Anjos ou deuses é um poema de Ricardo Reis, um dos quatro heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, tendo sido imaginado de relance pelo poeta em 1913 quando lhe veio à ideia escrever poemas de índole pagã.

Anjos ou Deuses 

Anjos ou deuses


Anjos ou deuses, sempre nós tivemos
A visão perturbada de que acima
De nós e compelindo-nos
Agem outras presenças.

Como acima dos gados que há nos campos
O nosso esforço, que eles não compreendem.
Os coage e obriga
E eles não nos percebem,

Nossa vontade e o nosso pensamento
São as mãos pelas quais outros nos guiam
Para onde eles querem
E nós não desejamos.

Ricardo Reis, 16-10-1914

Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa, 1946, Ática, Lisboa (imp. 1994)

Ricardo Reis, segundo Fernando Pessoa, nasceu no Porto, estudou num colégio de jesuítas, formou-se em medicina e, por ser monárquico, expatriou-se espontaneamente desde 1919,  vivendo a partir de então no Brasil. Era latinista por formação clássica e semi-helenista por autodidatismo. Na sua biografia não consta a sua morte, no entanto José Saramago faz uma intervenção sobre o assunto em seu livro: O Ano da Morte de Ricardo Reis, situando a morte de Reis em 1936.

Canção do Exílio de Gonçalves Dias  é um dos mais conhecidos poemas no Brasil. Foi escrita em julho de 1843, em Coimbra, Portugal. O poema, por conta de sua  de sua alusão à pátria distante, tema tão próximo do ideário do Romantismo, tornou-se emblemático na cultura brasileira. Tal caráter é percebido por sua frequente aparição nas antologias escolares, bem como pelas inúmeras citações do texto presentes na obra dos mais diversos autores brasileiros.


Canção do Exílio 

Cancão do Exílio


 "Kennst du das Land, wo die Zitronen blühen,
Im dunkeln die Gold-Orangen glühen,
Kennst du es wohl? — Dahin, dahin!
Möcht ich... ziehn."

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


A Canção do Exílio teria sido inspiirda na obra Canção de Mignon, pertencente ao livro: Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, de Johann Wolfgang von Goethe, da qual Gonçalves Dias usa alguns versos como epígrafe, embora a maioria das antologias escolares não apresente os versos em alemão.


Tradução da epígrafe:

"Conheces o país onde florescem as laranjeiras?
Ardem na escura fronde os frutos de ouro...
Conhecê-lo? Para lá, para lá quisera eu ir!"

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A história do envolvimento do Brasil na Primeira Guerra Mundial é  desconhecido da maioria de nós, filhos dessa mãe gentil.  Poucos brasileiros sabem, por exemplo, que, muito antes de o nosso país enviar equipes médicas, embarcações e alguns oficiais, já na reta final do conflito, dois príncipes brasileiros atuaram na guerra e até morreram em consequência disso. Filhos da Princesa Isabel com o francês Conde D’Eu, os nobres D. Luís Maria e D. Antônio Gastão, netos do Imperador D. Pedro II, lutaram a serviço do Império Britânico.

Princesa Isabel no Exílio
Mas o caminho até servir na guerra não foi nada simples para os dois. A família viveu no Brasil até a Proclamação da República, em 1889, quando foi para o exílio na França. Antônio tinha, então, 8 anos, enquanto Luís tinha 11. Durante viagens para outros países, Luís e Antônio não eram reconhecidos como membros da nobreza brasileira ou portuguesa, mas, sim, francesa. Porém, quando completaram a idade do alistamento militar, o exército da França se negou a recebê-los.

A França já era uma república, enquanto eles eram brasileiros e faziam parte de uma família monárquica. Saber disto nos ajuda a entender essa negativa do exército francês. A França era a pátria que D. Luís e D. Antônio queriam defender. Mas eles não conseguiram, pelo menos, diretamente.

A solução foi alistar-se no Império Austro-Húngaro, então governado pelo tio deles, o imperador Francisco José I. Os dois príncipes cumpriram suas carreiras militares nas fileiras austríacas sem imaginarem que os dois países, a França com a qual se identificavam e a pátria que passaram a defender, entrariam em choque na maior guerra conhecida pelo mundo até então.

Com as constantes insatisfações e disputas entre as nações, o clima bélico já se tornava uma preocupação dos príncipes. Sem vislumbre de assumir um lugar de prestígio em alguma nobreza europeia, o Conde D´Eu, que ao se casar com a Princesa Isabel abriu mão da hereditariedade do trono francês, aconselhava seus filhos a seguir a carreira militar.

Anos antes do início do conflito mundial, ao se casar com Maria Pia Bourbon Napoles, D. Luís pediu desligamento do exército para passar a conviver com a família. Já D. Antônio, ao perceber que a guerra era inevitável, saiu das fileiras austríacas pouco antes do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, estopim do grande conflito.

Quando a Primeira Guerra Mundial já tinha iniciado seu curso, os príncipes resolveram se colocar à disposição do exército francês, inimigo dos austro-húngaros, mas viram as portas fechadas outra vez. Só que mesmo assim os irmãos não abandonaram a ideia de lutar junto aos Aliados. Desta vez, o exército francês não os aceita exatamente por terem servido ao inimigo. Como eles iriam mudar de lado? Os príncipes acabam sendo aceitos pelas forças britânicas devido a um outro parentesco com a família real de lá.

Oriundos da família real brasileira, considerados franceses, treinados pelos austríacos e servindo aos britânicos. É com esta trajetória que D. Luís e D. Antônio, entram na Primeira Guerra Mundial.

Familia Imperial em 1887 
— Os príncipes eram pessoas notáveis. O exército britânico avaliou que seria bom tê-los em suas fileiras — diz o embaixador Vasco Mariz, autor do livro “Nos caminhos da história”.

O desembarque de D. Luís no conflito se deu em 23 de agosto de 1914 e teve duração de quase um ano. Como encarregado das comunicações entre os regimentos, ele atuou nos pântanos do Yser, no Norte da França, onde contraiu um tipo de reumatismo que o teria paralisado, como conta sua filha Maria Pia em seu livro de memórias.

De volta à França, passou a se locomover em uma cadeira de rodas e ficou conhecido como um entusiasta do Brasil por sempre contar a história do país e ensinar português para seus filhos e conhecidos.

— D. Luís teve um papel político importante para o Brasil. Era um entusiasta que enaltecia a imagem do país no exterior — afirma  Vasco Mariz.

A doença que o príncipe contraiu na guerra o acompanharia e seria o motivo de sua morte, em 1920.

Já D. Antônio tinha 33 anos quando entrou na guerra que influenciaria amplamente a geopolítica mundial dali em diante. Ele se tornou capitão do regimento Royal Canadian Dragoon, junto com os canadenses que foram defender a bandeira britânica. Alguns autores afirmam que D. Antônio participou de batalhas aéreas, extremamente novas naquele período. O que se sabe é que o príncipe era hábil e que muitos o consideravam bastante corajoso.

Com a guerra já terminada, o príncipe sofreu um acidente de avião nos arredores de Londres. Ele ainda foi levado vivo para um hospital próximo, mas morreu em decorrência dos graves ferimentos sofridos, no dia 29 de novembro de 1918.

Mesmo sem ter sido aceito pelas forças francesas, D. Luís recebeu condecorações póstumas por sua participação na Primeira Guerra com os Aliados. O governo francês homenageou o príncipe como cavaleiro da Legião de Honra e lhe outorgou a Cruz de Guerra, o que demonstra reconhecimento ao príncipe brasileiro morto.

Já seu irmão recebeu, em 1917, um título de destaque do exército britânico. Devido a sua participação, considerada de alto nível nos relatos de superiores, D. Antônio mereceu a Military Cross e foi incorporado às forças armadas britânicas oficialmente.  Fonte.

Desde que o rei moabita Eglom foi esfaqueado até a morte, sentado no próprio trono em 1200 a.C (Juízes 3: 12-30) - e provavelmente muito antes disso -  líderes políticos tem sido assassinados por várias razões. Quase sempre, eles foram mortos por serem considerados uma ameaça para outros interessados no poder, ou por causa de alguma posição política controversa que tomaram; mas às vezes, a razão pode ser tão trivial quanto a busca por vingança ou o desejo do assassino de ser famoso.

