Os 10 gladiadores mais famosos da Antiga Roma


Na Antiga Roma, os gladiadores eram os  equivalentes dos lutadores do UFC. Suas batalhas na arena atraíam milhares de fãs, incluindo os homens mais importantes do dia. Tradicionalmente adquiridos como escravos, os gladiadores de sucesso arrebatavam milhares de simpatizantes, gostavam de presentes caros, e podiam até mesmo ganhar a liberdade, caso tivessem conquistado o número de vitórias suficientes. Nesse artigo estão descritos os dez gladiadores que experimentaram toda a glória e fama, tanto dentro como fora da arena, na Antiga Roma.

Tetraites

Tetraites foi originalmente descoberto por meio de pichações encontradas em Pompéia, em 1817, que ilustravam sua corajosa vitória sobre Prudes. Lutando no estilo mirmilão, ele usava uma espada curta, um grande escudo retangular, um capacete, protetores de braço e caneleiras. A extensão da fama de Tetraites só foi totalmente compreendida no final do século XX, quando foram encontradas cerâmicas em lugares tão distantes como a França e a Inglaterra, com ilustrações das vitórias do gladiador.

Pollice Verso, pintura de Jean-Léon Gérôme de 1872

Priscus e Verus

Não se sabe muito sobre esses dois rivais, apesar de sua luta final ser bem documentada. A batalha entre Prisco e Verus no primeiro século d.C. foi o primeiro combate de gladiadores no famoso Anfiteatro Flaviano, o Coliseu de Roma. Depois de uma vigorosa batalha que se arrastou por horas, os dois gladiadores se renderam um ao outro ao mesmo tempo, baixando suas espadas em respeito mútuo. A multidão, extasiada pela luta,  gritou em aprovação, e o Imperador Tito premiou a ambos com as rudis, uma pequena espada de madeira dada aos gladiadores no momento de sua aposentadoria. Priscus e Verus deixaram a arena como homens livres.

Spiculus

Spiculus, outro gladiador famoso do primeiro século d.C., teve uma especial relação de proximidade com o imperador Nero. Após inúmeras vitórias de Spiculus, Nero concedeu-lhe palácios, escravos e riquezas além da imaginação. Quando Nero foi deposto em 68 d.C., ele pediu a seus assessores para encontrar Spiculus, porque desejava morrer nas mãos do famoso gladiador. Mas Spiculus não pôde ser encontrado, então, Nero foi forçado a tirar a própria vida.

Marco Atílio

Apesar de ser um cidadão romano de nascimento, Atílio escolheu entrar na escola de gladiadores para tentar liquidar as pesadas dívidas contraídas durante a sua vida. Na primeira batalha ele derrotou Hilarus, um gladiador pertencente a Nero, que já havia vencido treze vezes seguidas. Em outro combate, Atílio derrotou Raecius Felix, que ganhara doze batalhas seguidas. Os feitos de Atílio foram narrados em mosaicos e pichações descobertas em 2007.

Carpoforo

Enquanto os outros gladiadores nesta lista são conhecidos por seus combates corpo-a-corpo contra outros seres humanos, Carpoforo era um famoso bestiarri. Esses gladiadores lutavam exclusivamente contra animais selvagens, e, sendo assim,  tinham carreiras muito curtas. Lutando no início do Anfiteatro Flaviano, Carpoforo ficou famoso por  derrotar um urso, um leão e um leopardo na mesma batalha. Em outro combate naquele dia, ele matou um rinoceronte com uma lança. No total, diz-se que ele matou vinte animais selvagens em um único dia, levando os fãs e os companheiros de arena a comparar Carpoforo com o mitológico Hércules.

