiro por dois soldados americanos, mas milagrosamente escapou da prisão. Pouco tempo depois, ele foi preso novamente, dessa vez por um esquadrão britânico, que o levou para um campo de prisioneiros na Bélgica.

Depois de passar algum tempo na prisão belga, Trautmann foi transferido para outro campo de prisioneiros em Malbury Hall, na Inglaterra. Nessa prisão, para aliviar o tédio, eram organizadas partidas de futebol entre os soldados britânicos e um grupo de prisioneiros. Trautmann, devido a ter participado em competições esportivas de alto nível, enquanto na Juventude Hitlerista, era o destaque nas peladas da prisão.

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Quando a guerra terminou, Trautmann não quis ser deportado para a Alemanha, ele sabia que seu país estava em ruínas e decidiu começar uma nova vida em solo inglês. Para sobreviver, o alemão trabalhava no que encontrava, muitas vezes em granjas, outras em fábricas e, nas horas de folga, ele se dedicava à sua paixão: o futebol. Trautmann jogava por um clube amador chamado St. Helens Town, nas cercanias da cidade de Wigan. Apesar de defender um clube sem nenhuma importância, a estatura e a agilidade de Trautmann como goleiro atraíram a atenção dos grandes times ingleses. Ele assinou seu primeiro contrato com a Manchester City para a temporada 1949 – 1950, contudo não foi bem recebido pela imprensa, tampouco pelos torcedores, que desprezavam o passado nazista do novo reforço. Até mesmo entre os jogadores do clube, cujo capitão, Eric Westwood, era um veterano do desembarque na Normandia, a presença de um "kraut" na equipe não era bem vinda.

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Não devemos nos esquecer que o exército alemão infligiu o maior ataque que a Inglaterra já sofrera em toda a sua história, por isso, não causa estranheza que os torcedores fossem aos treinos e aos jogos do Manchester carregando faixas que diziam: " Fora Alemão ". Apesar das dificuldades, Trautmann resolveu seguir em frente e mostrar toda a sua capacidade.

Com o tempo, as grandes atuações de Trautmann foram fazendo com que os fanáticos torcedores do Manchester City esquecessem o passado nazista do guarda metas. Eles já não o viam como o antigo inimigo, o arauto de um regime que quase destruiu a Inglaterra, mas sim como um grande goleiro, cujas defesas milagrosas garantiram várias vitórias para o seu amado clube. Somente os torcedores rivais ainda o insultavam das arquibancadas quando o time jogava fora de casa.
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Trautmann contra o Fulham, em 1950

Foi justamente jogando como visitante que Trautmann começou a converter-se em um mito. Em janeiro de 1950, o Manchester City viajou para Londres para jogar contra o Fulham, era a primeira vez do goleiro alemão na capital dos ingleses, desde sua chegada a Grã-Bretanha. Sua equipe passava por uma fase difícil e os donos da casa eram os favoritos, na verdade, esperava-se que goleassem o Manchester. Foi então que surgiu a figura colossal de Trautmann, a fazer defesas impossíveis, apesar de todos os insultos que vinham das arquibancadas. Naquela tarde, ele foi o herói do Manchester City, que venceu por 1 a 0. No final da partida, os jogadores adversários bateram palmas para Trautmann, abismados pela atuação do goleiro alemão, pouco a pouco, o gesto foi se espalhando pelas arquibancadas do Craven Cotttage. Os xingamentos se transformaram em aplausos. Nascia um mito.

Dez anos depois de ter chegado ao City, Bert Trautmann viveu uma experiência que aumentou ainda mais a reverência dos torcedores do clube pelo seu nome. Tendo sido eleito o melhor jogador do campeonato inglês de 1956, Bert ganhou fama por sua atuação na final da Copa da Inglaterra do mesmo ano, disputada contra o Birmingham. Restando 17 minutos para o término da partida, Trautmann acabou sofrendo uma grave lesão, após mergulhar nos pés do jogador Peter Murphy. Apesar da gravidade da lesão, ele continuou no jogo, tendo sido importante para manter o placar em 3 a 1. Seu pescoço estava visivelmente torto e, três dias depois, um raio-x mostrou que havia cinco vértebras deslocadas, sendo que uma delas estava partida em dois. A gravíssima lesão o afastou dos gramados por um ano.
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O momento da lesão, contra o Birmingham

Bert Trautmann jogou 545 partidas durante 15 temporadas na Football League. Em 2005 ele entrou para o The English Football Hall of Fame, sendo um dos poucos jogadores não britânicos a receber essa honraria. O goleiro alemão faleceu em 13 de julho de 2013, na Espanha. Ele tinha 89 anos.