Em qualquer caso, geralmente estes assassinatos são apenas simples notas de rodapé na história, mas, ocasionalmente, alguns deles causaram um impacto profundo sobre não apenas uma nação, mas sobre os rumos da história em si. Então, quem foram essas pessoas cujas mortes tiveram imensa repercussão na formação do mundo?


1 – O assassinato do Arquiduque  Francisco Fernando da Áustria

Francisco Fernando 
Por que a morte de um nobre, um tanto quanto desconhecido, é considerada por muitos como o assassinato mais influente da história? A razão é simples: o atentado ao arquiduque Francisco Fernando e à sua esposa, ocorrido enquanto eles desfilavam em carro aberto pelas ruas de Sarajevo, capital da moderna Bósnia-Herzegovina, mas que na época era uma cidade da Sérvia, teve repercussões imediatas e profundas.

O problema era que, Gavrilo Princip, o assassino, fazia parte de um grupo que tinha ligações com os militares sérvios; então, o Império Austro-Húngaro acusou o governo sérvio de ser cúmplice no assassinato e colocou em movimento as engrenagens da guerra, o que, por sua vez, iniciou uma cadeia de eventos que, dentro de poucas semanas, não só colocaria as duas nações frente a frente no campo de batalha, mas que  arrastaria todo o continente europeu para a carnificina.

O resultado? A Primeira Guerra Mundial, indiscutivelmente um dos mais sangrentos e mais fúteis conflitos da história. Com certeza,  pessoas muito mais conhecidas e bem mais poderosas foram assassinadas ao longo dos séculos, mas nenhuma dessas mortes teve  consequências tão funestas quanto o assassinato de Francisco Fernando, em Saravejo.

Contudo, é importante ressaltar: o  evento desencadeou o curso dos acontecimentos que diretamente levaram à eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas não a causou. A Áustria-Hungria já estava determinada a eliminar a “ameaça sérvia” antes do assassinato de seu herdeiro presuntivo e só precisava de uma desculpa para declarar guerra ao seu vizinho dos Balcãs.


2 – O assassinato do czar Alexandre II

Assassinato de Alexandre II
Talvez você pouco saiba sobre a vida do czar Alexandre II, porém, a morte dele nas mãos de anarquistas,  ocorrida em março de 1881,  mudou o curso da história russa, e mudou para bem pior.

Alexandre II  tinha algo de um monarca iluminado e reformador, e estava prestes a  criar um parlamento na Rússia, no momento da sua morte, o que provavelmente teria levado a democratização dos país, transformando-o em uma monarquia constitucionalista, tal como foi visto na Inglaterra e em outros países europeus.

Em vez disso, os sucessores de Alexandre II decidiram tomar medidas pesadas, que resultaram em mais de trinta anos de liderança opressora e corrupta e semearam as sementes para a Revolução de 1917, que introduziu o comunismo no mundo, cujos efeitos  sentimos até hoje.

Outra consequência do assassinato foi o início dos pogroms e da legislação antijudaica.

Com o assassinato, veio  também a supressão das liberdades civis na Rússia e o regresso da violenta repressão policial. O assassinato do czar foi testemunhado em primeira mão pelo seu filho, Alexandre III e pelo seu neto, Nicolau II, que viriam a governar a Rússia e prometeram que não teriam o mesmo destino.


3 – Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi
A humanidade perdeu a voz da não violência em uma sociedade cada vez mais violenta, quando Gandhi foi morto a tiros nas ruas de Nova Déli por um ativista e estudante universitário, um  golpe duro não só para a Índia, mas para o mundo inteiro.

As políticas de Gandhi de compaixão para com os pobres e da resistência não violenta, serviram como um modelo real  de mudança por meios pacíficos, ao mesmo tempo em que sua capacidade de influenciar tanto hindus como  muçulmanos,  fez da paz um sonho  possível, em uma Índia devastada pela guerra.

Entretanto, a vitória da paz foi esmagada quando  no dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi julgado, condenado e enforcado, a desrespeito do último pedido de Gandhi que foi justamente a não punição do seu assassino.

A única coisa “positiva” que se pode dizer, se é que isso seja possível, é que foi uma “sorte” o agressor ser um adepto do hinduísmo; caso Gandhi tivesse sido morto a tiros por um muçulmano, o subcontinente teria se tornado um campo de batalha religiosa de proporções apocalípticas.


4 – Reinhard Heydrich

Reinhard Heydrich
Somente os que estudam a história da Segunda Guerra Mundial com afinco, sabem quem era Reinhard Heydrich, mas, apesar dessa obscuridade, ele era o único homem que poderia ter vencido a guerra para a Alemanha, se não tivesse sido morto por rebeldes tchecos nas ruas de Praga, em 1942.

Tão cruel e bem mais  inteligente do que o  seu protegido, Adolf Hitler; Heydrich estava sendo preparado para ser o sucessor do Füher, quando esse morresse; se tivesse sobrevivido, talvez Heydrich  encontrasse os meios para derrubar um Hitler cada vez mais frágil e delirante, tomando assim as rédeas do Terceiro Reich, o que, segundo os historiadores, teria tido implicações profundas para os aliados.

Certamente, sob a liderança de Heydrich, os muitos erros cometidos por Hitler nos últimos anos da guerra, que somados, selaram o destino da Alemanha, teriam sido evitados; mas isso é assunto de conversa para os aficionados em história alternativa.

Leia também: 10 alterações do passado que mudariam a história do mundo


5 – Júlio César

O assassinato de Júlio César nas mãos de seus próprios senadores,  colocou o Império Romano em uma jornada de séculos de tumulto e de traição.

O destino de  Roma, caso  Júlio César tivesse ficado no poder, logicamente é desconhecido, mas é bem provável que as transições de poder no futuro tivessem sido muito menos confusas, e, certamente, não haveria a guerra civil resultante da morte do grande general, que quase dividiu o império em duas partes.

Sem a morte de César, o encontro de Cleópatra e Marco Antônio nunca teria acontecido, bem como uma série de eventos que fizeram e fazem do Império Romano, um objeto de estudo e  de fascínio para historiadores de todas as épocas.

Leia também: 5 fatos curiosos sobre a vida de Júlio César

Conheça os 10 concorrentes ao Prêmio Puskas desse ano. O Prêmio FIFA Ferenc Puskas foi criado em 20 de Outubro de 2009 pela FIFA a fim de premiar o jogador ou jogadora, que marcou o gol mais bonito do ano.

O nome da premiação é uma homenagem a Ferenc Puskas Birô, o capitão da equipe da Hungria, conhecidos como Os Mágicos Magiares dos anos 1950 e jogador central da equipe do Real Madrid, da década de 1960. Veja os dez gols escolhidos pela FIFA e deixe o seu voto!

Prêmio Puskas 2014
1 – Tim Cahill

Austrália x Holanda / Copa do Mundo da FIFA


2 – Diego Costa
Atlético Madrid x Getafe / Liga espanhola


3 – Marco Fabian
Cruz Azul x Puebla / Clausura mexicano


4 – Zlatan Ibrahimovic
PSG x SC BAstia / Liga francesa


5 – Pajtim Kasami
Crystal Palace x Fulham / Liga inglesa


6 – Stephanie Roche
Peamount United x Wexford Youths / Bus Eireann National League


7 – James Rodriguez
Colômbia x Uruguai / Copa do Mundo da FIFA


8 – Camilo Sanvezzo
Vancouver Whitecaps x Portland Timbers / Major League Soccer


9 – Hisato Sato

Sanfrecce Hiroshima x Kawasaki Frontale / Liga japonesa


10 – Robin van Persie
Espanha x Holanda / Copa do Mundo


Se você tem curiosidade em saber se  existe uma combinação de acontecimentos estranhos que moldou o mundo moderno, talvez queira dar uma olhada mais de perto na vida de Hitler e na história da ascensão dele ao poder. Não foram poucos os encontros de Hitler com a morte, mas ele, de forma quase miraculosa, conseguiu sair vivo de todos. É como se forças sobrenaturais protegessem o líder do Terceiro Reich.


1 – Quando criança, Hitler foi salvo de um afogamento


Hitler quando bebê
Num dia frio, em janeiro de 1894, um menino brincava com outras crianças, quando correu sobre o gelo fino do rio Inn, em Passau, na Alemanha. O gelo rompeu sob seus pés e ele caiu nas águas geladas,  lutando para não ser puxado para baixo pela correnteza do rio.

