Algumas indagações profundas sobre filmes e heróis

O ser humano não suporta a realidade. Somos seres apaixonados por histórias e nossa necessidade  por heróis é quase insaciável. Os bons criadores de ilusão são os que entendem essa nossa paixão, criando mundos e personagens que nos libertam do enfadonho e real cotidiano. É claro que essas criações não são perfeitas, sempre há um clichê, uma falha no roteiro, uma situação que nem mesmo a nossa suspenção da descrença pode aceitar. Eu, esse ilustre blogueiro amador que vos dirige a palavra, falarei um pouco sobre essas imperfeições!


Por que quase todos os heróis dos quadrinhos são órfãos?


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Eu sonho em criar um herói dos quadrinhos, talvez ele seja um vigilante noturno obcecado por caçar traficantes de drogas, ou talvez ele seja um jovem alienígena cuja nave caiu na floresta amazônica, salvo da morte e criado por índios sem contato com o homem branco. As dúvidas em relação a esse herói tupiniquim são muitas, mas uma coisa é certa: ele será órfão. Os mestres já nos ensinaram que herói que se preze não pode ter a felicidade de conviver com os pais.

Batman deve a existência à morte dos pais de Bruce Wayne, sem a morte deles o bilionário seria mais um magnata pouco interessado com as mazelas de Gotham City. Clark Kent não perdeu somente os pais, lhe tiraram o planeta inteiro, não obstante a presença fantasmagórica de Jor-El, sempre a atormentar as lembranças do último filho de Krypton. E o Homem Aranha? Esse sofreu duas vezes. Além de ser órfão de pai e mãe, Peter Parker precisou perder também o tio para aprender que  grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Homem de Ferro, Hulk, Tarzan, Robin… a lista de heróis órfãos é interminável, por que o meu seria diferente?

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Por que a ação só acontece quando o herói está presente?

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Os heróis, logicamente, precisam de ação. O problema é que essa necessidade os tem transformado em verdadeiras maldições ambulantes, onde quer que eles estejam, a desgraça os acompanha. Mesmo que o nosso audaz protagonista esteja meditando em um mosteiro nas montanhas do Himalaia, a ação dará um jeito de encontrá-lo. Nem sempre foi assim. Nossos antigos heróis costumavam ir ao encontro da ação, deixando o resto da humanidade em paz. Teseu, o herói grego foi procurar o minotauro e o matou. Se a mesma história fosse escrita por um moderno roteirista, Teseu estaria tomando vinho com os amigos e o minotauro surgiria do nada, mataria quase todos para então o herói ter seu momento de glória.

Esse clichê surgiu nos quadrinhos e o cinema o tem adotado sem escrúpulos. No filme Guerra Mundial Z, ele é usado à exaustão. Procurando a origem da epidemia zumbi, o herói Gerry Lane chega a Jerusalém. A cidade havia conseguido conter a invasão dos mortos vivos construindo uma enorme muralha, pessoas não infectadas tinham permissão para entrar nesse refúgio, e, é claro, cantavam, falavam, choravam, fazendo muito barulho. Tudo isso acontecia normalmente antes da chegada do herói, bastou a presença do sujeito para que os malditos zumbis conseguissem escalar a muralha e destruir a cidade, que para constar, só tinha um helicóptero patrulhando as muralhas, isso em uma das zonas mais militarizadas do planeta. Conclusão: no caso de um apocalipse zumbi fique bem longe dos heróis, se desejar ficar vivo.


Por que a maioria dos vilões dos quadrinhos é mentalmente perturbada?

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Além da ação, do que mais precisa um herói? Claro, de um antagonista, de um vilão capaz de levá-lo até ao limiar da morte. Criar um personagem assim não é tarefa fácil, contudo, toda boa história exige um vilão convincente, alguém com uma história de vida tão atribulada quanto a do protagonista. Do enorme manancial de vilões das histórias em quadrinhos podemos tirar alguns exemplos notáveis: Coringa, a personificação do caos, sem objetivos, sem remorsos e sem preço; a genialidade psicótica do Duende Verde; a personalidade atormentada do Duas Caras.