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Embora a Primeira Guerra Mundial tecnicamente tenha ocorrido no mesmo século, a Segunda Guerra Mundial foi, sem dúvida, a guerra do século XX. Diferente do conflito anterior, que foi o culminar de eventos profundamente enraizados no século IXX, a Segunda Guerra Mundial   refletiu as tendências tecnológicas, políticas e culturais da época em que ocorreu. Um dos exemplos mais reveladores desse fato foi a propaganda. Os publicitários que os governos convocaram para vender a guerra, empregaram cada técnica, cada recurso, para convencer as pessoas, muitas vezes céticas, de que a carnificina e a destruição que assolava o mundo, estavam  sob controle e  eram absolutamente necessárias.

Naquele tempo, o cartaz de propaganda ainda era a ferramenta mais efetiva dos governos para informar, seduzir e convencer o povo. Agora, eles  são poderosas recordações da última vez que mundo inteiro tentou se destruir. Aqui estão dez dos mais impactantes cartazes da Segunda Guerra Mundial.


10 – I Want You for U.S. Army

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Talvez um dos mais famosos cartazes de propaganda de qualquer tempo, "Eu Quero Você para Exército dos EUA" foi, na verdade, encomendado para a Primeira Guerra Mundial. Baseado em um cartaz de recrutamento britânico igualmente icônico, esta imagem indelével se mostrou tão eficaz, que também foi amplamente utilizada na Segunda Guerra Mundial. Mesmo aos nossos olhos, viciados nas  mídias do século XXI, não é difícil ver por que tantos jovens atenderam à chamada. O rosto severo, mas paternal do ícone nacional Tio Sam, parece estar olhando diretamente em nossa alma, não importa de que forma olhemos para o cartaz. O apelo à honra e ao dever, para não mencionar o tom ligeiramente sinistro, foi suficiente para convencer inúmeros homens de boa vontade a alistar-se para uma turnê no Inferno. Se isso não é uma peça eficaz de propaganda, o que será?


9 - Um povo, um Reich, Um Führer!

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Enquanto a América usou uma figura de ficção vestida com as cores da bandeira americana, grande parte da propaganda da Alemanha contou com a imagem de Adolf Hitler. Hitler não inventou o fascismo ou o culto à personalidade que o alimentou, mas ele certamente aperfeiçoou esse ultimo. Hitler não era um homem particularmente atraente, mesmo para os padrões de sua época e em nenhuma hipótese estava perto do ideal ariano que ele tantas vezes exaltou, ele, no entanto, vendeu a sua imagem ao público alemão como símbolo inequívoco de todos os desejos e ambições do povo germânico. Um exemplo clássico disso é "Ein Volk, Ein Reich, Ein Führer!" Simplesmente: "Um  povo, um Império, um Líder". Essa peça de publicidade foi usada largamente em todas as terras conquistadas pelos alemães, para inspirar lealdade e um orgulho feroz no alemães étnicos que viviam nesses lugares. Ao contrário do olhar penetrante do Tio Sam, Hitler está olhando para o lado, para um futuro onde  os alemães seriam os mestres do mundo. Uma imagem poderosa e incrivelmente eficaz.


8 – Keep Calm and Carry On

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Enquanto Hitler e os nazistas alemães estavam ocupados, convencidos de seu destino glorioso, o governo britânico tentava desesperadamente convencer seus cidadãos de que sua nação não estava prestes a ser totalmente destruída. Em 1939, a maioria dos britânicos temia que num futuro muito próximo, milhões de soldados alemães  desembarcariam nas praias inglesas. O governo, a única grande potência que na época estava em guerra contra a Alemanha, sabia que, se naquele momento a Alemanha estava a perseguir suas outras ambições, logo ela voltaria sua plena fúria e atenção para o Reino Unido. Para manter o moral, o Ministério da Informação Britânico encomendou uma série de cartazes para lembrar os cidadãos de seu caráter nacional. A mais emblemática delas foi "Keep Calm and Carry On". Uma mensagem simples em negrito abaixo de uma imagem da coroa, mas uma mensagem que capturou a essência da identidade britânica. Curiosamente, apesar de milhões de exemplares terem sido impressos, o cartaz nunca foi amplamente exibido durante a guerra, só recentemente ele foi redescoberto e popularizado. Ele continua a ser um exemplo surpreendente de como algumas palavras e uma simples imagem podem capturar o espírito de uma nação inteira.