Um garoto mais velho, chamado Johann Kuehberger, que morava nas proximidades, ouviu os gritos de socorro. Johann correu para o rio, mergulhou e resgatou a indefesa criança, salvando-a do afogamento e da hipotermia. Essa criança era Adolf Hitler, então um menino de apenas quatro anos de idade.

Hitler nunca mencionou essa passagem da sua infância. A história foi recentemente descoberta em recortes antigos de um jornal alemão, que publicou o fato na época. Kuehberger, o salvador de Hitler, viria a tornar-se sacerdote.


2 – Hitler escapou com vida de um linchamento

Poucos anos antes de Hitler chegar ao poder na Alemanha, ele era tão somente mais um agitador de direita, fazendo discursos incendiários em Munique. Depois de uma preleção particularmente provocante, Hitler foi perseguido por uma multidão enfurecida de cerca de 200 homens.

Adolf Hitler estava no chão, sendo chutado e espancado, quando então, alguns dos agressores chegaram com baionetas, a fim  de esfaqueá-lo até à morte. Mas, naquele exato momento, oito homens com armas  próprias,  intervieram e impediram a turba furiosa de matar Hitler.

Um dos salvadores era um irlandês chamado Michael Keogh. Por uma estranha coincidência, Hitler havia lutado ao lado de Keogh na Primeira Guerra Mundial. Michael Keogh, mais tarde, quase foi executado por agitadores nazistas durante o expurgo conhecido como “A Noite das Facas Longas”.


3 – Hitler sobreviveu a um ataque com gás mostarda

Hitler na Primeira Guerra Mundial
Em uma batalha de 1918, na Bélgica, um jovem cabo chamado Adolf Hitler foi atingido por uma granada de gás mostarda britânica, o que poderia facilmente lhe ter tirado vida, visto que dezenas de milhares de soldados foram mortos por gás mostarda na Primeira Guerra Mundial. Depois de Hitler ser atingido pela granada de gás, ele ficou temporariamente cego e foi levado para um hospital militar alemão, localizado nas proximidades.

Infelizmente, para o resto do mundo, Hitler saiu sem ferimentos graves da experiência e a visão dele  logo voltou. Hitler continuou a lutar na Primeira Guerra Mundial, pouco depois de sua recuperação. Registros médicos recentemente descobertos indicam que ele não foi cegado pelo gás. Ele em vez disso, a cegueira temporária de Hitler resultou de transtornos emocionais, ou, conforme descrito nos relatórios médicos, de  “ambliopia histérica.”

Hitler ficou tão marcado pelo incidente que  proibiu o uso de gás mostarda nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial.


4 – Hitler foi poupado por um franco atirador inglês

Tandey e Hitler
Ser atingindo por gás mostarda, não foi o único encontro com a morte de Hitler durante a Primeira Guerra Mundial.

Perto do fim da guerra, os soldados britânicos capturaram e repararam uma ponte, que os alemães haviam parcialmente destruído para impedir o tráfego de veículos a uma cidade francesa ocupada. Depois de uma batalha, da qual saíra vitorioso, Henry Tandey, um jovem soldado britânico, parou para descansar. Foi então que ele avistou um solitário soldado alemão, saindo de debaixo da ponte, por trás de  alguns arbustos, tentando fugir.

Tandey mirou, mas no instante de puxar o gatilho, baixou a arma, porque percebeu que o soldado estava ferido. Esse soldado alemão de 29 anos era Adolf Hitler. Em 1940, quando perguntado sobre sua misericórdia , Tandey respondeu: “Eu não gosto de atirar em um homem ferido.”

Anos mais tarde, talvez Tandey preferisse ter  sido um pouco menos misericordioso, quando ele e os britânicos enfrentaram Hitler novamente na Segunda Guerra Mundial.

Veja essa história completa em: O homem que poupou a vida de Hitler


5 – Hitler foi impedido de tirar a própria vida

Apesar do nacionalismo extremo dos nazistas, um alemão formado em Harvard e sua esposa americana, faziam parte do círculo íntimo de Hitler. Ernst "Putzi" Hanfstaengl e sua esposa Hellen, conheceram Hitler quando se mudaram de Nova York  para Munique  em 1921. Hellen viria a salvar a vida de Hitler.

O casal ouviu pela primeira vez  Hitler, quando ele discursava em uma cervejaria de Munique e desde então, permanecera ligado às ideias do tirano. Hitler tornou-se amigo pessoal de Putzi e Hellen. Mais tarde, os três participaram do Putsch da Cervejaria, um golpe em que os nazistas tentaram, sem sucesso, tomar o poder na Alemanha.

Depois do fracasso do golpe, os três fugiram para a casa do casal, que ficava fora de Munique. Ali, Hitler ficou mentalmente perturbado, ao ver-se enfrentando as acusações de alta traição. Hitler proclamou: “Agora tudo está perdido; Não adianta continuar!” Ele, então, pegou uma pistola em um armário próximo, mas antes que conseguisse tirar o própria vida, Hellen o agarrou pelo braço e jogou a arma para longe.

Logo depois, a casa foi cercada pela polícia e Hitler foi levado para a prisão.


6 – Hitler escapou da pena de morte

Hitler e Hindenburg
Após a prisão, Hitler foi acusado de traição, cuja punição,  naquele momento na República de Weimar, era a morte. E, no entanto, por incrível que pareça, Hitler nunca foi condenado à morte por sua condenação por traição em 1923.

Pouco antes do julgamento de Hitler, o governo de Weimar declarou estado de emergência, o que mudou drasticamente o sistema judiciário alemão. Por conseguinte, Hitler não teria mais um julgamento pelo júri. Em vez disso, um juiz decidiria o destino do ditador. O juiz designado para o caso de Hitler, George Neithardt, era simpático às ideia fascistas, tendo até mesmo participado de grupos de direita.

Neithardt não teve sequer a preocupação de dar ao caso a aparência de um julgamento legítimo, deixando Hitler discursar para o público no tribunal, o que tornou o julgamento um veículo para Hitler espalhar a sua mensagem política.

Tecnicamente, Hitler foi condenado por traição, mas em vez de receber a sentença de morte, ele foi sentenciado a cinco anos de prisão, dos quais cumpriu somente meros nove meses.


7 – Hitler saiu ileso de um atentado a bomba

A cervejaria depois do atentado à Hitler
Talvez você já tenha ouvido falar da famosa tentativa fracassada, feita por oficiais nazistas de alto escalão, para assassinar Hitler em julho de 1944, como retratada no filme “Operação Valquíria”, estrelado por Tom Cruise. Mas houve uma tentativa de assassinato menos conhecida, que no entanto, chegou bem mais perto de matar Hitler,  ocorrida dois anos antes da II Guerra Mundial começar.

Ao contrário do enredo de Operação Valquíria, essa tentativa de assassinato de 1939, foi orquestrada e levada a cabo por um conspirador solitário, que não tinha nenhuma posição de poder no partido nazista. Em vez disso, tratava-se de um simples carpinteiro alemão chamado Johann Georg Elser.

Elser foi um ardoroso esquerdista na Alemanha, o que o colocava no lado oposto do espectro político de Hitler e do Partido Nazista. Elser votara a favor do Partido Comunista alemão, que na época, era a principal força de oposição aos nazistas na Alemanha. Os comunistas estavam entre os primeiros que Hitler e seus associados executaram quando chegaram ao poder.

Depois dos nazistas chegarem ao governo da Alemanha, Elser desenvolveu tanta aversão por Hitler e por sua política que largou a profissão de carpinteiro e conseguiu empregar-se em uma fábrica de bombas. Seu objetivo específico era usar a nova carreira para assassinar Adolf Hitler pessoalmente.

Em seu novo trabalho na fábrica de armamento Waldenmaier em Heidenheim, Alemanha, Elser adquiriu o conhecimento necessário para fazer uma bomba. Depois de construir um artefato capaz de matar Hitler, ele passou um mês cavando um compartimento em um pilar debaixo da plataforma onde Hitler daria seu discurso anual,  no local onde ocorrera o Putsch da Cervejaria. Ele plantou a bomba antes de Hitler e seus asseclas chegarem, cronometrando-a para explodir quando  Hitler estivesse falando.

No entanto, esse discurso de Hitler foi bem mais curto do que o habitual. Por causa do mau tempo, Hitler deixou o palanque alguns minutos antes da bomba de Elser explodir. Na explosão, 8 pessoas morreram e 63 ficaram feridas, mas Hitler, é claro,  escapou ileso. O pai de Eva Braun, esposa de Hitler, foi ferido no ataque.