Flamma

Flamma, um escravo sírio, morreu com a idade de trinta anos, depois de ter lutado trinta e quatro vezes e ter ganho vinte e um desses combates. Nove batalhas terminaram empatadas, sendo ele derrotado apenas quatro vezes. O mais admirável é que Flamma foi premiado com arudis quatro vezes. Quando a rudis era dada a um gladiador, ele era libertado e podia viver normalmente entre os cidadãos romanos, contudo, Flamma recusou a liberdade, optando por continuar a lutar na arena.
gladiadores

Cômodo

Notoriamente interpretado por Joaquin Phoenix no filme Gladiador, Cômodo foi um imperador apaixonado pelos combates na arena. Sendo um egocêntrico narcisista, Commodus via-se como o maior e mais importante homem do mundo. Ele acreditava ser Hércules, indo tão longe nessa crença a ponto de vestir uma pele de leão como a usada pelo famoso herói mitológico. Mas na arena, Comôdo geralmente lutava contra gladiadores que estavam armados com espadas de madeira e abatia  animais selvagens que estavam presos ou feridos.
Como você deve imaginar, a maioria dos romanos não apoiava Comôdo. Suas falsas proezas na arena eram vistas como desrespeitosas, suas vitórias previsíveis eram tidas como espetáculos enfadonhos. Em alguns casos, ele capturava cidadãos romanos com deficiências físicas  e os matava na arena. Como prova de seu narcisismo, Comôdo cobrava um milhão de sestércios para cada apresentação, embora ele nunca tenha sido exatamente "convidado" a se apresentar na arena. Comôdo foi assassinado no ano 192, e acredita-se que suas ações como um "gladiador" encorajaram o seu círculo íntimo a matá-lo.

Criso

Criso, um gladiador gaulês, era o braço direito do número um  desta lista. Ele teve um sucesso notável na arena, mas se ressentia profundamente  de seu Lanista  – o líder da escola de gladiadores e seu "dono". Então, depois de conquistar a liberdade, ele lutou em uma rebelião de escravos, ajudando a derrotar alguns exércitos enviados pelo senado romano com relativa facilidade.
Depois de uma discursão com o líder da rebelião, no entanto, Criso e seus homens se separaram do grupo principal e se dirigiram para o sul da Itália. Essa manobra desviou a atenção das forças militares inimigas do grupo principal, dando-lhes um tempo precioso para escapar. As legiões romanas alcançaram Criso antes que ele pudesse se vingar das pessoas que o oprimiram por tanto tempo.

Espártaco

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6.000 seguidores de Espártaco foram crucificados na estrada entre Roma e Cápua.  Fedor Andreevich Bronnikov de 1878

De longe o mais famoso gladiador da história, Espártaco era um soldado trácio que tinha sido capturado e vendido como escravo. Lêntulo Batiato, de Cápua, deve ter reconhecido seu potencial, porque comprou Espártaco  com a intenção de transformá-lo em um gladiador. Mas a independência feroz de um guerreiro não é facilmente domada: em 73 a.C., Espártaco convenceu setenta de seus companheiros gladiadores, entre eles Crisus, a rebelarem-se contra seu senhor. Na revolta, Batiato foi assassinado e os gladiadores fugiram para as costas do vizinho Monte Vesúvio.

Enquanto fugia, o grupo ia reunindo homens livres e também muitos outros escravos, tornando-se assim um grande e poderoso exército. Os gladiadores passaram o inverno de 72 a.C. a treinar os escravos recém-libertados, em preparação para o que hoje é conhecido como a Terceira Guerra Servil, com suas fileiras chegando a abrigar até 70 mil pessoas. Legiões inteiras foram enviadas para matar Espártaco, mas  foram facilmente derrotadas pelo espírito de luta e experiência dos gladiadores.

Em 71 a.C., Marco Licínio Crasso juntou 50.000 soldados romanos bem treinados para perseguir e derrotar Espártaco. Crasso encurralou Espartacus no sul da Itália, derrotando suas forças, e matando o ex-escravo ( o corpo de Espártaco, contudo, nunca foi encontrado ). Seis mil seguidores de Espártaco foram capturados e crucificados ao longo da  Via Ápia, a estrada de Cápua a Roma.

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