7 – A Pátria Está Chamando Você

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Uma vez que os russos entraram na guerra, eles produziram um cartaz de recrutamento que rivalizava com o chamado de Tio Sam em popularidade e eficácia. Em vez de usar uma figura de pai de olhos de aço para recrutar soldados para o seu dever patriótico, os russos usaram uma mulher. Com um olhar tão penetrante como o do Tio Sam, a Mãe Rússia olhou para as almas dos jovens russos e lembrou-lhes das mães, avós, esposas e irmãs que eles tinham perdido na brutal invasão alemã de sua terra natal. Ao apelar para o amor intenso do país que a maioria dos russos compartilhava, esse cartaz galvanizou o desejo de vingança que os homens russos sentiam. E esse  desejo manteve-se ardente quando os russos começaram a contra atacar as forças alemãs.

Veja também: 15 cartazes revolucionários da União Soviética


6 – Rise of Asia

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Para o americano médio, o britânico, ou russo que viam o Império Japonês rapidamente se alastrar por toda a Ásia, o Japão estava em uma corrida imperialista, subjugando qualquer um que ousasse ficar no caminho de sua ambição. Os japoneses, no entanto, viam a si mesmos e as suas conquistas de maneira muito diferente. Para eles, as invasões da Coréia, Taiwan, China, Filipinas, e das cadeias de ilhas do Pacífico Sul foram uma tentativa de aliviar a região de influência do lado ocidental, e criar, bem como liderar, uma asiática  "Esfera de Co-Prosperidade." Para reforçar ainda mais essa ideia e convencer o povo de suas novas colônias a aceitar a realidade do domínio japonês, eles criaram o cartaz "Rise of Asia". Mostrando um nobre soldado japonês rompendo as correntes do domínio ocidental e de pé sobre caricaturas dos derrotados Grã-Bretanha e Estados Unidos, o cartaz foi concebido para sinalizar que uma nova ordem estava nascendo, uma nova ordem que libertaria os povos oprimidos ao longo de toda a Ásia. Infelizmente, para os japoneses, suas ações nas terras conquistadas não convenceram ninguém e eles enfrentaram uma resistência sangrenta em quase todos os países que tentaram agregar ao seu império.


5 – This is the Enemy

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Uma das principais características da propaganda durante a guerra é a tentativa de apelar para todas os ideais e  emoções humanas, quer se trate de desejos nobres como a justiça e a liberdade, ou não tão nobres, como o ódio e o medo. Uma das ferramentas mais eficazes para seduzir as mentes e conquistar o apoio de uma população para a guerra, é o velho e conhecido racismo. Usada pelos exércitos desde a aurora dos tempos, a técnica funciona porque ela transforma os inimigos como algo menos do que humano, um flagelo que deve ser erradicado antes que ele destrua tudo o que amamos e prezamos. Há inúmeros exemplos de cartazes de propaganda racista da Segunda Guerra Mundial, mas um dos melhores exemplos foi o cartaz americano "Este é o inimigo." Chocante pelos padrões de hoje, ele mostra uma caricatura sorridente de um soldado japonês com olhos oblíquos e braços simiescos levando embora uma mulher branca nua. É uma imagem escura, enervante. Talvez a coisa mais assustadora sobre o cartaz é que ele não se destinava a criar uma nova imagem dos japoneses, mas sim, para reforçar uma já ampla e inquestionavelmente opinião que os americanos tinham sobre o povo do Japão.


4 - Be sure you have correct time!

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Cartazes racistas não eram utilizados apenas para atiçar o ódios  naqueles que ficavam em casa. O cartaz americano "Tenha certeza de ter a hora correta" usa uma imagem racista semelhante ao cartaz anterior para lembrar os soldados do valor operacional de manter seus relógios intactos, enquanto no campo de batalha.Com suas versões flagrantemente ofensivas das caricaturas de Hitler, Mussolini e Tojo, ele expressa o ódio que todos os soldados deveriam sentir por  seus inimigos. A animosidade vem fácil quando um grupo está tentando matar você e seus amigos, e as forças armadas americanas sabiam disso, toda chance que tiveram, inclusive em simples cartazes de instrução, os senhores da guerra lembraram os homens que lutaram por eles que os inimigos eram monstros que mereciam somente a morte e o desprezo.