Depois do atentado, Elser tentou fugir para a Suíça, mas foi pego na fronteira. Ele foi preso e executado pelo atentado.

- Leia a história de Elser em detalhes: O carpinteiro alemão que quase matou Hitler

Em 1880, uma mulher de meia-idade fez uma visita ao neurologista francês Jules Cotard, queixando-se de uma situação incomum. Ela tinha certeza que estava “sem cérebro, sem nervos, sem tórax, sem estômago, sem intestinos”. Senhorita X, como Cotard apelidou a paciente em suas notas, disse ao médico que julgava ser “apenas um corpo em decomposição”. Ela não acreditava na existência de Deus, nem de Satanás, tampouco contava ter uma alma. Como “não podia morrer de morte natural”, não tinha “necessidade de comer”,  eram outras afirmações da estranha mulher. Mais tarde, a Senhorita X morreu de fome.

Embora essa condição peculiar tenha se tornado conhecida como Delírio de Cotard, o neurologista francês não foi o primeiro a descrevê-la. Em 1788, quase 100 anos antes, Charles Bonnet relatou o caso de uma mulher idosa, que preparava uma refeição em sua cozinha, quando uma lufada de ar 'a golpeou com força no pescoço' paralisando um dos lados do corpo, como se ela tivesse sofrido um acidente vascular cerebral. Assim que recuperou a capacidade de falar, a anciã exigiu que suas filhas  “a envolvessem em uma mortalha e a colocassem em seu caixão”, porque julgava estar morta de fato.

A ‘mulher morta’ ficou agitada e começou a repreender seus amigos vigorosamente pela negligência deles em não conceder a ela este último favor; e como continuaram hesitando, a mulher se tornou extremamente impaciente e, com ameaças, começou a pressionar sua empregada para vesti-la como uma pessoa morta. Com o passar dos dias, todo concordaram que era necessário trajá-la como um cadáver e colocá-la no caixão, a fim de acalmá-la. A velha senhora tentou expressar um olhar tão puro quanto possível, vistoriou as dobras e pinos do ataúde, inspecionou a costura da mortalha, mostrou insatisfação com a brancura de sua roupa. No final de tudo, ela adormeceu profundamente, em seguida, foi despida das vestes mortuárias e colocada na cama.

Na esperança de quebrar o transe, um médico ficou à cabeceira, administrado um “pó de pedras preciosas misturado com ópio”. A mulher, finalmente despertou do seu estado delirante; no entanto, a cada três meses, ela voltava a surtar, isso continuou pelo resto de sua vida. Durante os períodos em que pensava estar morta, “ela conversava com pessoas que tinham falecido há muito tempo, preparava jantares para elas e as hospedava”.

Síndrome de Cotard 
Atualmente, essa doença é muitas vezes referida como síndrome do cadáver ambulante. Embora sejam casos raros, realmente há pessoas diagnosticadas como portadoras de devaneios niilistas de que estão mortas e de que não existem mais. Às vezes, essa condição é caracterizada pela crença de que está faltando alguma parte essencial do corpo, geralmente órgãos internos, como no caso de uma mulher grávida de 28 anos de idade, que dizia que seu fígado estava ‘podre’ e que seu coração ‘havia desaparecido’.

Em 2013, a New Scientist entrevistou um homem chamado Graham Harrison, que havia tentado o suicídio nove anos mais cedo, levando um aparelho elétrico com ele para o banho, e que acordou no hospital acreditando estar morto. Ele disse:

Quando eu estava no hospital, eu dizia aos médicos e enfermeiros que os comprimidos não iam me fazer nenhum bem, porque meu cérebro estava morto. Eu perdi os sentidos do olfato e do paladar. Eu não via necessidade de comer ou falar, ou fazer qualquer outra coisa. Acabei por passar muito tempo no cemitério porque era o mais perto que eu poderia chegar da morte.

Em sua mente, Graham conveceu-se de que estava morto. Os médicos tentaram racionalizar com ele, mas não obtiveram sucesso. Então, Graham foi encaminhado para o Dr. Adam Zeman, neurologista da Universidade de Exeter, e para o Dr. Steven Laureys, neurologista da Universidade de Liège. Eles usaram tomografia por emissão de pósitrons para monitorar o metabolismo do singular paciente. O que eles descobriram foi inquietante!

A função cerebral de Graham era parecida com a de alguém durante uma anestesia ou durante o sono. “Ver esse padrão em alguém que está acordado é inédito, até onde vai meu conhecimento” – disse o Dr. Laureys à New Scientist. “Eu analiso tomografias já por 15 anos e nunca vi ninguém acordado, interagindo com as pessoas, com um resultado de varredura tão anormal.”

Graham é o único paciente com delírio de Cotard  a ter passado por uma tomografia, dando aos cientistas a oportunidade de estudar essa estranha síndrome, contudo, as conclusões não são definitivas,  uma vez que não há nenhum outro caso para comparação. A condição foi provisoriamente ligada ao transtorno bipolar em jovens, bem como à depressão grave e à esquizofrenia em pacientes mais velhos. O tratamento é variado. Normalmente, os que sofrem com com essa doença são medicados com uma combinação de anti-depressivos e anti-psicóticos, embora a eletroconvulsoterapia também tenha obtido bons resultados.

Para Graham, a psicoterapia e o tratamento medicamentoso tem ajudado a diminuir os sintomas do delírio de Cotard, contudo, a jornada tem sido longa e difícil. Durante a última década, ele foi muitas vezes encontrado sentado em cemitérios locais, na tentativa de chegar mais perto da morte. “A polícia me encontra e me levar para casa”, disse ele.

Apesar de tudo, Graham tem motivos para agradecer. Muitos dos que sofreram com essa enfermidade no passado, morreram de fome, outros chegaram  a derramar ácido sobre si mesmos, em um esforço para deixar de ser um do “mortos-vivos”. Uma coisa é certa: o delírio, de Cotard ou “síndrome do cadáver ambulante”, ilustra o quão pouco sabemos sobre o cérebro humano, mesmo com toda a ciência do século 21.

Perder a cabeça de modo literal, equivale a morrer. Ponto final. Por essa razão, a decapitação foi, e, em alguns lugares ainda é, uma das formas mais populares de se aplicar a pena capital. Apesar da comprovada eficácia desse método, há casos registrados na história de pessoas que continuaram conscientes,  mesmo depois de terem a cabeça separada do corpo. Por alguns segundos, elas tiveram a oportunidade de sentir o que é ser uma cabeça sem um corpo, ou um corpo sem uma cabeça Confira!


1 - Charlotte Corday


A morte de Marat
Sem dúvida alguma, a Revolução Francesa foi um dos períodos  no qual mais se derramou sangue na história. Cabeças  rolavam sem parar. Para tanto, em muito contribuiu a invenção da guilhotina, que tornou a decapitação mais eficiente e mais rápida.

Charlotte Corday, uma jovem nobre, igual a outros milhares, também estava destinada a perder a cabeça no mortal instrumento. Ela era simpatizante dos girondinos, um partido moderado da França revolucionária. No dia 13 de julho de 1793, Charlotte matou Jean-Paul Marat,  um jornalista radical e político de oposição, que pertencia ao partido jacobino.

Charlotte foi julgada e considerada culpada. Quatro dias depois, ela foi levada para o patíbulo para morrer. Resignada com seu destino, Charlotte estava calma, equilibrada, e manteve-se digna até o último segundo de sua vida. Quando a cabeça decepada caiu na cesta, o assistente do carrasco levantou-a e deu-lhe um tapa no rosto  moribundo. Não foi somente a multidão de espectadores que ficou horrorizada por tal ato de desrespeito, foi relatado que a cabeça de Charlotte corou com o insulto e, como Helen Maria Williams relatou, “exibiu uma última expressão de repúdio a essa ofensa à sua dignidade.”


2 - Henri Languille

Uma certa manhã do verão em 1905 foi  a última para o assassino condenado Henri Languille. Seus crimes valeram-lhe um encontro fatal com a lâmina da guilhotina. Mas a ocasião também foi importante para o Dr. Gabriel Beaurieux. Ele estava prestes a realizar um experimento bizarro,  que envolvia o infeliz Languille. Beaurieux participou da execução e registrou suas observações: depois que a cabeça do presidiário foi separada de seu corpo, as pálpebras e os lábios se contraíram de forma irregular por alguns segundos.