Diante dos exemplos citados é fácil notar um traço comum na maioria dos vilões dos quadrinhos, principalmente nos mais importantes: todos apresentam algum tipo de doença mental. Esse fenômeno já foi estudado seriamente por psiquiatras e psicólogos, sendo que alguns livros já foram publicados sobre o assunto. Eu tenho a minha tese. Sendo os vilões pessoas brilhantes, necessariamente os seus criadores precisaram lhes conferir algum distúrbio mental para justificar a vida criminosa desses personagens. Caso contrário, os vilões poderiam facilmente alcançar seus objetivos dentro da lei, o que para uma boa história não tem graça nenhuma. Então, já temos duas certezas: nosso herói será órfão e nosso vilão louco.


Por que são feitos filmes que nem mesmo Einstein entenderia?

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Sem dúvida, um certo grau de complexidade enriquece qualquer história, mas há filmes que parecem querer fritar nossos neurônios. São enredos tão complicados que chegam a cansar a mente. São roteiros tão complexos que até Einstein sofreria para entendê-los.

Entre esses desafios à inteligência, nenhum supera A Origem, com Leonardo Di Caprio. Invadir sonhos é uma ideia bem engenhosa, mas os roteiristas exageraram na dose. Sonhos dentro de sonhos que também estavam dentro de sonhos. A trama é tão complicada que um dos personagens passa o filme todo quase que somente a explicá-la. Mesmo assim, talvez poucos tenham entendido o filme, se é que isso é possível.

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Quem cuida da segurança do Asilo Arkham?

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Batman passa as noites caçando e capturando bandidos, mas o esforço é em vão. Nenhum desses delinquentes é preso em uma penitenciária de segurança máxima, todos vão parar no famoso Asilo Arkham. Tudo bem. Na vida real pessoas mentalmente doentes também costumam fugir das penas impostas aos criminosos normais. Mas quem cuida da segurança daquele hospício? Todos fogem de lá sem o menor problema. Sendo Bruce Wayne um bilionário, porque nunca lhe passou pela cabeça financiar uma equipe de segurança de elite, dando assim um pouco de descanso para si mesmo?

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Por que, de repente, alguns heróis  começaram a revelar um lado homossexual?

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Em 1954, o Dr. Frederic Wertham, um psiquiatra alemão, publicou "Seduction of the Innocent", um livro que alegava que as histórias em quadrinhos, com suas imagens violentas, estavam contribuindo para a delinquência juvenil. A maior parte do livro focava em quadrinhos de crime e de terror, mas alguns super-heróis famosos também foram alvejados. No caso mais notório, o livro alegava que Batman e Robin eram o retrato fiel de um casal gay. Claro, isso é ridículo, mas muitos especialistas dizem que esta afirmação foi o que motivou os escritores a tornar Batman (ou mais precisamente, Bruce Wayne) um mulherengo sem vergonha. Tudo para ajudar a afugentar o rumores da homossexualidade da dupla dinâmica.

Eis um trecho do livro: "Só alguém ignorante dos fundamentos da psiquiatria e da psicopatologia do sexo pode deixar de perceber uma atmosfera sutil de homoerotismo que permeia as aventuras do maduro Bruce Wayne e seu jovem amigo, Robin." Aqueles eram tempos do "terror lilás", época em que os americanos consideravam a homossexualidade  um risco à segurança nacional. As editoras, é claro, trataram de erradicar qualquer traço de homossexualidade que porventura existisse em seus personagens, porque tratava-se de um negócio e os lucros não podiam ser arriscados em defesa de uma minoria cujos direitos estavam sendo pisoteados pelo governo.

O tempo passa, o que daria prejuízo ontem pode ser lucrativo hoje. Com a discussão sobre os direitos dos homossexuais em alta em todo o mundo, as editoras viram a chance de um bom negócio em um assunto cujo teor polêmico atrai a publicidade como as flores atraem as abelhas.

Então, não se enganem, os heróis e vilões dos quadrinhos são uma enorme empresa, um negócio que movimenta milhões de dólares todos os anos. A repentina onda de homossexualidade nos quadrinhos nada tem a ver com a defesa dos direitos gays, trata-se apenas de mais uma boa oportunidade de se ganhar dinheiro.

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