Veja também: Os quadrinhos e a propaganda de guerra americana


3 - Loose Lips Sink Ships

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Racismo, é claro, não era a única forma eficaz de lembrar os membros das forças armadas de que eles precisavam manter a disciplina em todos os momentos. O cartaz britânico "Loose Lips Sink Ships" tem uma rima simples, uma imagem icônica gritante, e uma barra de vermelho escuro para alertar os soldados sobre os perigos de se falar fora de hora sobre as ações que eles estavam prestes a tomar. Soldados e marinheiros, muitas vezes lidavam com  longos períodos de inatividade, comuns na vida militar, sendo muito comum as fofocas. Infelizmente, a maioria dos planos militares dependem de sigilo. Levando em conta o fato de que as grandes potências da Segunda Guerra Mundial estavam planejando e executando alguns dos esforços militares mais complexos já realizados na história da humanidade, torna-se evidente o quanto de dano um soldado tagarela poderia causar. Daí a existência desse cartaz e de outros milhares semelhantes a ele.


2 – We Can Do It!

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Além da necessidade muito real de convencer os cidadãos a se inscreverem para o serviço militar, os governos também tinham que persuadir as pessoas que ficaram para trás da importância de seus esforços de guerra. Nos Estados Unidos, o que se viu foi uma incrível necessidade de trabalhadores qualificados para produzir os materiais que os Aliados precisavam para lutar contra o Eixo, muitos dos cartazes de propaganda mais memoráveis ​​foram os destinados à população civil. De longe, o mais emblemático  foi "We Can Do It". Um simples cartaz de uma mulher que trabalha (baseado na personagem real de "Rosie, a rebitadeira") flexionando seus músculos, deixa bem claro o novo poder das mulheres em toda a América. Ativas no serviço em fábricas em todo o país, essas mulheres eram parte vital do esforço de guerra dos EUA e, pela primeira vez na história do país, elas tornaram-se uma força econômica a ser considerada. Embora as coisas tenham mudado muito desde que a guerra terminou, o cartaz ainda é usado como um símbolo do poder feminino. Um poder só despertado pela necessidade, um poder que iria mudar a face do país para as gerações vindouras.


1 – Lembre-se do 7  de setembro

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Antes do dia 7 de dezembro  de 1941, poucos americanos sentiam que seu país deveria entrar na guerra. O isolacionismo era um sentimento popular em toda a esfera política, e a nação americana havia permanecido quase que inteiramente incólume da carnificina a acontecer nos outros lados do Atlântico e do Pacífico. A América estava feliz com o fornecimento de grandes quantidades de material de guerra para seus aliados, mas isso era o mais longe que a maioria das pessoas estavam dispostas a ir. Então, o Japão atacou Pearl Harbor. Mesmo que a agressão tenha sido um golpe quase fatal para a frota americana do Pacífico, ela foi um dos mais caros erros que o Japão poderia cometer. O gigante adormecido foi despertado e a entrada completa dos EUA na guerra era inevitável. Para estimular a raiva que os americanos sentiram, o governo produziu um dos mais comoventes cartazes de propaganda já feitos, "Lembre-se do 7 de dezembro ". Uma imagem do assombro de uma bandeira americana esfarrapada, resolutamente balançando contra um céu enegrecido pela fumaça das explosões. O cartaz capturou perfeitamente a emoção de seu público-alvo. E mais importante, inspirou que milhares de cidadãos americanos visitassem o escritório de recrutamento local.

Veja também: O ataque japonês a Pearl Harbor em 45 fotografias

Estas primeiras fotografias de Jerusalém foram tomadas em 1844 pelo artista e desenhista francês Joseph-Philibert Girault de Prangey (1804-1892), que trabalhava no Oriente Médio. Em 1844, Jerusalém era uma cidade pequena, com uma população de 15 mil pessoas, um cantinho na periferia do Império Otomano.

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Girault de Prangey estudou pintura em Paris na École des Beaux-Arts e em 1841 ele aprendeu a daguerreotipia, possivelmente do próprio Louis Daguerre ou de Hippolyte Bayard.

Surpreendentemente, as fotografias de Prangey  foram descobertos apenas na década de 1920 em um depósito de sua propriedade e, só se tornaram conhecidas 80 anos mais tarde.


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Prangey estava profundamente interessado na arquitetura do Oriente Médio, ele visitou a Itália e os países do Mediterrâneo Oriental entre 1841 e 1844, produzindo mais de 900 daguerreótipos de pontos de vista de arquitetura, paisagens e retratos.