Em seguida, os movimentos pararam. Mas espere um minuto! Há mais. Quando a cabeça de Languille finalmente se acalmou,  Beaurieux gritou seu nome e, adivinhem, as pálpebras lentamente levantaram-se. Sem quaisquer movimentos espasmódicos, os olhos do condenado se focaram no rosto do médico, como se Languille fosse uma pessoa viva, normal e saudável,  distraída em seus pensamentos.

Alguns momentos se passaram e as pálpebras se fecharam. Beaurieux chamou Languille novamente e aconteceu a mesma coisa. Porém, a terceira tentativa de extrair alguma reação da cabeça decepada, foi infrutífera. Henri Languille finalmente estava morto.


3 - Antoine Lavoisier

Lavoisier e sua esposa
O químico Antoine Lavoisier foi um dos maiores cientistas franceses. Infelizmente, ele viveu durante os tempos sangrentos da Revolução Francesa e era um nobre rico. Para piorar ainda mais, Lavoisier era investidor em uma empresa privada de cobrança de impostos e confrontou-se com um dos líderes da revolução - Jean-Paul Marat. Tudo isso combinado, levou o famoso cientista para a guilhotina.

Lavoisier foi executado no dia 8 de maio de  1794, no entanto, ele se dedicou à ciência até o seu último suspiro. O químico conseguiu participar de um experimento mesmo durante a sua morte. Ele prometeu que, após a decapitação, continuaria piscando enquanto tivesse consciência e pediu a um amigo para observar sua execução. O amigo atendeu ao pedido. A cabeça de Lavoisier foi decepada pela guilhotina. Depois disso, ele teria continuado a piscar por 15 segundos, antes de sucumbir à morte.


4 - Dietz von Schaumburg

Em 1636, um certo Dietz von Schaumburg e seus quatro lansquenetes foram condenados a morte por terem se rebelado contra o rei Ludwig da Baviera. De acordo com o costume, o rei perguntou ao condenado qual era o seu último desejo. Von Schaumburg veio com um pedido bastante incomum. Ele mandou que seus quatro camaradas  formassem uma linha, com 8 passos de distância entre cada um. Então Dietz pediu para ser decapitado por primeiro e propôs o seguinte: depois de executado, ele passaria correndo  sem a cabeça pelos seus lansquenetes e o rei teria que perdoar aqueles que ele conseguisse deixar para trás. O rei Ludwig concordou com a proposta.

Von Schaumburg colocou sua cabeça sobre o bloco. Imediatamente após ser decapitado, o corpo de Dietz sem a cabeça se levantou e passou correndo por seus  atônitos soldados. Ele só caiu  depois de ter passado pelo último homem na linha. O boquiaberto rei não teve escolha, a não ser perdoar os mercenários condenados.


5 - Ana Bolena

Henrique VIII e Ana Bolena 
Todos nós conhecemos a trágica história da rainha Ana Bolena. De uma mera dama de companhia, ela passou a ser a favorita do infame rei Henrique VIII. Esse rei abandonou sua primeira esposa e rompeu com a Igreja Católica - tudo por seu amor por Ana e  o desejo de fazê-la sua rainha.

Mas logo  que Ana e Henrique se casaram, a  felicidade dos dois rapidamente entrou em colapso. Depois de três anos de casamento, o rei ficou entediado e decepcionado com sua esposa. Julgada por acusações forjadas de incesto, adultério, bruxaria e traição, Ana foi condenada à morte.

A manhã do dia 19 de maio de 1536  foi a última para a infeliz mulher. Um carrasco vindo de Calais, especialmente para a ocasião, esperava por ela. Ana foi decapitada com uma espada, e não com um machado, como era mais comum na Inglaterra.

Ana fez uma curta caminhada para o patíbulo, proferiu suas últimas palavras e preparou-se para a morte. Sua cabeça foi arrancada em um único e rápido golpe. E seguida, o espadachim levantou a cabeça da rainha, então, a multidão assustada, viu que os lábios de Ana ainda se moviam em oração.

Nem sempre o descobrimento do Brasil foi comemorado no dia 22 de abril. Logo depois da proclamação da República e até a Revolução de 30, o evento, que era feriado nacional, celebrava-se no dia 3 de maio. Isso quer dizer que havia outro entendimento sobre a data em que as caravelas de Cabral chegaram a Porto Seguro? Exatamente. E significa também que a história não é uma disciplina estática.

Apesar de os fatos do passado estarem definitivamente concluídos, o modo de entendê-los pode se modificar de acordo com as novas informações que eventualmente deles se dispõe, assim como com as circunstâncias sociais do presente. Mas voltemos ao 3 de maio.

Descobrimento do Brasil

Desembarque de Cabral em Porto Seguro (óleo sobre tela), autor: Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.

Esta teria sido a data do descobrimento, segundo o clássico historiador lusitano Gaspar Correia, que chegou a essa conclusão pelo fato de Cabral ter batizado a terra de “Vera Cruz”, nome mudado pelo rei dom Manuel para “Santa Cruz”, em função da comemoração religiosa de mesmo nome, que ocorria a 3 de maio. Por isso também, José Bonifácio, o Patriarca da Independência, propôs que a abertura da primeira Assembleia Constituinte brasileira, em 1823, caísse nesse dia, para coincidir com a data do descobrimento.

Apesar do prestígio de que gozava a versão de Gaspar Correia, no entanto, um documento que permanecera esquecido por quase três séculos nos arquivos portugueses, foi trazido  para o Brasil junto a milhares de outros, por ocasião da vinda da família real para o Brasil em 1808, e acabou mudando a visão da história.

Esse documento foi descoberto pelo padre Aires de Casal, que o publicou em 1817, deixando evidente que o descobrimento acontecera a 22 de abril. Tratava do depoimento de uma testemunha ocular: a carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral.

É curioso o fato de que um homem com a formação de José Bonifácio não tenha tomado conhecimento da Carta de Caminha. De qualquer modo, sabe-se que já na segunda metade do século 19, ao fim do Segundo Reinado, fazia parte do conhecimento do cidadão brasileiro culto que o descobrimento ocorrera a 22 de abril, data que, contudo, não fazia parte dos feriados do Império.

Réplicas das caravelas de Cabral 
Após a proclamação da República, o decreto 155 b, de 14 de janeiro de 1890, do governo provisório, “considerando que o regimen republicano basêa-se no profundo sentimento de fraternidade universal; que esse sentimento não se póde desenvolver convenientemente sem um systema de festas publicas destinadas a commemorar a continuidade e a solidariedade de todas as gerações humanas”,  estabeleceu um calendário de festas cívicas.

Nele, havia grandes novidades para a época, como a comemoração de Tiradentes a 21 de abril, a do descobrimento a 3 de maio e até a do 14 de julho, em homenagem à República, à Liberdade e à Independência dos Povos Americanos. O distinto público, que, segundo a expressão do jornalista republicano Aristides Lobo, assistiu à proclamação “bestializado”, mais bestializado se sentiu com essas festas cívicas cujo propósito não entendia.

Na imprensa, por exemplo, dado que se tomava por fato consumado que o descobrimento ocorrera a 22 de abril, cogitava-se que o governo provisório estabelecera o feriado de 3 de maio para evitar dois feriados consecutivos, a saber: o de Tiradentes e o do Descobrimento.

O primeiro governo republicano, porém, só cogitou de dar explicações sobre o calendário cívico anos mais tarde. Para isso, encomendou ao jurista Rodrigo Octavio o livro “Festas Nacionais”, que, publicado em 1893, tornou-se o mais antigo manual de educação moral e cívica do país. Explicava, em detalhes, as datas celebradas e, entre outras coisas, estabelecia o mito de Tiradentes como mártir da Independência.

Quanto ao 3 de maio, não convenceu. Com a Revolução de 1930 e o decreto 19.488, Getúlio Vargas, considerando que “com manifesta vantagem do trabalho nacional, podem e devem ser reduzidos os dias feriados”, extinguiu definitivamente a folga do descobrimento do Brasil.

De resto, já na comemoração dos 500 anos da efeméride, a própria ideia de descobrimento passou a ser questionada, de vez que se trata de uma  noção que se origina na perspectiva do colonizador europeu.

Para enriquecer o vocabulário:

Efemérides significam, em latim, “memorial diário”, “calendário” (ephemèris,ìdis), ou, em grego, “de cada dia” (ephémerís,îdos). A palavra efêmero/a (“que dura um dia”) tem a mesma etimologia.

Uma efeméride é um fato relevante escrito para ser lembrado ou comemorado em um certo dia, ou ainda uma sucessão cronológica de datas e de seus respectivos acontecimentos. Há a possibilidade de classificá-la de diversas formas, como, por exemplo, histórica, vexilológica ou hagiográfica.  Wikipédia

Fontes: Uol Educação - Wikipédia

O Partido Nazista não era apenas uma organização política, era uma máquina de propaganda psicológica. Os nazistas tinham um incrível senso de estética e compreendiam plenamente o poder da iconografia e do branding. Os símbolos e cores do nazismo foram todos cuidadosamente orquestrados para alcançar o máximo efeito psicológico. Não havia nada de acidental na estrutura da suástica ou no uso de cores específicas, como o vermelho, o branco e o preto. As longas e drapeadas bandeiras, os estandartes com as águias romanas e com folhas douradas; tudo era projetado para evocar imagens de força, potência e conexão com a história.

Parada Nazista

Os símbolos nazistas eram sedutores, nítidos, criados para chamar a atenção e inspirar paixões. As braçadeiras nos uniformes pretos eram uma declaração marcante da virilidade e confiança suprema. A adição  da caveira sobre os uniformes da SS, foi um movimento deliberado para instilar o medo e o terror nos corações dos inimigos. Os homens que o vestiam, sentiam-se fortalecidos pelo aspecto ameaçador do uniforme.

Adolf Hitler e Joseph Goebbels

Adolf Hitler e Joseph Goebbels no Teatro Charlottenburg, em Berlim, 1939.

 

Adolf Hitler discursando

Adolf Hitler discursa na Casa de Ópera Kroll , em Berlim, 1939.

O cerimonial nazista tinha o status de  arte. Não havia nada de acidental ou incidental sobre toda a pompa nazista. Tudo foi cuidadosamente encenado e orquestrado. As procissões noturnas iluminadas pelo fogo e pelas fogueiras em que milhares de livros foram queimados foram todas coreografadas para obter o efeito desejado. Os nazistas se deleitavam com contos de heroísmo e glorificavam a guerra. As imagens dos comícios de Nuremberg até hoje ainda nos impressionam, com a absoluta precisão e a escalada dramática do palco montado pelo regime de Hitler nos Campos Zeppelin.

O esquema de cores preto-branco-vermelho é baseado nas cores da bandeira do Império Alemão, e também  eram associadas à República de Weimar, criada após a Primeira Guerra Mundial.  Em Mein Kampf, Adolf Hitler definiu o simbolismo da bandeira da suástica: o vermelho representa a ideia social do movimento nazista, o disco branco representa a ideia de coalizão nacional, e a suástica preta, utilizada em culturas arianas por milênios, representa "a missão de lutar pela vitória do homem ariano, e, por isso mesmo, a vitória do trabalho criativo". Hitler sabia que as cores vermelha, branca e preta combinadas, criam uma sensação psicológica de intimidação e poder.

Tropas SS

Encontro das tropas SS em Feldherrenhalle, Munique, 1938

 

Parada nazista

Parada nazista, 1937


Congresso nazista

Congresso do Partido Nazista em Nuremberg, Alemanha, 1937


Adolf Hitler

Adolf Hitler saúda as tropas da Legião Condor, que lutaram ao lado de nacionalistas espanhóis na Guerra Civil Espanhola, durante um comício após o  regresso dos soldados à Alemanha, 1939.


Adolf Hitler em Lustgarten

Adolf Hitler discursa no Lustgarten, Berlim, 1938.


Berlim nazista

Berlim iluminada à meia-noite em homenagem ao aniversário  de 50 anos de Hitler, abril 1939


Saudação nazista

A multidão aplaude o discurso de Adolf Hitler para unir a Áustria e a Alemanha, 1938.


Liga das Moças Alemãs

Liga das Moças Alemãs, durante o Congresso do Partido Nazista em  Nuremberg, 1938.


Oficiais nazistas

Oficiais nazistas no caminho para Fallersleben, para a cerimônia de lançamento da  pedra fundamental da fábrica da  Volkswagen, em 1938.


Nuremberg, 1938

Adolf Hitler na posse do porta-estandartes da SS, no congresso do partido nazista em Nuremberg, 1938.


Nuremberg, 1938.

Nuremberg, Alemanha, 1938.


Joseph Goebbels

O Ministro da Propaganda Nazista,  Joseph Goebbels, discursa no Lustgarten, em Berlim, 1938.


Congresso nazista em Nuremberg


Encontro de veteranos, 1939 

Cena ao longo da estrada para  Fallersleben, onde funcionará a  Volkswagen , Alemanha, 1938.


Todas as fotografias acima foram tiradas por Hugo Jager, que era o fotógrafo pessoal de Adolf Hitler. Ele viajou com Füher nos anos que antecederam e durante a Segunda Guerra Mundial, sendo um dos poucos fotógrafos que  usavam técnicas de fotografias em cores na época. À medida que a guerra  chegava ao fim, em 1945, Jaeger escondeu as fotografias em uma mala de couro. Ele, então, encontrou soldados americanos e ficou com medo de ser preso e acusado por transportar tantas imagens de um homem tão procurado. No entanto, quando os soldados abriram a mala,  a atenção deles se voltou para uma garrafa de conhaque, que foi aberta e compartilhada com Jaeger. Jaeger enterrou as fotos dentro de 12 potes de vidro fora de Munique. O fotógrafo voltou ao lugar ao longo de vários anos para garantir que as fotografias estavam seguras. Ele desenterrou todas as fotografias, dez anos depois, em 1955, e as colocou em um cofre de banco. Em 1965, Jaeger as vendeu para a revista Life.

Veja também:  As fotografias proibidas de Hitler

Durante anos, Rachel Sussman viajou pelo mundo em busca dos seres vivos mais antigos da Terra, em um grande projeto artístico que uniu ciência e fotografia. Os organismos  para serem fotografados por Rachel,  tinham que cumprir  dois requisitos: ter mais de 2.000 anos, um número definido por ela, e, obviamente, precisavam estar vivos.

Um exemplo: para fotografar a planta Azorella compacta, de  3000 anos de idade, Rachel  viajou para a Cordilheira dos Andes, a Azorella compacta,  que é  parente da salsa, é um arbusto semelhante a um musgo, ele é  capaz de viver sob pedras a 5000 metros de altura, no deserto mais seco do planeta, o Deserto do Atacama.

Azorella
Entre os organismos fotografados por Rachel  está também a Welwitschia mirabilis, de 2000 anos de idade, uma das plantas mais raras do mundo. Ela só tem 2 folhas, que são o maiores no reino vegetal, e  que crescem continuamente, ou seja, não param de crescer durante toda a vida da planta. Essas folhas absorvem a  água do orvalho  durante a noite, no deserto de Namibe, em Angola.

Welwitschia mirabilis
Os dois exemplos acima são apenas um aperitivo para a interessante palestra TED de Rachel Sussman: Os mais antigos seres vivos do mundo!

Em 11 de novembro de 1918 às onze horas, terminava oficialmente a Primeira Guerra Mundial. Aquele dia trouxe o tão esperado e necessário alívio para milhões de pessoas, que sofreram na pele o impacto do sangrento conflito. Mas também houve os que  lamentaram profundamente o fim das operações de combate, isso pode soar estranho,  mas acredite, não foram poucos.

Entre aqueles que "ficaram tristes" com o o fim da Primeira Guerra Mundial, porque ainda tinham acertos de contas pendentes, estava Harry Truman, que entre abril de 1945 a janeiro 1953 foi o trigésimo terceiro presidente dos Estados Unidos da América.

Truman na Primeira Guerra Mundial 
Truman conseguiu "fazer história"  por ser o protagonista de  uma longa série de  acontecimentos que marcam para sempre a ele, bem como o mundo ao seu redor. Truman foi o responsável pelo fim da Segunda Guerra Mundial, quando autorizou o uso de armas nucleares contra civis indefesos e inocentes no Japão, teve papel crucial na fundação das Nações Unidas, elaborou o Plano Marshall para reconstruir a Europa e a Doutrina Truman, a fim de  conter o comunismo. No seu governo ocorreram o início da Guerra Fria, o transporte aéreo de Berlim, a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Guerra Civil Chinesa e a Guerra da Coréia.