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Para cada Cristóvão Colombo ou Vasco da Gama, houve outros aventureiros que foram aparentemente engolidos pela vastidão dos oceanos, florestas e desertos cujos mistérios eles tentaram explorar. Muitos destes aventureiros desapareceram,tornando-se fontes de especulação duradoura, às vezes, inspirando missões de resgate condenadas ao fracasso. Conheça os fatos de oito exploradores famosos que viajaram para os confins da terra, apenas para nunca mais serem vistos.


Gaspar e Miguel Corte-Real

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Em uma coincidência arrepiante, os dois irmãos portugueses Gaspar e Miguel Corte-Real, desapareceram durante viagens separadas para o litoral de onde é hoje o moderno Canadá. Em 1501, Gaspar liderou uma frota de três navios em uma expedição às costas da Terra Nova. Após aprisionar cerca de 60 nativos como escravos, ele encarregou o seu irmão Miguel, de transportá-los de volta a Portugal. Gaspar deveria seguir logo em seguida, mas tanto ele como o seu navio nunca mais foram vistos.

Miguel Corte-Real voltou para o Novo Mundo em 1502, em uma missão para resgatar seu amado irmão. Depois de chegar à Terra Nova, as suas três caravelas se separaram e começaram uma busca frenética pelo litoral. Mas, enquanto os outros dois navios mais tarde retornaram ao ponto de encontro, o navio de Miguel desapareceu sem deixar vestígios. O destino dos dois Corte-Reais permanece um mistério, mas há  evidências de que Miguel pode não ter morrido imediatamente após o seu desaparecimento. Em 1918, um professor da Universidade de Brown descobriu uma inscrição em uma pedra em Dighton, Massachusetts. Datada de 1511, a mensagem dizia: "Miguel Corte-Real, pela vontade de Deus, aqui foi feito líder dos índios".  Se verdadeira, essa inscrição sugere que Miguel conseguiu sobreviver no Novo Mundo, pelo menos por nove anos. Ainda mais surpreendente, elas implicam que ele tenha se juntado a uma tribo de nativos, talvez chegando até mesmo a liderá-la.


Percy Fawcett

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A implacável selva amazônica ceifou a vida de muitos aventureiros, mas talvez nenhum tão famoso como o coronel Percy Fawcett, que desapareceu em 1925, enquanto na busca de uma mítica cidade perdida. Uma das figuras mais interessantes de sua época, Fawcett tinha feito o seu nome durante uma série de expedições de cartografia nas florestas do Brasil e da Bolívia. Durante essas viagens, ele formulou uma teoria sobre uma cidade perdida chamada "Z", que ele acreditava existir em algum lugar na região inexplorada do Mato Grosso.

Em 1925, Fawcett e Jack, seu filho primogênito, mais um jovem chamado Raleigh Rimmell, partiram em busca da lendária cidade perdida. Mas, depois de uma carta final em que Fawcett dizia  estar a se aventurar em territórios não mapeados, o grupo desapareceu sem deixar rastros. Seu destino ainda é um mistério. Enquanto a sabedoria convencional sugere que os exploradores foram mortos por índios hostis, outras teorias culpam de tudo, desde a malária, à fome ou ataques de jaguar, para o desaparecimento da expedição. Alguns chegaram até a especular que os homens simplesmente se juntaram aos nativos e viveram o resto da suas vidas na selva. Seja qual for a causa, o desaparecimento do grupo impulsionou a imaginação de pessoas em todo o mundo. Nos anos após Fawcett  ter desaparecido, milhares de aspirantes a aventureiros montaram missões de resgate, e mais de 100 pessoas morreram durante a procura de algum sinal dele na imensidão da Amazônia.

Veja também: 10 aventureiros que nunca retornaram para casa


George Bass

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O marinheiro britânico George Bass é lembrado por descobrir o estreito entre a Austrália e a Tasmânia, mas ele é ainda mais famoso por desaparecer durante uma viagem à América do Sul, em 1803. Bass começou sua carreira como cirurgião em um navio da Marinha Real e ganhou reputação como um explorador ousado depois ter explorado a costa leste da Austrália em um pequeno navio chamado Tom Thumb.

Na esperança de ficar rico como um armador privado, Bass voltou para a Austrália no início de 1800, em um navio mercante chamado Venus. Quando sua carga não conseguiu alcançar um preço respeitável, Bass formulou um plano audacioso: viajar para a América do Sul e contrabandear riquezas do território espanhol. Ele partiu em fevereiro 1803, mas logo desapareceu com sua tripulação, no Oceano Pacífico, para nunca mais ser visto. Enquanto o Venus provavelmente foi perdido no mar, outra teoria defende que Bass e seus homens chegaram à costa do Chile, só para serem presos como contrabandistas e forçados a passar o resto de suas vidas labutando em uma mina de prata espanhola.