Leia também: 10 crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos

Um curriculum vitae coroado por "atos heróicos" em prol do  lucro puro e exclusivo das políticas nefastas do Tio Sam, como esperado. Mas sua "folha corrida" de ações libertárias e humanitárias começou a ser escrita muito antes de sua ascensão à presidência dos Estados Unidos. Harry Truman foi o único presidente americano a combater na Primeira Guerra Mundial, tendo sido membro de um esquadrão de artilharia.

Harry Truman na presidência dos Estados Unidos 
Naquele  11 de novembro de 1918, quando a "paz" chegou ao mundo com o fim da "Grande Guerra",  Truman sentiu-se infeliz, incompleto, decepcionado e insatisfeito. Ele pegou uma  caneta-tinteiro, uma  folha velha de papel e escreveu algumas curtas linhas à sua amiga Bess Wallace, com quem se casaria mais tarde. Truman, "magoado" pelo fim da guerra, escreveu para sua amada da França, lamentando a chegada "prematura" da paz e irritado por não ter sido capaz de arrasar a conquistada Alemanha; ademais, ele lastimava não ter terminado o  trabalho: mutilar as crianças alemãs.

Escreveu o "condoído" Harry Truman, em sua carta: “É uma pena que eu não pude ir e devastar a  Alemanha e cortar algumas mãos e pés das crianças alemãs e arrancar o cabelo dos anciãos, ou talvez o melhor seria fazê-los trabalhar para França e para Bélgica por uns 50 anos.”

Truman, com o correr dos anos, teve os meios de  saciar seu desejo de sangue. Ele viria a ser a mais alta autoridade do país mais poderoso do mundo.  Entre outros seus, estão os dois criminosos ataques com bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki no Japão. Finalmente ele conseguira aniquilar milhares de crianças.

Segundo a Wikipédia, Tom Grant, mais conhecido por sua teoria não comprovada de que Kurt Cobain foi assassinado, teve acesso ao bilhete de suicídio de Cobain, enquanto trabalhava para Courtney Love, a esposa do músico. Grant usou sua máquina de fax para fazer uma fotocópia da carta, que desde então tem sido amplamente divulgada.

Kurt Cobain

Depois de estudar o escrito, Grant acreditava, que na verdade, se tratava de uma carta escrita por Cobain anunciando a sua intenção de deixar Courtney Love, Seattle e o negócio da música. Ele afirma ainda, que as linhas na parte inferior da nota, separadas do resto, são as únicas que indicam a intenções de suicídio.

Embora o relatório oficial sobre a morte de Cobain tenha concluído que ele escreveu a carta, Grant alega que o relatório oficial não distingue as linhas questionáveis das outras, simplesmente tirando conclusões baseando-se na totalidade do bilhete. No entanto, deve notar-se que muitas das cartas de Kurt foram escritas desta maneira, conforme descoberto quando os diários de Cobain foram publicados em 2002.

Carta de suícidio de Kurt Cobain 

Tradução da carta de suicídio de Kurt Cobain

Para Boddah

Falando como um simplório experiente que obviamente preferiria ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.

Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo independência e o abraçar de sua comunidade, provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído ensandecido da multidão começa, nada me afetava do jeito que afetava Freddie Mercury, que costumava amar, se deliciar com o amor e a adoração da multidão – o que é uma coisa que admiro e invejo totalmente.

O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo cem por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.

Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal conseguir funcionar. Não posso suportar a ideia de Frances se tornando o triste, autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei.

Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem-se, é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz, Amor, Empatia.

Kurt Cobain

Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances. Pela vida dela, que vai ser bem mais feliz sem mim.

EU TE AMO, EU TE AMO!

- Boddah era o nome de um amigo imaginário que Kurt teve durante sua infância.
-  A Frase: "É melhor queimar do que se apagar aos poucos"  é uma referência ao verso "It's better to burn out than to fade away" da música Hey Hey, My My,  de Neil Young.

Qaraqosh, Tel Kepe e Karamlesh são apenas três das cidades iraquianas nas planícies de Nínive capturadas no início de agosto pelo Estado Islâmico, mas elas representam a última grande concentração de falantes do aramaico no mundo. Avançando a nordeste de Mosul, na direção do Curdistão, o exército jihadista agora ocupa o centro antigo do  Iraque cristão. De acordo com funcionários da ONU, cerca de 200 mil cristãos fugiram de suas casas nas planícies de Nínive, na noite de 6 de agosto, com medo de serem expulsos, mortos, ou forçados a se converter pelas forças do Estado Islâmico. Um arcebispo local, Joseph Thomas, descreveu a situação como "catastrófica, uma crise além da imaginação."

Cristãos iraquianos

200 mil cristãos foram obrigados a fugir de suas casas nas planícies de Nínive

Além da crise humanitária também existe uma emergência cultural e linguística de proporções históricas. A extinção de uma língua em sua terra natal raramente é um processo natural, mas quase sempre reflete as pressões, perseguições e discriminações sofridas pelos seus falantes. O linguista Ken Hale compara a destruição de uma linguagem com "deixar cair uma bomba no Louvre" - padrões inteiros de pensamento, modos de ser e sistemas completos de conhecimento serão perdidos. Se o último falante nativo do aramaico desaparecer daqui a duas gerações a partir de agora, o idioma não terá morrido de causas naturais.

O aramaico abrange uma vasta gama de línguas e dialetos semitas, todas relacionadas, mas muitas vezes incompreensíveis entre si, algumas já extintas ou ameaçadas de extinção. As últimas estimativas disponíveis sobre o número de falantes do aramaico, levantadas a partir de 1990, falam de 500 mil pessoas, das quais cerca da metade vivem no Iraque. Hoje é provável que o número real seja muito menor; os falantes nativos estão espalhados por todo o mundo, e cada vez menos crianças aprendem a  falar a língua. Em nenhum lugar o aramaico tem status de idioma oficial ou é protegido por leis.

É uma queda vertiginosa  para o que antes foi quase um idioma universal. Falado originalmente há mais de 3.000 anos pelos arameus,  nômades que viviam no que hoje é a Síria, o aramaico ganhou destaque como a língua do império assírio. Era o inglês do seu tempo, uma língua franca falada desde a  Índia até o Egito.

Kilamuwa

Estela do rei Kilamuwa – 850 a.C: a linguagem da inscrição é o aramaico

O aramaico sobreviveu a ascensão e a queda de impérios, florescendo sob o poder da Babilônia e de novo sob o Primeiro Império Persa, no século VI a.C. Milhões o usavam no comércio, na diplomacia e na vida diária. Mesmo depois de Alexandre, o Grande, impor o grego em seus vastos domínios no século IV a.C, o aramaico continuou a se espalhar e a gerar novos dialetos - por exemplo, na antiga Palestina, onde substituiu gradualmente o hebraico. Foi em aramaico que a "escrita na parede", na festa do rei Belsazar, no Livro de Daniel, predisse a queda de Babilônia.

Existem quase três milênios de contínuos registros escritos do aramaico; apenas o chinês, o hebraico e o grego tem um legado igualmente longo. Para muitas religiões, o aramaico tem status de sagrado ou quase sagrado. Presume-se que ele foi a  língua materna de Jesus, que segundo o Evangelho de Mateus, antes de morrer, exclamou na cruz: "Eloì, Eloí, lamá sabactâni" ("Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?"). O aramaico chegou a ser usado no Talmude, nas igrejas cristãs orientais (onde é conhecido como siríaco), e como linguagem ritual e cotidiana dos mandeus, uma minoria étnico-religiosa do Irã e do Iraque.

Séculos depois de Alexandre, o aramaico continuou a se expandir em grande parte do leste do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Foi só depois do árabe começar a se espalhar por toda a região no século VII d.C que os falantes do aramaico recuaram para comunidades isoladas nas regiões montanhosas. Nessas comunidades formadas principalmente por judeus e cristãos, no que é hoje o norte do Iraque (incluindo o Curdistão), o noroeste do Irã e o sudeste da Turquia, se desenvolveram os dialetos que os linguistas denominam de neo-aramaico. A maioria dos cristãos que falam aramaico, referem-se a si mesmos como assírios, caldeus ou arameus; muitos chamam sua língua de Sureth.

Festim de Belsazar

A Festa de Belsazar, de Rembrandt (1635) capta a cena descrita na Bíblia no capítulo V de Daniel. A mensagem: "Mane, Mane, Tequel, Parsim" está escrita em linhas verticais para baixo a partir do canto superior direito, com "Parsim" tomando duas linhas. (National Gallery, Londres)

Embora marginalizado, o mundo de língua aramaica sobreviveu por mais de um milênio, até o século XX quebrar o que restava dele. Durante a Primeira Guerra Mundial, com o poder otomano dissolvido, os nacionalistas turcos não somente massacraram armênios e gregos, mas também perpetraram o que ficou conhecido  como o genocídio assírio, matando e expulsando a população cristã de língua aramaica do leste da Turquia. A maioria dos sobreviventes fugiram para o Irã e para o Iraque. Algumas décadas mais tarde, em vista do crescente anti-semitismo, a maioria dos judeus que eram falantes nativos do aramaico, partiu para Israel.

O aiatolá Khomeini no Irã,  e Saddam Hussein, no Iraque, acrescentaram novas pressões e perseguições para os cristãos de língua aramaica que ficaram para trás. A diáspora tornou-se uma norma para os assírios, hoje, quase todos  vivem espalhados pelo mundo, a partir de países que fazem fronteira com a antiga zona da língua aramaica, como a Turquia, a Jordânia e Rússia, até as comunidades mais recentes em lugares como Michigan, Califórnia e os subúrbios de Chicago.

Alguns linguistas dividem o que resta do neo-aramaico em quatro grupos: ocidental, central, oriental e neo-mandaico. Até o final do século XX, o grupo central era falado por uma pequena comunidade de alguns milhares de sobreviventes na Turquia. Pelo menos em contextos não-rituais, o neo-mandaico, variedade falada pelos mandeus do Irã e do Iraque, tinha diminuído substancialmente; hoje, apenas algumas centenas de pessoas a falam. Enquanto isso, o neo-aramaico  ocidental se reduzia a um pequeno reduto: a cidade de Maaloula e duas de suas aldeias vizinhas, a nordeste de Damasco. Ali, uma pesquisa de 1996 estimou que  havia 15.000 falantes do idioma, incluindo muitas crianças; em 2006, a Universidade de Damasco abriu uma Academia da Língua Aramaica, apoiada pelo governo do presidente Bashar al-Assad. Havia motivos para se ter esperança.

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A foto acima mostra o presidente sírio, Bashar al-Assad, em Maaloula.

Mas então a guerra civil síria começou. Em setembro de 2013, Maaloula caiu para as forças rebeldes, supostamente uma mistura da Frente al-Nusra (um ramo jihadista da Al Qaeda do Iraque) e combatentes do Exército Sírio Livre. Os restantes dos falantes do aramaico fugiram de Damasco ou das aldeias cristãs para o sul, de acordo com o linguista Werner Arnold, que já trabalhou com a comunidade por várias décadas. Forças do governo recapturaram Maaloula em abril de 2014, mas "a maioria das casas estavam destruídas", diz Arnold, e "não havia abastecimento de água e nem eletricidade."

Algumas famílias voltaram a Maaloula em julho, de acordo com Arnold, mas as perspectivas de restaurar a academia parecem remotas. "Eu tive grandes sonhos sobre isso", diz Imad Reihan, um dos professores de aramaico da academia, "mas nesta guerra, no meu país agora, eu não posso me preocupar com o aramaico." Reihan serviu como soldado no Exército sírio nos últimos quatro anos; ele está atualmente perto de Damasco. "Perdemos muito", diz ele sobre sua língua,  "muitas crianças não falam mais aramaico agora. Alguns tentam salvar o idioma em qualquer lugar que estejam, mas não é fácil." Reihan tem primos em Damasco e no Líbano que estão ensinando seus filhos a falar aramaico, mas a dispersão e a assimilação cultural  podem ser forças inelutáveis. "Somente em Maaloula pode o neo-aramaico ocidental sobreviver", diz Arnold - e ainda não está claro se, ou quando, a comunidade poderá retornar para casa.

Assim, até o início de agosto, a melhor esperança para a sobrevivência do aramaico estava no norte do Iraque, no diversificado subgrupo oriental, com o seu maior número de falantes e com suas raízes em comunidades maiores. Contudo, a população cristã do Iraque tem estado em queda livre - de 1,5 milhões em 2003 para uma estimativa de apenas 350 mil a 450 mil atualmente, entretanto as planícies de Nínive haviam sido poupadas do pior. Em janeiro, Bagdá anunciou a  intenção de tornar a região uma província separada, um gesto a favor das aspirações assírias de autonomia.

Assírios

Celebração em um mosteiro ortodoxo sírio em Mosul, no início do século XX.

Mas, em seguida, em junho, Mosul é capturada pelo Estado Islâmico e as forças iraquianas se desintegraram. Em 6 de agosto, o exército curdo bate em retirada, Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque, com 50.000 habitantes, também cai para os extremistas. A população cristã foge em direção a Erbil, a capital curda.

Apesar dos ataques aéreos dos Estados Unidos, O Estado Islâmico ainda controla a região, agora esvaziada de seus habitantes originais. "A ameaça para a população cristã de língua neo-aramaica do norte do Iraque é muito grande", diz o linguista Geoffrey Khan, acrescentando que a região tem dezenas de aldeias de língua aramaica e que "cada aldeia tem um dialeto um pouco diferente." Todos os estudos de Khan sobre o neo-aramaico falado em Qaraqosh, e estudos similares realizados em cidades vizinhas, podem agora se tornar monumentos culturais mortos, em vez de descrições de comunidades pulsantes de vida. "Uma vez que cada aldeia tem um dialeto diferente", diz Khan, "se os habitantes das aldeias são arrancados e jogados juntos em campos de refugiados ou espalhados em comunidades da diáspora por todo o mundo, os dialetos, inevitavelmente morrem. "A tragédia que se desenrola é uma reminiscência dos terríveis acontecimentos da Primeira Guerra Mundial", acrescenta Khan, que "levou à morte de dezenas de dialetos neo-aramaicos do sudeste da Turquia."

O Projeto de Banco de Dados  do Neo-aramaico Oriental, da Universidade de Cambridge, compilou dados sobre mais de 130 dos dialetos uma vez falados por toda a região, dos quais metade são do Iraque. A maioria deles já não existe ou são falados apenas por pessoas que vivem dispersos pelo mundo.

Após um século de expulsões e perseguições, conseguirá o aramaico sobreviver longe da sua terra natal, nas planícies de Nínive? Entre assimilação e dispersão, os desafios de manter a língua na diáspora será imensa, mesmo que os falantes nativos permaneçam em Erbil.

Refugiados

Uma menina iraquiana enche jarros de água no campo de refugiados Khazer, nos arredores de Erbil, no Curdistão, região do Iraque, em 20 de junho de 2014. Dezenas de milhares de pessoas abandonaram Mosul depois que a cidade foi invadida por militantes do Estado Islâmico do Iraque e Síria.

O neo-aramaico judeu, dos qual várias dezenas de dialetos já foram falados em toda a região, parece que se tornará apenas objeto de fascínio intelectual. Estima-se que 150.000 judeus de ascendência curda, provenientes de famílias de língua aramaica, vivam em Israel atualmente, segundo My Father's Paradise, livro de memórias do autor Ariel Sabar. A sobrevivência dos restantes dos dialetos judeus do neo-aramaico é "precária", diz o pai de Ariel, o linguista Yona Sabar, "devido à assimilação natural dos falantes do aramaico pela sociedade israelense e do falecimento da geração mais velha, que ainda falava e sabia o neo-aramaico do Curdistão. "Vários dos principais dialetos do neo-aramaico judeu já estão extintos, não há nenhum que tenha mais de 10.000 falantes e os jovens que falam a língua agora são extremamente raros." "Por sorte, os judeus deixaram as áreas de conflito há muito tempo", diz Sabar, um dos cronistas mais importantes da língua que outrora ele falara no seu dia a dia.

A não ser que seja rapidamente rechaçada, a presença assassina do Estado Islâmico nas planícies de Nínive pode ser o capítulo final para o aramaico. Globalmente, línguas e culturas estão desaparecendo em um ritmo sem precedentes - em média, um último falante nativo  fluente de uma língua morre a cada três meses - mas o que está acontecendo com o aramaico é muito mais incomum e terrível: a extinção deliberada de uma língua e de uma cultura; tragédia que estamos presenciando em tempo real.