Jean-François de  Galaup Lapérouse

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Em 1785,  rei Luís XVI, da França, despachou o explorador Jean-François de Galaup Lapérouse em um grande expedição de cartografia ao redor do mundo. Depois de partir de Brest, o navegador contornou o Cabo Horn e passou os próximos anos examinando as costas da Califórnia, Alaska, Rússia, Japão, Coréia e Filipinas. Lapérouse chegou à Austrália em 1788, mas depois de deixar  Botany Bay, sua frota desapareceu. A expedição de resgate chegou em 1791, contudo, não encontrou nenhum vestígio de Lapérouse, de seus dois navios ou dos seus 225 tripulantes.

Demorou quase 40 anos antes de qualquer evidência sobre o destino do explorador surgir. Em 1826, um capitão de mar irlandês chamado Peter Dillon, descobriu com os nativos que um par de navios havia afundado perto da ilha de Vanikoro. Depois de navegar no local, Dillon recuperou âncoras e outros destroços, que mais tarde foram confirmados como partes dos dois navios de Lapérouse. Em uma reviravolta bizarra, os moradores também afirmaram que alguns dos homens, incluindo o "chefe" do grupo, haviam sobrevivido ao naufrágio, vivendo em Vanikoro por algum tempo, até construírem um precário barco e partirem para o mar. Se este "chefe" misterioso era de fato Lapérouse, isso significaria que o malfadado navegador sobreviveu por vários anos a mais do que originalmente se acreditava.


Sir John Franklin e Francis Crozier

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Sir John Franklin e Francis Crozier estavam entre os exploradores polares mais famosos do século XIX, e seu desaparecimento provocou uma série de missões de resgate por décadas. Em 1845, a dupla levou dois navios em uma expedição para descobrir a Passagem Noroeste, a rota que ligava os oceanos Atlântico e Pacífico. Mas depois de passar a ilha de Baffin, em julho daquele ano, a expedição desapareceu sem deixar vestígios.

Somente dois anos depois de uma equipe de busca chegar à Inglaterra, foi que alguns dos terríveis detalhes do destino dos exploradores finalmente vieram à luz. As investigações revelaram que os navios de Franklin e Crozier ficaram presos em um bloco de gelo durante o inverno de 1846-1847. A  expedição levara suprimentos para três anos, entretanto, todas as dispensas tinham sido seladas com chumbo, que certamente contaminou os alimentos dos marinheiros. A tripulação logo tornou-se debilitada e delirante, devido ao envenenamento por chumbo, e pelo menos 20 homens, incluindo Franklin, pereceram em meados de 1848. Os nativos que entraram em contato com a expedição, mais tarde afirmaram que Crozier tentou levar os sobreviventes para o  sul, em busca de ajuda. Acredita-se que a maioria, se não todos os homens, tenham morrido durante a viagem, e, evidências recentes mostram que alguns se renderam até mesmo ao canibalismo. Patrocinados pela viúva de Franklin, cerca de 50 navios, tempos depois, viajaram para o Canadá na tentativa de localizar a expedição perdida, mas os corpos de Franklin e Crozier, juntamente com os destroços dos seus dois navios, nunca foram recuperados.


Peng Jiamu

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Talvez o exemplo mais famoso de um explorador desaparecido em tempos modernos  seja o de Peng Jiamu, biólogo chinês que sumiu durante uma expedição ao deserto em 1980. Um dos mais amados aventureiros da China, Peng começou suas viagens no final de 1950. Participou de várias expedições científicas ao  deserto de Lop Nor, localizado ao noroeste da China,  muitas vezes descrito como um dos lugares mais secos do mundo. Em 1980, Peng liderou uma equipe de biólogos, geólogos e arqueólogos para Lop Nor, a fim de realizar uma nova pesquisa. Mas, depois de vários dias de viagem, ele abruptamente desapareceu de seu acampamento, depois de deixar um bilhete dizendo que estava saindo para encontrar água.

O governo chinês lançou uma busca maciça do deserto, porém, nenhum sinal de Peng  foi encontrado. De acordo com pessoas familiarizadas com os perigos do Lop Nor, o famoso biólogo foi provavelmente enterrado vivo por uma tempestade de areia ou esmagado por uma avalanche de terra solta. Seis esqueletos já foram recuperados de Lop Nor desde o desaparecimento do cientista, mas nenhum era o de Peng.